UMABYOF nwtCÉTON

JUN ? 6 2000

J

THEOLOGiCAL JE.vmYARY

BX1467.R56 C46 1952

Centenâario da Colonizaêcàao Ale

em Rio Pardinho : 1852-1952.

Digitized by the Internet Archive in 2014

https://archive.org/details/centenariodacoloOOunse

CENTENARIO DA

(Solonijaçâo Alemã

em

RIO PARDINHO

MUNI. SANTACRUZ DO SUL

1852 ~ 1952

2

Rio Pardinho 1862 - 1962 j

í

Impresso na Gráfica Comercial de Bins & Rech Santa Cruz do Sul Rio Grande do Sul Brasil.

Prefácio

A penúria e a necessidade a par da escassez de terra para plantio, a falta de trabalho rendoso ao pequeno agricultor, do artífice e da classe média em geral na Alemanha daqueles tempos, fizera aumentar o desejo de conhecer outros países, mais vastos e espaçosos.

Tudo isto aliado ao sentimento de progresso, ao cansaço da luta permanente e dolorosa pelo espaço vital na própria Pátria, criara em muitos alemães a vontade de emigrar.

Depois dos Estados Unidos, foi o Brasil que maior número de imigrantes acolhêra; compreendendo os seus dirigentes que, tendo sido a Alemanha um povo sem espaço, o Brasil era um espaço despovoado. Se quizesse pois representar papel de relevância no concerto das nações do mundo, tornara-se mister fazer habitar estas terras, vastas e ricas, por homens capazes a auxiliar a despertar e desenvolver os seus incal- culáveis tesouros existentes no seu subsolo.

Não fora pois a Imperatriz, Exma. consorte de D. Pedro II, a úni- ca que procurara atrair colonos para estas paragens, mas predominara a interesse destas nações, a Alemanha por razões explicadas, o Brasil porque necessitara de mais braços fortes e produtivos para os fixar em seu imenso território.

De uma mínima parte desta imigração, que se processara cem anos atraz, fala a presente obra: da

Colonização Alemã de "Rio Pardinho"

Rio Pardinho? Não encontramos este lugar no mapa do Brasil e nem tão pouco no mapa do nosso Estado. Mas, esta pequenina locali- dade, por mais modesta que seja, para nós é importantíssima, pois é nosso berço, berço de nossos pais e de nossos filhos.

Assim queremos, neste singelo trabalho, dar um relato pálido mas sincero da história deste nosso pequeno berço.

Se cultivamos as nossas tradições e procuramos pelo motivo funda- mental, porque somos, como somos tal fazemos, compreendendo que não terá futuro o povo que não cria raízes, porque não as tendo, não tem história.

Resolvidos pois de cultivar a nossa história, a ela ligamos suma importância, imbuídos no sentimento pátrio, procurando auxiliar, den- tro da nossa esfera a formação da nação brasileira, para homogeniedade da nossa Pátria comum, cujo bem é o nosso bem e cujo futuro é o nosso futuro.

P. F. Loefflad.

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Dedicado aos habitantes de Rio Pardinho, aos seus amigos e a todos os que amam esta terra.

Dom Pedro II

( 1840 1889 ) O Imperador do Brasil no tempo da imigração.

Palavras de elogio a colónia alemã no sul do Brasil, de um dos mais eminentes brasileiros em nossos dias:

Pelo que toca a colónia alemã, localizada no sul, c composta de homens ordeiros, industriosos, trabalha- dores e que muito têm contribuído para a prosperidade da pátria adotiva. No Rio Grande do Sul os descenden- tes dos colonos alemães que se radicaram mais de um século, são, hoje, na terça e quarta geração, fi- guras de relevo na vida social, política e económica do Estado, industriais, banqueiros, comerciantes, integrados de todo na vida nacional, vivendo e sentin- do como brasileiros, que o são, e do mais ativo patrio- tismo. — GETÚLIO VARGAS.

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PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL

GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO SUL

r. Willy C. Frõhlich

Economista

Dr. Wolfram Metzler Médico

A nossa brilhante representação na

Camara

F

a

Germano Oockhorn Abastado Comerciante

«

<

i DR. CARLOS ALBERTO FERNANDES

< 4

< É com imensa satisfação que registramos aqui os nossos sinceros agradecimentos, ao distinto cavalheiro, portador de

< excelentes predicados e prestigiado através de sua alta capaci- J dade profissional de Engenheiro-chefe do Departamento das J Estradas de Rodagem neste setor.

3 Muito deve a comissão, abaixo assinada, à sua eficiência

4 e pronta ação, atendendo solicitamente todos os pedidos que

4 ousamos formular, ação que contribuiu na prestesa da reali-

< zação dos altos objetivos que nos movem nas comemorações

< do 1.° Centenário de Rio Pardinho.

J Está de parabéns Santa Cruz do Sul, contando com o Dr.

J Carlos Alberto Fernandes, na chefia deste setor do importante

5 Departamento Autónomo das Estradas de Rodagem.

! Mais uma vez, Dr. Fernandes, a gratidão de Rio Pardi-

4 nho e da

COMISSÃO ORGANIZADORA.

Dr. Siegfried E. Heuser

ECONOMISTA

DEPUTADO ESTADUAL

Imperdoável, ingrato mesmo, seria o termo a em- pregar-se deixássemos de gravar neste livro a figura inconfundível do moço, inteligente e dinâmico, um dos mais simpáticos e prestativos representantes do po- vo na Assembléia Legislativa do Estado, que sacrifica tempo e a convivência dos seus, para prestar serviços aos que à ele se dirigem, independente de cores políti- cas, religiosas ou raciais.

Filho extremado de Santa Cruz do Sul, tem bata- lhado com êxito e brilhantismo entre os seus pares, e incalculáveis serviços prestou à Comissão Organizado- ra dos Festejos do 1.° Centenário da Colonização de Rio í Parriinho- serviço que "Rio Pardinho" jamais esque- j cerá

i !

Por enquanto, o nosso muito obrigado. A COMISSÃO ORGANIZADORA.

NORBERTO H. SCHMIDT Contabilista

Esforçado lutador pelo bem de sua terra. É filho de Santa Cruz do SuL Para auxiliar os festejos do 1.° Centenário de Rio Pardinho apresentou um projeto na Assembléia Legislativa pleiteando uma verba de Cr$ 20 . 000,00 para esta finalidade.

Este gesto voluntário e compreensivo, foi mui- to bem apreciado e é merecedor da gratidão e do reco- nhecimento de todos os filhos de "Rio Pardinho",

ÀADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Não teria sido possível dar um cunho tão altamente fes- tivo às Comemorações do 1.° Centenário da Imigração Alemã, se não encontrássemos por parte da Administração Municipal, integral apoio e amparo incondicional para inúmeros problemas que se amontoavam à nossa frente, como barreira intranspo- nível.

Mesmo ferindo a modéstia dos nomeados, sentimos o im- perioso dever de gratidão, expressar aqui, profundo reconhe- cimento ao sr. Prefeito e vice-Prefeito, ao sr Secretário, ao Diretor da Usina Elétrica e do Diretor das Obras Públicas e to- dos os auxiliares dos diversos departamentos que, direta ou in- diretamente souberam prestar auxílios aos inexperientes orga- nizadores.

A Comissão Organizadora dos Festejos do 1.° Centenário da Imigração Alemã.

Rio Pardinho, 21 de novembro 1952.

A nossa Camara de Vereadores:

SNR. JOÀO BIRCK

Professor Vice-Presidente da Câmara

DR. LOTÁRIO STORCK

Médico

A nossa Camara de Vereadores:

Sr. Orlando Baumhardt

Comerciante

Membro da Camara, que não vacilou, um segundo em contri- buir com toda a sua energia e inteligência

para que "RIO PARDINHO" prestasse as home- nagens aos seus ante- passados com digni- dade e êxito.

Benno W- Assmann Gerente du Cooperativa de Fumos

Dr. Jacob Blesz

Médico

mm

íbL„ .. Jb

Pastor Walter Dreher

Sr- Erich Kuentzer Comerciante

Proeminente membro da Comissão Central dos Fes- tejos do Centenário, da qual é Tesoureiro, é um dos mais esforçados filhos de

"RIO PARDINHO"

aonde exerce ainda o car- go de Correspondente do

SR. ARNO GRESSLER - Bancário

A nossa Camara de Vereadores.

Dr. Carlos Mauricio Werlang Advogado

Sr. Lindolfo Bauermann Empreza de Transportes

Sr. Nestor Henn Sr. Ottmar Muench

Eletrotécnico Comerciante (V e r e a d o r)

(Vereador)

À COLENDA CÂMARA DE VEREADORES

Grandes iniciativas, para que como tais possam justificar-se dian- te da iiistória, nascem do esforço dos seus promotores e somente vi- vem, crescem e se agigantam quando bafejadas pela boa vontade e compreensão encontraram os organizadores dos festejos do 1.° Centená- rio de Rio Pardinho quando bateram às portas da colenda Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, solicitando da mesma a solidariedade moral financeiro para o empreendimento que sem esse apoio certamente não lograriam levar a bom termo. A magnanimidade e espírito esclare- cido dos nossos legislativos fez com que subisse a CrS 30.000,00 o ao- xílio do município às comemorações da importante data, o que veio dar novo alento aos que carregam sobre os seus ombros a responsabilidade da organização das festividades e um impulso poderoso nas atividades preparatórias que estão a exigir avultados recursos financeiros.

Que fique consignada para a posteridade, neste breve registro, a gratidão imperecível dos membros da comissão organizadora que, prestigiados por atitudes generosas como esta do Poder Legislativo, se sentem com forças bastantes para levar avante essa iniciativa que visa homenagear os pioneiros da civilização de Rio Pardinho.

A COMISSÃO ORGANIZADORA.

"RIO PARDINHO" teve no ati- vo Diretor das Obras Públicas da Municipalidade, um valioso esteio e conselheiro, incentivando com o seu apoio os trabalhos espinhosos das di- versas comissões dos festejos do 1 Centenário, fazendo as vezes do im- possível, o possível.

0 reconhecimento pelos gran- des serviços prestados, nos fazem o Germano Jacob Mueller seu admirador e é com grata satisfa-

(Engenheiro das Obras Públicas cão que aqill O gTavamOS. de Santa Cruz do Sul).

Sem a capacidade técnica, no que diz respeito a ilumina- ção e fachadas dos diversos pa- vilhões, do sr. Diretor da Usina Elétrica Municipal, Rio Par- dinho não chegaria a apresen- tar aos seus visitantes, a ilumi- nação deslumbrante de que se orgulha e que é obra e idéia ex- clusiva, do sr. Oscar Schwert- ner„ insuperável na sua espe- cialidade e nos seus conheci- mentos técnicos.

E' de justiça que o cha- mam de Engenheiro Eletrotéc- riico n.° 1 do Rio Grande do

Sul.

Sr. Oscar Schwertner

(Diretor da Usina Elétrica Municipal de Santa Cruz do Sul).

ESTA PÁGINA É DEDICADA AO DR. SAMUEL PINTO CORTEZ Chefe da Inspetoria Veterinária sediada em Santa Cruz do Sul

Presidente de honra tlã l.a Exposição Agro- pecuária de Rio Par- (fjnfyd neste Município, tiiesenvolveu exemplar a- tividade, dedicando as suas horas vagas dcs- pretenciosamente e com a modéstia que o carac- teriza e enobrece, a ser- viço deste li til e patrió- tico empreendimento, realizando pela vez pri- meira no nosso cente- nário Município de San- ta Cruz do Sul.

Nascido a 31 de de- zembro, no Distrito Fe- deral, filho de José Pin- to Cortez Jr. e de Dona Nicolina de Souza Cor- tez, fez o curso primário em escola pública, o Ginásio no Colégio Bra- sil em Niterói, e absol- veu a Faculdade de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Ja- neiro, terminando o cur- so superior em 28 de de- zembro de 1940.

Chegou a esta cidade de Santa Cruz do Sul em õ de setembro de 1943 corno 2.° Tenente Veterinário R - 2 junto ao III.0 Batalhão do 7.° Ptegimento de Infantaria. Licenciou-se mais tarde, permanecendo entre nós e casando com a Sita. Theresia Maria Kern, da sociedade local, es- tabelecendo-se definitivamente no nosso meio onde goza justificada esti- ma e simpatia geral.

A sociedade de "Rio Pardinho" e a sua colónia lhes são devedo- res desta menção como parte da gratidão que aqui expressa, com pro- fundo reconhecimento.

Dr. Samuel Pinto Cortez

Chefe da Inspetoria Veterinária de Santa Cruz do Sul

Rio Pardinho, 21 de novembro de 1952.

RIO PARDINHO HOJE

Igreja Evangélica de Rio Pardinho

Deixando a cida- de de Santa Cruz do Sul rumo ao norte do município, pas- sando pelo Cemité- rio Municipal, en- tra-se logo na zona de Rio Pardinho, mais conhecido por Entrada Rio Pardi- nho, até o Sanató- rio Kaempf, o esta- belecimento hidrote- rapeutico único no género em todo o Brasil. Quando chega a Santa Cruz do Sul uma visita importante, que

deseja conhecer a zona colonial, aconselha-se logo uma viagem pelo fértil e ameno vale do Rio Pardinho, talvez um dos mais pitorescos do Pio Grande do Sul.

Do alto, além do Sanatório Vida Nova, divisa-se um panorama impressionante, uma visão de conjunto que empolga. Voltando o olhar para a cidade, vemo-la diante de nós num quadro em que predomina por suas imponentes linhas arquitetònicas a Matriz, no momento o maior templo do nosso Estado. À esquerda, extende-se um magnifico vale que tem como fundo a localidade de Teresa, de cujo conjunto se destacam as igrejas protestante e católica. À sua frente, um pouco para a esquerda do sentido da estr ada, o viandante pode admirar o largo vale do Rio Par- dinho, em cujo centro se localiza a linda capelinha do povoado de Ponte Rio Pardinho. Esta localidade, que recebeu o seu nome da ponte cons- truída sobre o rio em 1898, situa-se na parte central da região.

Antes de atingir-se a ponte, em cujas imediações se encontram cemitério, escola, casa comercial Wegner e igreja, entra à direita a Linha Travessa, a assim chamada "Querpikade", parte das terras que em 1852 recebeu Kleudgen do gcverno provincial em pagamento dos seus esforços para trazer colonos alemães para esta região. O caminho que segue em linha reta, antes da curva para a esquerda, é a primitiva via de £ cesso para Rio Pardinho, Sinimbu e a Serra, sendo que atualmente serve apenas de comunicação para os moradores da margem esquerda do Rio Pardinho, compreendendo# a Linha Sete de Setembro, o velho "Fingerhut".

Um pouco além da ponte, observa-se um conjunto de rochas junto à estrada, servindo de limite para as comunidades de Ponte Rio Pardinho e Rio Pardinho. O mesmo marco servira de base para as negociações que em 1874 mantiveram as comunidades de Rio Pardinho e Santa Cruz.

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Ali encontramos também o velho passo de outros tempos, utilizado pelos transportes antes da construção da ponte. Defronte fica situado ainda hoje o velho Salão Goelzer, que em outras épocas também foi sede de uma cervejaria. O antigo prédio continua ainda hoje em poder dos des- cendentes do primitivo proprietário. Constata-se que todas as demais casas se acham localizadas mais ao sopé de uma elevação ali existente, com excepção de uma que assenta sobre uma saliência da rocha, desde início utilizada como salão e hotel.

Prosseguindo na viagem, alcançamos então a zona propriamente dita Rio Pardinho. Iniciamos subindo a elevação em cujo topo se encon- tra a igreja, tendo de um lado a antiga e bem cuidada propriedade do saudoso professor Christiano Smidt e do outro os antigos prédios da esco- la e da igreja e o antigo cemitério. Dali avistamos o coração de Rio Pardi- nho, casa por casa e sobressaindo a chaminé da Cooperativa. Estamos en- trando na "vila" Rio Pardinho.

Na extremidade da pequena vila, ramifica-se a estrada para a es- querda no sentido do assim chamado Travessão Dona Josefa. Atraz deste ramal, na encosta do morro, fica situado o novo cemitério. A vila cresce consideravelmente graças às novas construções na colónia dos Panke. Chama a atenção o comprido "solar pomerano".

Do lado direito da estrada, encontramos a olaria, moinho, engenho de serra, descascaria de arroz e fábrica de tacos de parquete das famílias Panke com os genros. Mais adiante, igualmente no lado direito, ergue-se a olaria do sr. Ewaldo Krause.

Sem tardar, chegamos então ao segundo morro histórico de Rio Pardinho com a casa paroquial, a escola e o cemitério. Um pouco aquém do aclive localiza-se a marcenaria dos Irmãos Gressler e atraz do cemi- tério o estabelecimento do mesmo ramo do sr. Wilmuth Rubolz. Des- cendo a elevação, chega-se à grande casa comercial e salão do sr. Hen- rique Bublitz e um pouco além a olaria, moinho, engenho de serra e descascador de arroz do sr. Reinaldo Molz. Segue-se atraz do morro dos Jaeger o pequeno aglomerado residencial da colónia Ristow, onde se acha estabelecido o sr. Francisco Ristow com a Agência Sinimbu da Lo- teria do Estado e fábrica de rapaduras. À direita vemos o antigo hotel e bailanta do sr. Germano Ristow, agora transformado em armazém da casa comercial do sr. Norberto Ristow construída ao lado.

Mais uma vez escalamos uma subida e do alto se nos depara a bela vila de Sinimbu engastada entre os montes, com o suntuoso templo evan- gélico aparecendo ao fundo.

A casa comercial do sr. Germano Bublitz marca os limites da zona de Rio Pardinho, sem dúvida um dos atrativos turísticos do nosso muni- cípio.

n

Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul - Rio Gr. Sul

Antes de tratarmos da colonização de Rio Pardinho, referir-nos-emos, preliminarmente e de forma concisa, sôbre a fundação e desenvolvimento da colónia de Santa Cruz até sua elevação à categoria de Município, no ano de 1877.

Do magnífico trabalho elaborado pelo ilustre cidadão João Bitencourt' de Menezes, intitulado "MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ", obra que infelizmente não mais se encon- tra e da qual somente raros exemplares ainda existem, embora se trate de único compêndio que notícias sôbre o desenvolvimento inicial de Santa Cruz, tiramos os seguintes elementos:

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FUNDAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA COLÓNIA DE SANTA CRUZ ATÉ A ELEVAÇÃO À CATEGORIA DE MUNICÍPIO EM 1877

A colónia de Santa Cruz foi fundada no município de Rio Pardo, distrito da Serra de Botucaraí, território este compreendido entre a mar- gem esquerda do rio Pardo e o arroio Taquarí-mirim.

Ao tempo do estabelecimento da colónia, em 1849, era presidente da Província o Tte. Gal. Francisco José de Souza Soares de Andréa, Barão de Caçapava.

Deu origem à fundação da colónia o desejo da Câmara de Rio Pardo de abrir comunicação entre esta cidade e os campos de Cima da Sena, por meio de uma estrada ou picada, que, atraindo o comércio da- quela zona, seria também o caminho mais curto para os mencionados campos de Cmifi da Serra

Na recente e substanciosa obra "As Missões Orientais e seus an- tigos Domínios", pelo Dr. Hemetério José Veloso da Silveira, no capitu- le, em uue trata do município de Santa Cruz, encontra-st o seguinte que transcrevemos: "O território de Santa Cruz pertencia, em sua atual cem- preeusão, ao município de Rio Pardo, desde quando este, simples distrito militar, era sujeito à justiça civil de Porto Alegre. Assim continuou fité que por provisão do Desembargo do Paço de 7 de Outubro de 1809, foi a povoação de Rio Pardo elevada à categoria de vila".

Ainda depois deste vilamento o atual território de Santa Cruz era todo baldio. Os governadores portugueses, pouco antes da proclama- ção da Independência do Brasil, fizeram concessões de algumas sesmarias de campos e inatas a João de Faria Rosa e outros.

Essas sesmarias estavam pouco cultivadas ou quase abandonadas, quando, a lei provincial n.° 111 de 4 de Dezembro de 1847 autorizou o presidente da província a mandar abrir uma estrada através da serra, saindo no distrito de Soledade, município então de Cruz Alta.

Quanto a nos, sempre ouvíramos dizer, sendo unânimes a tra- dição a respeito, que a abertura da Picada Velha (depois Linha Santa Cruz), fora contratada com Abel Corrêa da Câmara, tendo este incum- bido a José Rodrigues de Almeida a dar execução a esse trabalho, o que efetivamente este fez, como o atestam todos os antigos moradores de Santa Cruz do Sul.

Abel Corrêa da Câmara encarregou José Rodrigues de Almeida,' morador no Faxinai de João de Faria, onde hoje assenta a cidade de Santa Cruz, de abrir uma picada através da serra, para dar acesso desse Faxinai aos campos de Cima da Serra.

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Deu-se começo à exploração e abertura de caminho no Faxinai e, simultaneamente, no Rincão de Santo Antonio, à beira do campo do então distrito de Soledade. Acontecendo, porém, que os exploradores que dali partiram, se enganassem na direção conveniente, foram sair no Faxinai de Santo Amaro, também Faxinai do Fagundes e Faxinai do Tamanco, denominações primitivas do atual município de Venâncio Aires.

Essa exploração procurou de preferência os lugares mais altos da serra, ou aqueles que não fossem cortados pelos arroios fortes; assim foi que conduziram a picada pela cordilheira que divide as aguas que correm para o Rio Pardinho, a oeste, e para o Taquarí-Mirim, ao leste.

A picada entre o Faxinai de João de Faria e o Rincão de Santo Antonio ficou sendo conhecida por Picada de Abel, depois Picada Velha, e oficialmente tomou a denominação de Picada ou Linha Santa Cruz.

Aberta essa picada, no ano de IH 19, o engenheiro Vasconcellos demarcou os primeiros lotes ou prasos destinados ao estabelecimento dos colonizadores do novo núcleo agrícola. Auxiliou-o neste trabalho, tendo vindo na sua companhia da colónia de São Leopoldo, João Guilher- me Werlang.

Ksses lotes faziam frente para a picada, com 100 braças de largura, e fundos para o Rio Pardinho com 1.000 braças.

A 19 de dezembro de 1810 foram ali distribuídos lotes aos colonos. Foram esses, pois os fundadores da Colónia de Santa Cruz. Em 1851 mudaram-se alguns moradores para a Picada Nova, assim chamada em oposição à Picada Velha por ser este o primeiro traçado na Colónia.

O 1. °diretor provisório da colónia foi Evaristo Alves de Oliveira. Abriu a Picada Nova, depois Rio Pardinho, o 2.° diretor da colónia João Martinho Ruff, pelos anos de 1851 e 1852. A picada de Rio Pardi- nho, que em seu prolongamento tomou a denominação de Sinimbu, em 1859 ficou povoada neste último ponto.

Dissemos acima que os primeiros colonos se estabeleceram na Linha Santa Cruz. Os que vieram depois se encaminharam para a Picada Nova ou Rio Pardinho. No "Lageado" foram morar: Lucas Antonio Espindola (português), José Leite Maciel (paulista), Paulo da Cunha, Francisco Gonçalves da Rosa, José Cândido de Oliveira e o ex-encar regado ou diretor provisório da colónia Evaristo Alves de Oliveira.

Quando chegaram os primeiros colonos à Picada Velha, ali haviam se estabelecido o hamburguês Pedro Kleudgen, o qual, propon- do-se promover na Europa a imigração colonizadora para Santa Cruz, obteve do Governo Provincial um prazo de terras, com 750 braças com frente para a picada, depois Linha Santa Cruz, por 3.000 braças de fundos, indo estes até a margem direita do Rio Pardinho.

De fato, voltando à sua terra natal, Kleudgen encaminhou pa- ra a nova colónia algumas famílias, as quais foram se estabelecer na Picada Nova. Foi isso pelo ano de 1851, em que o Governo Provincial

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tomava diversas medidas no empenho de promover a imigração europeia e melhorar o serviço da colonização. Assim foi que entre estas medidas a Assembleia votou a lei n.° 229 de 4 de dezembro de 1851, da qual, pelo seu alcance e íntima relação com a então recente colónia de Santa Cruz, transcrevemos as disposições que seguem:

Art. O Presidente da Província mandará medir, demarcar, levantar mapas e arbitrar o valor das colónias existentes, em que não tenha sido feito esse serviço, e das que de novo foram estabelecidas.

Art. 2.° Outrossim mandará explorar terras devolutas que fo- ram apropriadas para colónias, e pedirá ao Governo Geral a concessão das que trata o art. 16 da lei de 28 de outubro de 1848.

Art. 3.° E' também o Presidente autorizado a nomear um ou mais agentes na Europa para promoverem a imigração alemã para esta província.

Art. 4.° Estes agentes perceberão a gratificação de três patacões por cada individuo de 7 a 35 anos que fizerem imigrar, e pelos maiores de 35 que forem chefes de família.

Presidente da Província, receberá 100.000 braças quadradas de terras Art 7.° Cada colono que, com guia do Agente se apresentar ao na colónia de Santa Cruz, ou em outras que de novo foram estabeleci- das; e nos títulos, que lhes serão logo dadas, se inscreverá o valor das terras, e, não as obrigações a que são sujeitos os colonos, como os favores a que os mesmos tem direito.

Art. 8.° se considerarão com direito de receber terras os co- lonos casados ou viúvos com filhos e os solteiros que se casarem depois que chegaram à Província.

Art. 9.° As terras serão concedidas gratuitamente.

Art. 10.° Será por conta do cofre provincial a despesa da condução dos colonos, desde o porto do Rio Grande até as colónias, e bem assim a que se fizer com ferramenta e sementes, que se lhes suprirá por uma vez somente.

Art. 12.° Cada colónia terá um Diretor nomeado pelo Presi- dente da Província, o qual, além de residir na mesma, falará os idiomas nacional e alemão.

Art. 15.° O Presidente mandará publicar na Alemanha, no idioma daquele país, os escritos que possam despertar o desejo da imigração para esta Província.

Provavelmente autorizado pelo Governo da Província em virtude dessa lei, o mesmo Kleudgen publicou em Hamburgo (1851) um folheto contendo ligeiras informações sòbre a colónia recém fundada, e no qual se vêm cartas dos colonos ali estabelecidos. Essas cartas eram dirigidas aos seus parentes e amigos na Alemanha, convidando-os a virem partilhar com eles as suas fadigas e o bem estar que entreviam.

Em geral esses colonos se mostravam satisfeitos com a nova existência, por vezes trabalhosa que passavam nestas paragens então quase desertas, mas confiantes todos num futuro melhor. Essa con- fiança não os iludiu, embora a princípio lutassem eles com as mais

eólias dificuldades, até para se protegerem das intempéries e dos animaes bravios que infestavam livremente toda a Serra Geral.

Como tudo era mato. de chegada ao lugar da colónia, o seu j.\ Imeiro cuidado consistia em improvisar uma choupana ou rancho para abi 'igo de suas famílias. Essa habitação era de ordinário cercada e coberta de folhas de gerivá, e devia de parecer aos europeus tão primitiva como as terras que viam pela primeira vez.

Além dos favores concedidos aos colonos pela lei de 1851, que ficou transcrita, recebiàm estes do Governo uma diária, para o 1.° es- tabelecimento, na razão de 160 réis per capita, para as famílias, e os solteiros 180 réis.

Xa colónia cultivava-se a mandioca, o milho, o feijão, batatas, etc. A cultura do fumo. então no seu início, prometia o considerável desenvolvimento, que mais tarde deveria constituir a principal fonte de prosperidade e riqueza da colónia. As primeiras sementes da futura planta de ouro de Santa Cruz, vieram da Ilha de CAiba (Havana), donde as receberam os colonos.

O ensaio da cultura do linho pelo silesiano Augusto Wutke, deu bons resultados, tanto em quantidade como em qualidade e devia, como o fumo, tomai* apreciável incremento, mas não ponde, como aquele, prosperar ou aclimatar-se definitivamente na colónia.

O algodão, cujas sementes viciam dos EE. UU. da América do Norte, também era cultivado e prosperava regularmente. Tanto o linho como o algodão eram fiados pelos próprios colonos (pie teciam as rou- pas de seu uso.

Ao tempo da fundação da colónia e da povoação que devia de servir para a sede da mesma, moravam na sesmaria ou Faxinai de João de Faria Rosa, além deste, Gregório Silveira, José Rodrigues de Almeida, que fôra encarregado da exploração e abertura da Picada Velha, e Agostinho Antonio de Barros , este com casa de negócio (venda).

Xo lugar do faxinai, escolhido para povoação, hoje cidade de Santa Cruz, era muito abundante o gravata, e se abriam, aqui e ali uns campestres de macega e pequenos banhados.

Este mencionado João de Faria Rosa era português de nacio- nalidade e foi talvez o 1.° morador do Faxinai que tomou seu nome. Quando chegaram os primeiros colonos, ainda existia o sobrado que fôra residência de Rosa. Para resguardar-se das investidas dos bugres, então muito abundantes, fizera cercar a sua morada pelos ranchos de seus numerosos escravos. Era o sobrado feito de madeira, mas coberto de telhas de barro. Morava então no sobrado, que serviu também para alojamento daqueles colonos, João de Faria Rosa.

Ele transportou esses primeiros colonos até o lugar dos lotes que lhes eram destinados na então Picada do Abel. Até 1852 não se havia cuidado da fundação duma povoação, como ponto de convergência para a população, que crescia nos diferentes pontos, onde novas linhas eram fundadas.

Tratou o governo de escolher o local, sendo preferida a sesma- ria de João de Faria Rosa, pertencente ao comendador Antonio Martins

U

da Cruz Jobim, e onde hoje existe a cidade. A assembleia provincial por ]ei de 25 de novembro de 1852 decretou a desapropriação de 1.968.750 braças quadradas, que custaram ao governo 4:7138810 réis.

Foi encarregado da medição o capitão - tenente da Armada Francisco Candido de Castro Menezes, que mais tarde procedeu ao le- vantamento da planta da povoação começando as edificações em 1855, mas foi lenta e muito espaçada a procura de terrenos da nova povoação e também muito lentas deviam ser as edificações.

Por lei n.° 132 de 8 de janeiro de 1859 foi a povoação elevada à categoria de freguezia. Naquele ano João Martinho Buff, deixou a direção da colónia, sendo substituído por Antonio Prudente da Fonseca, o qual serviu apenas um ano.

A colónia, a esse tempo começara a ganhar expansão, tanto com o incremento da imigração europeia, como pela procura de terras peles colonos estabelecidos em outros núcleos agrícolas da província, notadamente de São Leopoldo.

Pelo ano de 1862, Francisco Antonio Borges fundava a colónia Rio Pardense em terras do Faxinai de Dentro. A colónia de Mon,te Alverne foi fundada antes de 1860, pelo Governo Provincial. Ela ocupou terras de diversos particulares, tanto que, mais tarde, o Governo Pro- vincial mandou indenizá-los.

Em princípios do verão de 1857, Buff, o citado diretor da colónia, havia explorado o Faxinai de D. Josefa em demanda de Rio Pardo. (*) Quanto às terras daquele faxinai, a lei n.° 377 de 20 de novembro de 1857 autorizou novamente o presidente da Província a desapropriar ou comprar as terras de Faxinai de D. Josefa, entre o rio Pardo e o rio Pardinho. Pelo ano de 1866 era demarcada na .colónia uma nova povoação, a qual foi denominada Vila Teresa.

Quanto ao comércio, até 1860, era então bem limitado, para não dizermos quase nulo, e assim devia continuar por muitos anos. As dificuldades do transporte dos produtos que precisavam vender para cenprar o que não podiam produzir, como o café, o açúcar, o sal e alguma fazenda para vestir, tornavam muito penosa a viagem a Rio Pardo, a praça mais próxima e onde os produtos obtinham melhor preço do que mesmo em Porto Alegre.

O governo do Rio Grande do Sul gastou com a medição e divisão dos terrenos em lotes coloniais, aquisição por compra de algumas ter- ras particulares, encravadas entre as de domínio do Estado, abertura de estradas, pequenas pontes, transporte e colocação de colonos, fornecimento de ferramentas, sementes aos mesmos, vencimentos dos diretores e seus auxiliares, construções de igrejas, etc. uma cifra total de 261 :825$436 réis.

Agora vejamos, como este dinheiro tem revertido com a mais vantajosa compensação para os cofres públicos. Em 1865, quando o governo ainda gastava com a colónia, esta proporcionava uma receita em impostos (gerais e provinciais), no valor total de 60.812|000 réis.

(*) Segundo o livro de J. Hoermeyer, pág. 243, estavam ven- didos em princípios de 1855 lotes num total de 14.

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Esías receitas, progressivamente, chegaram a somar, no ano de 1885, em 126:500^000 réis. Até este ano estava recuperado e com usura todo o capital empregado; pois que todas as receitas reunidas, excediam de i.Sll:(>17*000 réis.

Agora vejamos outra enorme compensação do capital empre- gado, no seguinte quadro da Exportação e Importação em cada uma das seguintes décadas, omitidos (para não alongarmo-nos) os anos intermediários.

EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO

Em 1860 121:000|000 69:000f000

" 1870 142:5009000 290:000$000

" 1880 630:1001000 140:900$000

" 1890 1 .280^001000 912:000$000

M 1900 3. 193:5001000 2.800:000*000

Tão notável fora o desenvolvimento e importância adquirida pela colónia, que, decorridos 28 anos de sua fundação, o governo re- conhecia a justiça de conceder-llie os toros de município autónomo. Após 31 de março de 1877 ficou elevada a categoria de vila a povoação de freguezia de São João de Santa Cruz, e um ano mais tarde, aos 28 de setembro de 1878. foi instalada a câmara municipal. Instalou a nova câmara, deferindo juramento aos seus membros o presidente da câmara de Rio Pardo, Joaquim Alves de Sou/m. A respectiva ata foi lavrada pelo secretário da dita câmara de Rio Pardo, Virgilio Pereira Monteiro.

Km 15 de outubro do mesmo ano. a cântara realiza a sua l.a sessão ordinária sob a presidência do vereador Trein. Tendo compare- cido, toma fssento o vereador P. Werlang. O município ficou dividido em () distritos, sendo designados para inspectores: do 1.° distrito, compreendendo a vila, a linha Entrada do Rio Pardinho e as terras do Faxinai Velho até o Arroio das Pedras, o vereador .1. J. Eichenberg; do 2.°. compreendendo as terras do Rincão dei Rey. de Cerro Alegre e da fazenda São João da Serra, o vereador Simões Lopes; do 3.° que compreendia a Linha Bom Jesus, Vila Teresa, Dona Josefa, Ferraz e colónia Entre-Rios, o vereador Trein; do 1.° compreendendo este as lei ras do Faxinai de Dentro e Rio Pardense, o vereador Brito; do 5.°, compreendendo as linhas Rio Pardinho, Andreas, Travessão, Sinimbu, S. João e nervais de S. João o vereador Hentschke; para o 6.°, que abrangia as linhas Santa Cruz. Nova e hervais do Paredão, o vereador Jaeger.

18

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A IMIGRAÇÃO ALEMÃ EM RIO PARDINHO

Aproxima-se o mês de novembro de 1852, mês este que anualmente se repete no calendário, fazendo aos que conhecem a história da imigração dos primeiros alemães à rio Pardinho chorar e soluçar de alegria e de dor.

Sim, chorar e soluçar de alegria e de dor, porque este mês de novembro não se repete no calendário, mas repete-se também na memória e no coração de todos os que tem bom sentimento, de todos aqueles que estão ligados por laços sanguíneos, quer por sentimentos de gratidão, aqueles que para aqui vieram, deixando aquilo que de mais nobre existe em nossa alma e corpo, renunciar aos parentes, aos amigos e à PÁTRIA.

Deixaram aqueles homens, aquelas mulheres e aquelas crianças, o sangue de seus parentes, irmãos e amigos, para aqui chegarem e auxiliarem outra terra e a si próprios; por assim dizer uma nação dando as mãos a homens, e estes, seus músculos, seu amor, sua boa vontade, sua vida, enfim tudo, para fazerem que esta nação florescesse e se tornasse grande entre as grandes nações.

Choram uns, recordando este mês de novembro de 1952 que se aproxima com duplo sentimento: de dor e de alegria! Estes são os que descendem diretamente daqueles que aqui chegaram, cuja terra os vira respirar alegres depois de uma travessia penosa, os viram suspirar de nostalgia pelo berço que ficou no além-mar, enfim eles lavaram as suas mãos calejadas nas aguas cristalinas do rio Pardinho; terra esta que ainda os e os tem em seu seio, aonde os seus restos mortais descançam naquele sono digno repousador, mas triste, porque ali estão agricultores laboriosos e dedicados.

Choram de alegria e satisfação estes mesmos e todos os homens de sentimento bom por ver e poderem admirar o progresso que é devido aqueles ascendentes, parentes, e para nós outros trabalhadores de fibra e de valor.

Estes homens aos quais se refere esta história, estabeleceram-se às margens do rio Pardinho.

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Após a colonização da Picada Velha nos anos dc 1819 - 1850, começaram as medições e a abertura de piques da Travessa (Querpikade) e de Rio Pardinho, chamada Picada Nova, para diferenciá-la da Picada Velha.

Estes trabalhos começaram em 1851, dirigidos pelo então diretor colonial João Martinho Buff, velho soldado de 1829 O Dr. Robert Avé- Lallemant, em seu itinerário de 1857, descrevendo sobre a pessoa do diretor, afirmara ter Buff residido em Rio Paulo, devendo-sc a esta circunstância os excelentes progressos verificados na colónia de Santa Cruz.

A posição geográfica da colónia provincial naquele tempo era a seguinte: exiendia-se em iinha quase reta, sete léguas de Rio Pardo para o nordeste. Começava pois na fazenda Dona Carlota do inglês William Le- wis. Logo após esta fazenda onde começava o mato, situava-se o Faxinai Faria, provavelmente um lugar apropriado pura a instalação de um lugarejo, pois o Governo Provincial ordenou a compra e demarcação do Faxinai para instalar uma vila. Na mesma ocasião, foi destinado pelo mesmo Governo Provincial a quantia de 16. 0008000 para a construção de uma igreja católica.

Também esda septuagéssimo lote o Governo Provincial reservava para a instalação de escola e igreja.

Cada lote indicado e presenteado ao colono media 10.000 braças (2.20 metros quadrados). Fm compensação a estas vantagens, os colonos assumiam certos compromissos, cujos detalhes de acordo com a lei decre- tada pelo então Vice - Presidente da Província, Sua Excia. Luiz Alves A. Leite de Oliveira Bello, foram entregues pelo agente Kleudgen a cada imigrante, antes de sua partida de Hamburgo.

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Segue agora unia cópia da guia original do imigrante Jacó Goelzer.

j$» mt&iiúaúe ííp AjjÇdlti* do Governo Provincial de

SÀO PEDRO DO «10 (iRAXRE DO SUL

t«ík> /. ' ^'V pessoa*, <pje -f?rrtímt> em /í* - de » ss r^r- d*> lâi -T

l«d» *i«vm> ''S S y .j? •/ s / y •''< Capitão X ///V/-/' >^ ( «mi

tJ''«U«u «i ♦>.>«.<• {«titio naro. » do Jt/o Grande éo Sul, havendo-&e logiltmarfo pelos respectivos Doeu- oiootos do seo Govonu. tinifitt pessoa* iDwrig»>r«das» forào jxir uiim admittidas como Colonos a Colosw •la manta Crus

Em ».»6V< -:<• Cov<>rut. Provincial «; por ordem tfo Ex~- S»r. V{CE*P8ES©EMTg da referiria l»ro- MiH ia do Jfft* iJrhmh' do Hut% <v<ta Gum »s&t.*gttr» aos snimmo-ueionaáos Colonos, e lie?» concede na s»a ••-liegad» ;tt> itt4> tirftttdr ted;í> as vaiifnget^ favores e soppriEneutns, achâ© determinados jwilo Lei -

Pn.viiK.wi \< '»M Av .4 di? IVy.éH.yp» do «t.Si pina o< Colonos sumidos' de Gatas imana*. - '

Aiiín Ac t\w <<*. Gotoso* s»j'>r,t*«o««"ifl*iados se «ebeui inteirados ouites são o.*- firvores que. tem direito de rxivir do Gov<mu- rf<. J|#o tirande do Mut. assim como quaes os deveres, o -que siu> njbri- .gailo*. tbtrs toi e»tp>gne «w «;.wt«|*tãr. impres^. rm íiiigOa Alieni.}», iío Hecreto do VIOE-fRESlMSÍTE da Provim-ia, 0 Ev> Síir \} ■«. tã,uis Alrris Iseitr de Ofiveíro Helto. em date de S do Dewmbro de 1831 ... v// -' ,, ' . . , " .. í|

Hamburgo, «o* x /•///v/<-"<|e'<' W->7//^'He "l*>^f ...

1851 ANO DA COLONIZAÇÃO DA LINHA TRAVESSA, PONTE RIO PARDINHO E PARTE DA LINHA SETE DE SETEMBRO

Em dezembro de 1851, são distribuídos os primeiros lotes <la nova picada, a sabei-, os de números 9 (ou 8 ?) até 22. Alguns, segundo parece indicar a leitura das tabelas que seguem, foram entregues aos seus proprietários uni ano mais tarde, o que porém não se pode aceitar sem restrições, porquanto não é crivei que lotes destinados aos colonos tenham fieado desocupados por um ano. Uma informação que obtivemos com rela- ção a esse assunto nos foi transmitida pessoalmente em fonte digna de cré- dito. Trata-se do caso da colónia n.° 10, inicialmente ocupado por um ci- dadão chamado Cruny, que mais tarde pereceu sem deixai- filhos ou mu- lher, e doado a Fritz Niedersberg, em data de 10 de dezembro de 1852. Talvez o mesmo tenha ocorrido com uma e outra colónia mais, justifican- do-se assim a informação contida nas tabelas em referência.

O fato de não terem sido distribuídas as colónias de n.° 1 a 8 (ou 77) certamente terá a sua explicação na suposição de que se tratasse de ama área pantanosa (baixada nas imediações da atual ponte) e sujeita a inundações, consequentemente imprópria para a agricultura. Somente um ano mais tarde (1852) as terras em apreço foram vendidas. Pelos nomes .ics seus primeiros proprietários Lucas Antônio Espindola, Francisco Gonçalves da Rosa e Leite Maciel poderíamos avançai- a hipótese de que os mesmos talvez quisessem tentar a criação de gado naquela área.

1852 COLONIZAÇÃO DE RIO PARDINHO

Xo ano de 1851, Pedro Kleudgen havia iniciado na Alemanha intensa campanha de propaganda para angariar imigrantes para a Colónia de Santa Cruz Picada Velha e Picada Nova. Kleudgen chegou até a aditar em Hamburgo um jornal para tal finalidade. Embora não tivesse logrado atrair para a nova colónia o número de imigrantes estipulado em seu contrato com o governo provincial daquela época, todavia podemos constatar a sua bem sucedida atividade através do afluxo exepcional de imigrantes no correr do ano de 1952. De 4 navios que naquele ano trans- portaram imigrantes para cá, temos os nomes e outros detalhes, a saber: o "Fortuna", o "Marianne", que trouxe o maior contingente imigratório, o "Hermine" e o "Sauser", que transportou da costa inglesa até o Rio Grande uma leva de náufragos. Embora este último navio tenha chegado em 1853 apenas, todavia o incluiremos entre os tranportes marítimos que deixaram a Alemanha em 1852, levando emigrantes angariados por Kleudgen.

O veleiro "Fortuna" alcançou o porto do Rio Grande em junho, segundo uma informação, e, segundo outra, apenas em outubro, o que de fato parece corresponder melhor à realidade, uma vez que as colónias

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foram distribuídas em novembro aos que haviam chegado pelo navio em questão. Confirma também esta notícia o finado professor Christiano Smidt, em cujos escritos, na parte correspondente ao cinquentenário da colonização de Rio Pardinho (1902), encontramos um tópico em que como certa a presença dos colonos em Rio Pardinho em novembro de 1852. O fato de frisar aquele saudoso mestre esta particularidade cronoló- gica demonstra que então 1902 não havia uma unidade de vistas sôbre esse ponto. O professor Smidt menciona em seu trabalho diversos nomes que agora, com auxílio de nossa tabela de imigração, poderíamos completar da seguinte maneira: Germano Hentschke, Renno Quoos, Heinrich Strohm, Friedrich Strohm e Richard Weber.

Pouco depois que haviam sido distribuídas aos mesmos as suas respectivas colónias, chegou o maior grupo imigratório que teve o papel mais saliente no povoamento de Rio Pardinho e que durante quatro lon- gas semanas esperou a distribuição e loteamento de suas terras.

Graças aos subsídios de que dispomos, encontramo-nos em condi- ções de abandonar no relato da história dos próximos grupos a aridez que caracterizou o nosso trabalho até aqui e entremear a história simples com detalhes interessantes e pitorescos que amenizam uma narrativa dessa natureza.

O maior grupo de imigrantes, angariado por Kleudgen e que se destinara a Nova Picada Linha Rio Pardinho compunha-se de 60 colonos, embarcados em 29 de julho de 1852 em Hamburgo, no veleiro 'Mariana", comandado pelo Cap. Renjes e que chegara em 6 de novembro dc mesmo ano no porto de Rio Grande.

Aqui baldearam para o vapor do Governo "Comércio" o qual chegou em Porto Alegre a 9 de novembro.

O jornal portoalegrense "Der Kolonist", editado primeiramente em lingua português e alemão, noticiaram no ano de 1852 a vinda destes imigrantes, como segue:

i* "Terça feira à noite (9-11), chegaram pelo vapor "Comércio",

vindo de Rio Grande, 60 imigrantes. Haviam embarcado no veleiro 'Mariana" (Alemanha), e fizeram o trajeto em 100 dias. Apesar da longa b penosa viagem, não se constatou qualquer acidente, e o estado de saúde de todos nada deixa de desejar. A maior parte deles descendem das pro- víncias alemãs da Pomerânia e Turingia encaminhados para o Rrasil pelo sr. Pedro Kleudgen. Daqui seguiram no dia 12 a Rio Pardo e de à colónia de Santa Cruz. Aproveita-se a ocasião para salientar e agradecer as pessoas encarregadas de recepção em Porto Alegre autorizados por Kleudgen, principalmente ao sr. Heinssen, que não pouparam esforços para acolher os imigrantes, servindo-os com farta mesa de comestíveis, após tão longa travessia. "

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Chegados em Rio Pardo em 13 de novembro, foram com curta demora, carregadas as suas bagagens em carretas de duas rodas. Segundo o livro de Paulo Gressler, escrevendo sòbre os velhos Gressler seguiram 12 carretas, com 96 bois a puxar. Dois dias havia demorado o trajeto pelo campo até que a caravana chegara ao Arroio Grande (Fruehstuecksbach) . Quatro semanas ficaram aqui acampados, (pie não haviam sido termina- das as demarcações das colónias a eles designadas. Felizmente Kleudgen tomara todas as providências para agasalhá-los condignamente e de acordo com o conforto da época. Xesta espera, de mais ou menos de quatro semanas, os imigrantes tiveram tempo suficiente para se fazerem conhecedores do ambiente novo que os cercara. Também tomaram contato com os patrícios chegados anteriormente, recebendo deles diretrizes valiosas para a nova vida (pie se iniciara.

Mas como lhes deve ter parecido interminável essa espera! Haviam eles superado os sacrifícios de uma longa viagem marítima, haviam deixado para longe a traz de si a terra natal e seu único objetivo constituía agora construir um lar e em -aizar-se na nova pátria. Habitua- dos ao trabalho, estavam esses bravos aí. inativos, embora soubessem quanto trabalho os esperava. Mas nào foram essas quatro semanas que os imigrantes perderam, pois entrementes passou-se a época própria do plantio, obrigando-os a uma espera paciente, embora interiormente os consumisse o desejo de possuir as suas propriedades e iniciar o seu trabalho fecundo. Mais facilmente do que as mulheres devem ter se conformado com essa situação os homens que passavam o dia pescando e caçando com a máxima liberdade, cousa que na Alemanha conhe- ciam os grandes proprietários. Aliás, nisso devem os primeiros imigrantes ter tomado o seu primeiro contato com a ampla liberdade que aqui desfrutariam. Mas também essas semanas passaram e pouco antes do Xatal cada qual ocupou a fiação de terras que lhe cabia. Por mais duro que lhes parecesse, todavia viram-se forçados a festejar o seu primeiro Xatal em choupanas de folhagem.

Xo dia 21 de novembro de 1852 haviam eles chegado à Colónia de Santa Cruz, á casa que Kleudgen em seu contrato qualifica de "casa de recepção".

O DIA 21 DE NOVEMBRO É, PORTANTO, 0 DIA EM QUE INICIAMOS AS NOSSAS FESTIVIDADES COMEMORATIVAS, A DATA EM QUE HOMENAGEAREMOS A TODOS QUE CHEGARAM AXTES OU DEPOIS E LANÇARAM A PEDRA FUNDAMENTAL DO QUE HOJE CONHECEMOS COMO RIO PARDINHO

Em fins de 1852, chegou mais um navio que transportou imigrantes. Tratava-se do "Hermine" que entre outros trouxe Jacob

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Goelzer, tronco de uma numerosa família. Em poder da família Goelzer encontramos uma carta do próprio Kleudgen, a qual reproduzimos a seguir.

"Hamburgo, 5 de agosto de 1852.

Somente hoje chegou-me às mãos a sua carta de 30 de julho. Dou assim em meu poder os 190 escudos (Rheinische Thaler) como fiança para 19 pessoas. As passagens seguem inclusas para: 1.° Jacob Goelzer, com 6 pessoas adultas e 3 crianças; 2.° Jacob Brust com 4 adultos e 1 criança; 3.° Elisabeth Faller, com 2 adultos e 1 criança; 4.° Anna Hoffmann e 1 adulto; 5.° Nicolaus Just, com 1 adulto; 6.° Michael Haar, com 1 adulto; 7.° Philip Ihmig e 1 adulto. Total: 15 adultos e 4 menores. Se tivesse conseguido desembaraçar-se 8 dias antes, a estas horas estaria com o navio "Mariana" em alto mar. Retive a viagem do navio até 28 de julho; maior delonga não foi possível. Antes, pois, de 27 ou 28 de agosto não conseguirá outra expedição, por mais que lhe deseje ser agradável, pois sei de própria experiência que, quando as malas estão prontas, existe o desejo impaciente de seguir o quanto antes, etc. Aconselhando ainda não carregar peso demais, entre outras considerações sem importância para o caso presente, termino assinando Peter Kleudgen".

A viagem desta nova leva de colonos, descreve-a o jornal "Der Kolonist" e nós a transcrevemos pelas circunstâncias interessantes de que se fez acompanhar.

"Na noite de 19 de dezembro, aqui ancorou o vapor "Comércio", vindo da cidade do Rio Grande, trazendo 52 colonos chegados poucos dias aquela cidade. Encaminhados por Peter Kleudgen, zarparam de Hamburgo em setembro com o navio "Hermine", comandado pelo Capitão Cornélius. A viagem decorreu acidentada, com vendavais e tempestades, atrazando grandemente o curso do navio. Entretanto, todos os passageiros encontravam-se bem dispostos e com boa saúde, para o que contribuiu a excelente cozinha e o tratamento em geral.

Os recém chegados procedem em sua maioria de Renânia e do Mosela, tendo seguido pelo vapor a Rio Pardo, com baldeação para a Colónia de Santa Cruz. Acreditamos que tenham sido tomadas as medidas para que, de acôrdo com as condições vigentes, possam rece- ber os lotes coloniais a eles destinados, sem maiores delongas. Que não se repita o caso da última leva, da qual alguns se viram forçados a pernoitar na mata virgem e ali mesmo armar barracas e agasalhos, por falta de medição ou qualquer providência para o alojamento, contraria- mente ao que havíamos lido no relatório do diretor da colónia, sr. Buff,

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relatório esse feito ao govêrno provincial, no qual se afirmava o contrário (picadas abertas, colónias loteadas e demarcadas, etc.) Não compreendemos como possam ter surgido tais disparates. Agora, com a presença do engenheiro civil, sr. Normann, cremos que tudo seja resolvido."

Ainda no ano de 1852, içou as suas velas o navio "Luise Emilie" para transportar imigrantes para o Brasil, destinados à colónia de Santa Cruz. A nave zarparia ainda antes do fim do ano do porto de Hamburgo, portanto estava a vencer-se o prazo do contrato firmado por Kleud- gen com o Governo da Província. Seria esta a última viagem do veleiro "Luise Emilie", pois o seu naufrágio sobreveio junto à costa inglesa, achando-se a bordo 55 pessoas adultas e 17 crianças, num total de 72 passageiros, dos quais 35 se salvaram e 37 pereceram.

Ao nos referir a esse sinistro, aproveitamos as "memórias" do sr. Luiz Panke, cujo pai e avó escaparam da morte naquele trágico naufrágio, e uma notícia estampada em 1853 no acima citado jornal "Der Kolonist".

"Prolongada foi a luta que o navio teve que sustentar contra as violentos temporais do Mar do Norte, tanto assim que os passageiros aos poucos se habituaram a permanecer sob a coberta do navio, no que não foram obstados nem pelo comandante, nem pela tripulação, mesmo depois que se tornara quase imposivel manter o navio no Canal, afas- tado da costa. Certo dia, pouco antes de amanhecer, quando não existia a possibilidade de evitar o sossôbro do navio, os passageiros deixaram os seus leitos para constatar que a embarcação havia sido jogada de encontro ao litoral, A terra estava a pouca distância e com a maré yasante a carcassa do navio ficou praticamente no sêco, sem que todavia se tornasse possível aos náufragos alcançar a terra firme. Os moradores da praia imediatamente se prontificaram a facilitar o salvamento. Inicialmente, as ondas não se sucediam com tamanha violência, do que se aproveitaram alguns rapazes mais guapos, saltando do navio e correndo em direção à terra firme. O feliz êxito dos três primeiros, não o tiveram os demais, Embora a água não lhes passasse da altura do joelho, todavia o repuxo das ondas os arrastou para o fundo do mar. Um longo cabo, com um arco na sua extremidade, lhes permi- tiu entrar em contato com os que se achavam sãos e salvos na praia. L. Panke escreve que seu pai, como menino de 10 anos que então tinha, foi amarrado com mais dois outros em forma de feixe e arrastado com o arco para fora do mar. Da maneira como atingiu a praia não se recorda, mas sabe que, quando veio a si, estava em terra firme.

Entrementes, a tempestade redobrava de fúria e as ondas se tornavam mais rápidas. As pessoas salvas não se entendiam com os

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náufragos a bordo. E para cúmulo da desdita, rompeu-se ainda o arco de salvamento, restando apenas o pedaço que ficara e o cabo para segurar-se. Alcançaram a terra firme por este meio o avò, o pai e o tio de L. Panke, nosso narrador; porém, sua avó pereceu.

A senhora Irene Jahn Froemming conta que seu avò, então uma criança de poucos meses, somente se salvou graças a uma iniciativa de sua mãe, que o amarrou sòbre as costas do pai. Também a esposa de Carlos Waechter pereceu nessa tragédia que a tantos vitimou.

Os ingleses mostraram-se muito generosos para com os náu- fragos. Logo que um deles atingia a terra firme e recobrava os sentidos, tratavam de arranjar-lhe roupa sêca.

O mar entrementes se enfurecia cada vez mais, até que em certo momento uma onda gigantesca atingiu em cheio o navio, desman- telando-o completamente. E quando a onda desapareceu, nada mais se via do navio. 0 valoroso capitão, ao qual não se regatearam elogios, e 5 homens da tripulação perderam a vida neste doloroso acontecimento.

Passada a catástrofe, notou-se falta de muitos daqueles que haviam embarcado em Hamburgo. Tendo o naufrágio se verificado nas imedia- ções da localidade de Duncherness, os míseros sobreviventes, que nada haviam conseguido salvar dos seus bens, ficaram entregues à tradicional hospitalidade inglesa, até que Pedro Kleudgen recebeu a triste notícia e se apressou em fretar um novo navio. Uma subscrição popular em Duncherness em favor dos sinistrados veio mostrar em toda a sua plenitude a magnanimidade e os sentimentos de solidariedade humana dos britânicos, a ponto tal que no seu embarque os colonos receberam ainda cada qual 10 libras esterlinas em dinheiro, além de peças do vestuário e víveres recebidos anteriormente. Através de uma subscrição promovida por Kleudgen em Hamburgo tocaram a cada qual mais duas libras.

O trajeto do Canal da Mancha até o porto do Rio Grande foi coberto pelo navio "Sauser" uma viagem normal de apenas 47 dias. A chegada dos sobreviventes do "Luise Emilie" a Porto Alegre verificou- 'se assim no dia 23 de março de 1853. no dia õ de abril lhes foram destinados os lotes coloniais de Rio Pardinho.

Com o ano de 1853 encerrou-se a primeira etapa não apenas da colonização de Rio Pardinho, mas ao mesmo tempo da Colónia de Santa Cruz. Em 1854 uma nova lei começou a reger a colonização, sendo seu idealizador o presidente Sinimbu. Na vigência dessa nova lei a colónia ganhou maior expansão, enquanto se processava o povoamento da parte de Sinimbu, que tomou o nome do então chefe do governo provincial.

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Alguns ex-eombatentes receberam colónias na Entrada Rio Pardinho em 1855. No ano de 1850, os mesmos haviam sido recrutados em Hanover (Alemanha) para o Exército Imperial e receberam dispensa do serviço militar em 1853. Eram conhecidos pela designação popular de "Brummer."

Damos ainda em resumo o teor de alguns artigos da lei de colo- nização de 30 de novembro de 1854, conforme lemos no livro do Capitão J. Hoermeyer, editado em 1857 e dedicado a "Sua Majestade Dom Pedro II, Imperador do Brasil".

Artigo 1.° A colonização da Província baseia-se na venda das

terras.

Artigo 2.° O Presidente da Província aplicará as verbas anuais votadas pela Assembleia Provincial na compra de terras apropria- das ao cultivo, dividindo-as em lotes de 100.000 braças quadradas, que serão oferecidas à venda para os colonos, devendo o preço mínimo ser de 300$ rs. o lote.

Artigo 3.° O Presidente da Província reservará na medição e demarcação das terras as áreas necessárias para estradas, portos, igrejas, cemitérios e outros fins públicos de reconhecida necessidade.

Artigo |.° A venda dos lotes coloniais pode ser efetuada com o prazo de 5 anos, sendo que os colonos depois estarão sujeitos ao paga- mento de l/í (porcentagem habitual da província) ao mês, estabelecendo-se que não somente o total da venda mas também as demais importâncias adiantadas fiquem hipotecadas até o pagamento integral.

O artigo 5.° refere-se à autorização do Presidente de adiantar até 50J rs. para custeio das despesas de viagem que depois devem ser reembolsadas dentro da modalidade do artigo 4.°. No artigo b\° é asse- gurada aos colonos a ajuda governamental no seu transporte até o local de sua futura residência, não havendo obrigação de restituição das somas gastas para tal fim.

Para terminar este capítulo veremos ainda num relance de olhos as vantagens e regalias que se proporcionavam aos imigrantes europeus em todo o Brasil.

Antes de tudo, o imigrante, naturalizado ou não, era isento do serviço militar. Depois de dois anos de permanência no país, o imigrante tinha a máxima facilidade para naturalizar-se, bastando que depois do referido período legal expusesse o desejo de sua naturalização à Câmara Municipal.

Uma vez naturalizado, o imigrante gozava de todos os direitos civis, com excepção do direito de voto para a deputação. Embora isentado do serviço militar, era obrigado todavia a prestar seus serviços à Guarda Nacional dentro da circunscrição de seu município.

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A tabela que segue é a mais valiosa documentação da imigração em Rio Pardinho. A tabela foi composta sem preocupação de minúcias, baseada nas anotações do ex-diretor da Colónia de Santa Cruz, Carlos Trein Filho, dos anos subsequentes de 1870.

Na primeira rubrica, encontra-se o número da colónia, se- guindo-se o nome do proprietário, a partir do ano de 1870. Abaixo, entre parêntesis, vão as anotações correspondentes ao proprietário men- cionado acima, bem como dos proprietários anteriores. O último ano corresponde à data da tomada de posse da terra. Na terceira consta a província ou terra natal do mesmo, bem como ainda o ano de imigração e o navio que o conduziu à nova terra.

Estas anotações estão atualmente em poder da família Bartholomay, à qual agradecemos penhorados a boa vontade com que correspondeu aos apelos da comissão organizadora desta publicação, franqueando-nos os referidos documentos, os quais reputamos de grande importância e indiscutível valor histórico.

Tabela cie imigração

No. da Colónia

N O M fi

(Anotações. propr. anterior.)

País de Origem

NAVIO

1

2 A 2B

3

4 A

4 B

5

Wendorf Guilherme Pom. (*)

(Lucas Antônio Espindola

1852; Alberto Kutscher). Waechter Henrique Carlos . Saxônia Thezing Germano Westfâlia

(Católico. Henrique Carlos

Waechter; Wilhelm Militz). Alexander Carlos Pom.

(Francisco Gonçalves da Rosa

1852).

Reich Gustavo Pom.

(Jorge Haas 1852 Augusto Gentz).

Nyland Gerh. Christiano . . Hollandês

(Jorge Haas 1852; Augusto

Gentz 1865). Parnow Gottlieb Pom.

1852

1853 Sauser 1862 Constância

1858 Sophia

1876 Jorge

1865 M. Carolina

1852 Marianne

O Pom.

Pomerânia

31

6 A Bender Frederico Rheno

(Leite Maciel 1852 Henrique Schuetz).

6 B Werner Gottlieb Pom.

(Leite Maciel 1852 Henrique Schuetz).

7 Immig Adão Rheno

(Católico. Rudolfo Neumann 1852; filhos tíe Parnow; Guilherme Kienast; Frede- rico Schultz; Roberto Fick, 1852 com Marianne).

Immig Adão Rheno

(Parnow Irmãos).

Fick Roberto Pom.

(Rudolfo Neumann 1852; Germano Parnow e irmãos».

Gressler Guenther Saxônia

(Chegou ã colónia Dez 1852). Schaffer João Henrique . . . Hanover Schaffer João Henrique . . . (Herdeiros de Fr Jandrey 20 12 1851 ). Niedersberg Frederico .... Poin. (Distribuídos a Fr. Nieders- berg 10 12 1852).

Jandrey João Pom.

Jandrey João Pom.

(Distribuídos 20 12 1851). Silberschlag Henrique .... Saxônia

(Distribuidos (> 12 1851). Herdeiros de Miguel Schmidt Herdeiros de Miguel Schmidt (Miguel Schmidt 20 - 12 - 1851). Knudsen Maria Viuva .... Mecklenb.

Knudsen Frederico Brasil

(Distribuidos 20 12 1851 João Knudsen).

Rieck Fernando Pom.

(Distribuidos 20 12 1851 Miguel Trarbach; Fernando Rieck e outra parte a Carlos Rieck; Germano Lenz; Augusto Ebert).

15 A Ebert Augusto Pom.

16 A Waechter João Henr. Carlos Saxônia

(Christiano Jandrey 20 12 1851).

16 B Jandrey João Pom.

(Christiano Jandrey 1851).

7A-

7 B

8

9 9 A

10

11

11 A

12

13

13 A

14 A 14 B

15

187)7 Aurora

187)9 Wilhelmine

1(S()7) Hermann

1852 Marianne

187)2 Marianne 1869

187)1

187)1 1851

1850 Fleming (Santa Cruz 1851)

1850

(Santa Cruz 1851)

1852

1852 Sophia (Santa Cruz 1856)

1853 Sauser

1851

32

16 C Wendorf Guilherme Pom.

17 Nienemann Gottlieb Pom.

(Distribuídos 20 12 1851).

17 A Rieck Fernando

(Gottlieb Nienemann 20 12 1851).

18 Schneider Guilherme

(Distribuídos 20 12 1851).

19 A Kath Gustavo

(Guilherme Mosmann 1852).

19 B Kath Roberto

(Guilherme Mosmann 1852).

20 Kannenberg Carlos

(Chegou em P. Alegre 1850). (Distribuído 20 12 1851).

21 —Kath Fernando

(Theodoro Schnapp 30 12 —1852).

(Christiano Schuck).

22 A Neumann Luiz

(Distribuídos 1 12 1851). 22 B Kannenberg Carlos

(Luiz Neumann). 22 C Neumann Luiz

(Distribuídos 1 12 1851).

22 D Bender Sen Daniel

23 Lenz João

(Distribuído 1 1 1853 a Carlos Brust).

24 Goelzer Pedro Rheno

26 A Goelzer Pedro

(Mathias Feiber distribuído 1 1 1853 a Goelzer e Ma- thias Feiber).

25 Seidel João Henrique .... Saxònia

(Fortuno chegou 25 6 1852) .

(J. H. Seidel chegou na coló- nia de Santa Cruz 15 10 1852).

26 B Reiter Guilherme Rheno

(Mathias Feiber 1852).

26 C Render Jun. Daniel Brasil

(1862).

27 Strohm Henrique Saxònia

(Distribuído 10 11 1852).

28 Goelzer Peter e filhos Brasil

28 A Bender Jorge Brasil

(Pai: Christiano Bender).

1853 Marianne 1851 Helena

Pom.

1852

1851

X IClCllu

Pom.

1857

Augusta

Pom.

1857

Augusta

Pom.

1851

Helena

Pom.

1857

Augusta

Pom.

1851

Vénus

Pom.

1851

Helena

Pom.

1851

Yenus

Rheno Pom.

1859

Sophia

1852 Hermine

L852 Fortuna

1862 Willy

1852 Fortuna 1852

33

29 Barth Guilherme

(Carlos Brust 10 12 1852).

30 Geneher Carlos

(Ferreiro! João Nicolau Stric- ker, Santa Cruz 180(1). (Christiano Immig).

30 A Bender Christiano

(Pae: Georg Bender).

31 A Grawunder Carlos

31 B Urban Otto

(Carlos Grawunder 1853).

32 Meinhard Peter

(Cristian Stumm 1852).

33 A Petry Sen. Peter

(Konrad Frantz 1853).

33 B Petry Filho Peter

(Konrad Frantz 1853).

34 Christmann Adolfo

(Frederico J. Stumm 1853).

35 A Schulz Carlos

(Benno Quoos 10 11 - 1852).

35 B Kirchhoff Carlos

(Benno Quoos 1852).

36 Herbets Miguel

(Carlos Prindenich 1852).

38 A Herberts Miguel

37 Henschke Germano

39 A Poli Roberto

(Sapateiro! Ricardo Weber 24 —11 1852).

39 B Fengler José

(Distribuído 24 11 1852 a Ricardo Weber. Petreiro).

39 C Poli Carlos

(Ricardo Weber).

Schmidt Anna Mar. Vva

Schmidt Anna Mar. Vva

(10 - 11 - 1852 Peter Schmidt e Carlos Brindenich).

40 38 B

Rheno Silésia

Brasil

Pom. Silésia

Hesscn

Rheno

Rheno

Rheno

Sa nia

Pom.

Rheno

Rheno Silésia Pom.

Silésia Prússia

18,57 Fridr. Luise 1855 Helena

1852 Souza 1854 Formosa

1856

(Santa Cruz 1860) 1859 Malvine

1859 Malvine

1852 Marianne 1808 Wilhelmine 1852 Fortuna

1852 Fortuna 1872 Electric

1870 Saale

1871 Electric

Herdeiros de P. Schmidt

41

Gressler Rudolf

Saxònia

1852

Marianne

42 A

Sins Friedrich

. Birkenf.

1861

Nicolau

(Christian Schuck 1854).

42 B

Roos Lorenz . .

. Rheno

1874

Freiheit

(Christian Schuck 1854).

43 A

Pom.

1852

Marianne

(Henrique Fich 1852)

43 B

Vich Henriqueta Vva

Pom.

1852

Marianne

(Henrique Fich 1852). 44 Herdeiros de João Fritsch . .

(Distribuído 10 - 11 - 1852 a João Fritsch).

34

45 Berger Carlos Saxônia 1852 Marianne

(Pae: Gottlieb Berger 1852).

46 Herdeiros de Carlos Mylius . .

(Carlos Mylius 1854).

47 Gressler Albert Schwarzb. 1852 Marianne

Rudolfst.

48 —Rieck Wilhelm Pom. 1852 Hermine

49 Jahn João Pom. 1853 Sauser

Este prazo foi reservado para nele ser edificado templo e igreja escola; Foi vendido por Germano Henschke, como represen- tante da Comunidade Evangélica de Rio Pardinho, a João Jahn,

atual proprietário conforme certidão n ° no oficio n.°

2.640 de 18 de novembro de 1875.

50 A Lau Carlos Pom. 1856

(Julius Lau 1856).

50 B Henschke Ernesto Brasil

(Julius Lau 1857). 50 C - Lau Júlio Pom. 1856

50 D Jahn João Pom. 1853 Sauser

(Julius Lau 1850).

51 Lau Sen. Frederico Pom. 1852 Marianne

52 A A Comunidade Evangélica da Linha Rio Pardinho tem uso fruto

deste terreno o qual porém pertence a Província conforme foi determinado por ofício n.° 2.640 de 18 de novembro de 1875. A mesma comunidade deve levantar neste terreno uma casa des- tinada para escola que igualmente ficará propriedade da Pro- víncia. — Este prazo foi destribuido em 20 de novembro 1854 ao colono Christovão Pitteíkow em virtude de um contrato ce- lebrado por Pedro Kleudgen. O n.° 52 A estava unido com os n.° 52 B e 52 C, foi transferido a Guilherme Pitteíkow; este vendeu o terreno 52 A a comunidade Evangélica da Linha Rio Pardinho em 5 de fevereiro de 1876 como consta da escritura pú- blica às folhas 33 do livro 9 de notas. 52 B Comunidade Protestante da Linha Rio Pardinho

(Christow Pitteíkow 1854 e este a transferiu a Guilherme Pitteíkow).

52 C Pitteíkow Guilherme Pom. 1854 Nancy

(Christiano Pitteíkow, Car- los Waechter).

53 Jahn João Pom. 1853 Sauser

54 Rieck Carlos Pom. 1852 Hermine

(Frederico Schultz 1853. Es- te se retirou para Alemanha).

55 Zuther Ricardo Pom. 1852 Marianne

56 A Schultz Augusto Pom. 1855

(Carlos Schultz este retirou-se para a Alemanha; este lote pertence hoje ao filho A. Schultz).

56 B Franke Berthold Brasil

(Carlos Schultz 1852, Adol- fo Franke).

35

57 A Lau Filho Frederico Pom.

57 B Riek Francisco

(Adolfo Putsch 1853; Karl Lau; Nicolau Metzger).

58 Barth Carlos Rheno

(Friedrich Franke 24 11 1852; Gottlieb Wener).

59 A Ratke Sen. Guilherme Pom.

(Carlos Henr. Merten 24 11 1852).

59 B Ratke Filho Carlos Pom.

(Carlos Henrique Merten 1852; Guilherme Ratke Sen.).

60 Knak Alberto Pom.

(Carlos Laul 24 - 11 - 1852).

61 Glitzenhirn Carlos Rheno

62 Lau Carlos Pom.

(Ferdinand Wistinghausen Sen. 1 12 1852; Francis- co Keller).

63 Spode Guilherme Pom.

(Pae: Carlos Spode 1 - 12 - 1852).

64 A Spode Augusto Pom.

(Theodor Rotmund 1854; Al- bert Neitzke).

64 B Spode Guilherme Pom.

(Theodor Rotmund 1854; Albert Neitzke».

64 C Kruger Fernando Pom.

(Theodor Rotmund 1854; Al- bert Neitzke).

65 A Keller Francisco Pom

(Miguel Kirst 1853, abando- nado por este 1863 e vendido a Francisco Keller).

65 B Bonemann Frederico Pom.

(Miguel Kirst 1853 vendido a Francisco Keller 1863, aban- donado por este 1875 e vendi- do a Francisco Boenemann).

66 A Spode Augusto Pom.

(1 —12 1852 Augusto Spo- de, Moering, vendido a Au- gusto Spode em 1856).

66 B Bugs Guilherme Pom.

(Augusto Spode 1 - 12 - 1852; a Guilherme Bugs 1868).

67 A Waechter Jacob Rheno

(Carlos Volkart 1853; Peter Waechter 1857).

1852 Marianne

1854 Hein. Luise

1858 Schwalbe

1858 Schwalbe

1859 Wilhelmine

1856 Lúcia 1852 Marianne

1852 Hermine

1852 Wilhelmine

1872 Saale

1863 Paqu. Hamb.

1859 Wilhelmine

1852 Hermine

1860 Vesta 1857 Aurora

36

67 B Waechter Frederico Brasil

(Carlos Volkart 1853; Peter Waechter 1857).

67 C Waechter Pedro Bheno

(Carlos Volkart 1853; Pedro Waechter Sen.).

68 Panke Albert Prússia

(Chegou no navio naufrago João Miguel Panke Sen. 5 - 4 - 1853. Herdado por Alberto Panke 1853).

69 A Rusch Gottfried Pom.

(Marinheiro. Chegou de Ham- burgo no navio Neptuno em

1852 para Dona Travessia, de em 1853 para Porto Alegre; de Porto Alegre para Santa Cruz 1853. Gottofredo Rusch

1853 a Carlos Gottofredo Rusch).

69 B Riek Daniel Gottlieb Pom.

(Carlos Gottofredo Rusch 1853; Daniel Riek 1865).

70 Otto Gottlieb Pom.

(Frederico Greiner 1 - 9 - 1852; Otto Gottlieb 1869).

71 A Vitalis Frederico Pom.

(Gotthelf Gottfried Borchard 1 - 9 - 1853; Frederico Vita- lis 1868).

71 B Becker Antônio Rheno

(Goothelf Borchardt 1853; Antônio Becker 1868).

72 A Bõnemann Germano Pom.

(Carlos Kopenhagen 1853; Borchardt; Frederico Boene- mann 1865; Guilherme Bugs 1876; Germano Boenemann 1876).

72 B Fredrich Germano Pom.

(Porto Alegre 1858 a São Leo- poldo; Santa Cruz 1865; Rot- mund; Georg Kottwitz; Ger- mano Fredrich 1866).

73 A Oldenburg Carlos Pom.

(Frederico Iser 1856; Krue ger 1867; Carlos Oldenburg 1868).

73 B Becker Antônio Prússia

(Católico Frederico Iser 1856; Antônio Becker 1862).

1853 Aurora 1853

1853 Neptun

1865 Koha?

1859 Wilhelmine

1868 Isabella

1861 Carlos Roque

1859 Wilhelmine

1858 Aug.-Emma

1859

1861 Carl. Roque

37

74 A 74 B

74 C

74

75 A 75 B

75 C

76

Pom.

1866

Helius

Prússia

1856

Augusta

Pom.

1861

Carl. Roque

Prússia

1856

Augusta

Pom.

1856

Augusta

Pom.

1856

Augusta

(Henrique Etzhold 1855; João Kuentzer; Guilherme Schnei- der 1874).

Scherer Rudolfo

(Henrique Etzhold 18.")."); João Kuentzer; Huddolfo Scherer a Porto Alegre 2:) 1 1857, Santa Cruz 1857).

Becker Antônio

(Católico 1855).

Bressler Carlos

(Bcnno Keith 1857).

Kessler Carlos

(Benno Keith 1857).

Kessler Carlos

(Bcnno Keith 1857 transfere o lote a Germano Berger e es- te a Alexander Klein, este a Nicolau Metzler, este a Co- munidade protestante e esta ao atual proprietário, Carlos Rusch).

Comunidade da escola. Este prazo foi distribuído em 28 de de- zembro de 1857 a Benno Keith (Keidl?). Este transferiu a Her- mann Berger, este a Alexander Klein, este a Nicola US Metzger, este a Comunidade Protestante logo comunidade da escola).

76 A

Scherer Jacob Prússia

(Henrique Wegner 1856; Schccrer 1866).

Governo Provincial

(Requerido por Carlos Kess- ler 11 12 1891; Reque- rido por J Scheerer 24 3 - 1892; Carlos Molz 28 10 1891).

77 A Maeurer Jacob Prússia

(Guilherme Zibell 1858; Bar- tholomé; Eichenberg; Hen- rique Heine, Carlos Leon- hard; João Baumhardt; 1873).

77 B Timm Jacob S. Leopol.

(Guilherme Zibell 1855; Bar- tholomé; Carlos Dresen; 1876).

77 C Governo Provincial

(Carlos Molz 28 - 10 - 1891).

78 A Waechter Adão Prússia

(Frederico Rampf 1854; 1866).

1856 Augusta

1852 Th. Henriet.

1857 Aurora

38.

78 B Jaeger Guilherme Pom.

(1859 Santa Cruz Guilherme Sheerer 1857; Carlos Knod; João Heinen; João Bender).

78 C Governo Provincial

(por Carlos Molz 1891).

79 Molz Carlos Prússia

(1857).

79 A Governo Provincial

(Emílio Heinen 1891).

80 Trarbach Gottfried Prússia

(1857).

80 A Governo Provincial

(Emílio Heinen 28 - 10 1891).

81 A Waechter Francisco Prússia

(Carlos Knod 1857; 1864).

81 B Knod Carlos Prússia

(1857).

81 C Governo Provincial

(Emílio Heinen 28 - 10 - 1891).

82 A Heinen João Prússia

(Católico, Carlos Nagel 1857; Carlos Klafke; Guilherme Krammes).

82 B Herdeiros de Guil. Krammes Anna Elisabeta Viuva ....

(Carlos Nagel 1857; Carlos Klafke; Guilherme Krammes).

82 C Governo Provincial

(Emílio Heinen 1891).

83 Jaeger Carlos Pom.

(Pedro Wechsmann 1857).

Jaeger Guilherme Pom.

(Carlos Jaeger 1859).

83 A Governo Provincial

(Emílio Heinen 1891).

S I N I M B ú

IA Heinen Pedro

1 B Heinen Jacob Rheno

(Católico, José Stein 1857).

2 Ristow Augusto Pom.

(Francisco Mathias Senem 1857 Guilherme Ristow; Au- gusto Ristow. Foi pago ao Governo da Província a quan- tia de 300í?000 por Guilherme Ristow como consta do co- nhecimento da Tesouraria da Diretoria da Fazenda Provin- cial n.° 426 de 25 de abril de

1853 Anna

1856 Harrit Molly

1856 Harrit Molly

1857 Aurora 1856 Harrit Molly

1862 Hortência

1862 Hortência

1859 Anna 1859

1862 Hortência 1860 Féstia

39

1878, no qual o presente lote n.° 2 de Sinimbu tem a nume- ração n.° 85 da Linha de Rio Pardinho).

3 A Herdeiros de Carlos Heinen

(Alberto Gustavo Kutscher 1858, Pedro Jacob Heinen 1862; Carlos Heinen faleceu e a Viuva dele casou-se com Gaspar Rachow Rheno católico).

3 B Heinen Pedro Jacob Rheno 1862 Hortência

(Católico Alberto Gustavo Kutscher 1858; o lote 3 B da Linha de Sinimbu foi o lote n.° 86 B da Linha de Rio Par- dinho pela numeração antiga).

4 A Scherer Philipe Oldenburg 1856 Augusta

(Michael Scherer 1857).

4 B Scherer Augusto Oldenburg 1856 Augusta

(Michael Scherer 1857).

4C Scherer Carlos Oldenburg 1856 Augusta

(Michael Scherer 1857; o lote n.° 4 C da Linha Sinimbu foi o prazo 87 C de Rio Pardinho pela numeração antiga).

5 A Zwicker Christiano Pom. 1854 Florentina

(Santa Cruz 1858. Hugo Ale- xander Klein; Fernando Kath).

5 B Claas Adão Rheno 1857 Aurora

(Hugo Alexander Klein 1857; Fernando Kath).

6 Schwendler João Prússia 1857 Johanna

(Católico Fernado Kath 1857; 1869).

7 Claas Pedro Rheno 1857 Aurora

(João David Gemeinhard 1857; Abraham Heinrich; 1869).

8 Claas Pedro Rheno 1857 Aurora

(João Kuepper 1859; Adão Engelmann 1860; este faleceu e transf. genro Pedro Claas).

9 Herdei, de Miguel Nickenich Maria Anna Nickenich Vva.

(Católico Rheno 1857, Lanca Abrão Heinrich 1857; Barthel Kaufmann 1862; Miguel Nicke- nich 1872).

10 Engelmann Jacob Prússia 1860 Elisa

(João Kuepper 1859; Adão Engelmann faleceu).

40

11 Kuentzer Jacob Oldenburg 1853

(1857).

12 Fuelber Guilherme Rheno 1861 K. Hermann

(Carlos Lau 1859; Júlio Ei- chenberg 1871).

13 Jackisch Carlos Pom. 1855 Harrit Molly

(1857).

14 Jackisch Carlos Augusto . . . Rheno 1857 Harrit Molly

(Carlos Lau 1859; Gustavo Jackisch 1871).

TRAVESSÃO DONA JOSEFA

1 Garmatz Augusto Pom. 1869 Magnet

(Fernando Greiner 1853; Gui- lherme Schilling ;1869).

2 Ramm Augusto Pom. 1869 Franklin

(Guilherme Parnow 1852; Car- los Ristow 1871; 1872).

3 A Eickstaedt João Pom. 1869 Guttenberg

(João Brenner 1856; Guilher- me Frantz; Carlos Kirch- hoff).

3B Wendland Frederico Pom. 1872 Sal

(João Brenner 1856; Guilher- me Frantz; Carlos Kirch- hoff).

4 Strohm Frederico Saxônia

5 Strohm Frederico Saxônia 1851 Cosmopolit

(João George Rutzki (?) 1853; 1855).

6 Backes Pedro João Rheno

(Católico Pedro Bartholomeo 1857; 1872).

7 Radcke Julius Pom. 1873 Nicolaus

(Pedro Finkler 1860).

8 A Fray Pedro Rheno 1857 Elsaça

(Cat. Fernando Jost; 1857).

8 B Konzen Pedro Rheno 1857

(Cat. Fernando Jost; Fran- cisco Jost; Nicolau Emmel; 1857).

8 C Alles Miguel Rheno 1864 Anna

(Cat. distribuído 1857; Fer- nando Jost, Fernando João Jost; Nicolau Emmel).

9 Jahn Albert Pom. 1853

(1875).

10 Riese Germano Rheno 1854

ENTRADA RIO PARDINHO

30 Nagel Frederico Hanover 1850 Heinrich

li

(Veio engajado como militar e obteve a sua baixa em 1853. Distribuído 1855).

31 A Koehler Pedro Rheno

(Antônio Stetzki, ex-soldado da companhia dos pioneiros. Filippe Koehler).

31 B Nagel Frederico Hanover

(Veio engajado como militar, e obteve a sua baixa 1853. Ex- soldado Guilherme Vetter 1855).

31 C Kolberg João

(Ex-soldado Roberto Schae- fer).

32 Kipper João Pedro Rheno

(Ex-soldado Eduardo Saen- ger e Frederico Haarhans 1855; Eduardo Saenger transf. a meia da colónia a Frederico Haarhans e este em 2 de se- tembro 1801 ao atual prop).

1858 Sophia

1850 Heinrich

1871 Char Ryent

42

OS PRIMEIROS ANOS

Os primeiros anos representaram um periodo difícil para os recém chegados. Muitos, em horas amargas, devem ter exclamado: "Por que não ficamos na pátria antiga ?" Ah! se tivéssemos seguido o preceito sensato dos velhos que dizia: "Fica na tua terra e procura o teu sustento com honradez! Embora admirassem a beleza da terra e a sua extraordinária fertilidade, não havia como evitar a decepção. Como era diferente da realidade a vida que haviam sonhado! Desejavam eles uma terra de liberdade, mas uma liberdade diferente da que lhes era proporcionada. Sua independência pessoal era quase completa e cada qual vivia como senhor absoluto dentro dos limites de sua propriedade. Mas a liberdade, como cada indivíduo a sonha, não existe e não existiu também para os novos moradores desta terra. Eles tornaram-se escra- vos do trabalho. Mas o trabalho, faziam-no como homens livres, dominados pelo firme propósito de viver e progredir. As possibilidades de um retorno à velha pátria estavam definitivamente cortadas. Em grande parte, não possuíam o necessário para a viagem de regresso e não queriam por outra parte retornar à terra de nascença como náu- fragos que alimentavam grandes planos antes da jornada que haviam empreendido. Também a pátria não os readmitiria por falta de espaço vital e oportunidades para uma vida condigna.

Para muitos o trabalho na selva, em penoso, tornou-se ainda mais pesado porque não procediam sequer do meio rural, acrescendo a todos esses fatores adversos o novo clima e as novas condições de vida. O rancho de barro era a primitiva moradia. Dinheiro havia pouco. Cada qual procurava plantar o necessário para o seu sus- tento, assim como por via de regra cada qual era seu próprio pedreiro e carpinteiro, seu próprio ferreiro, marceneiro, sapateiro e curtidor. Panos e fazendas mais grossas eram tecidos com fio de linho, de própria produção. A farinha era moida a mão. Em casa, muitas vezes uma simples conchinha com gordura e pavio serviam de luz, sendo que as velas, muito caras para o uso comum, também eram produzidas pelos processos comuns conhecidos entre os imigrantes. Do oleo conse- guia-se uma luz mais clara, sendo então bastante comum o óleo de sementes de colza, uma forragem que antigamente se plantava por aqui. Hoje em dia ainda esta planta é encontrada em uma e outra roça, mas como inço. Para o mesmo fim se aproveitavam as sementes de abóbora e um certo tipo de azeitona brava.

Cada qual precisava executar ele próprio os seus serviços, em virtude da falta de dinheiro e profissionais. Os elementos que exerciam uma profissão, vindos com os navios que trouxeram os imigrantes, foram

18

às mais das vezes retidos nas colónias mais antigas de Sào Leopoldo e Rio Grande. Rodolfo Gressler, em sua carta de dezembro de 1852 ("Os velhos Gressler" pág. 119) escreveu: "Profissionais aqui são muito bem pagos. Viajava em nosso navio um seleiro e ponde logo ficar em Rio Grande".

Somente em 1857, cinco anos portanto após a primeira imigra- ção, chegaram aqui os primeiros profissionais que se dedicavam ao seu ramo, a saber, os sapateiros Michael Scherer e Christian Gottlieb Zwicker.

Um moinho e uma distilaria de óleo foi montada nos anos 1853/54 pelo filho de um proprietário de moinho da colónia de São Leopoldo, de nome Schuck. Parece tratar-se do primeiro estabelecimento do género dentro da área compreendida pela então colónia de Santa Cruz. O referido moinho estava localizado um pouco abaixo do atual moinho e engenho de serra do sr. Helmuth Genehr. Um velho moinho também funcionava na propriedade hoje ocupada pelo sr. Edmundo Koeppe. Quem o sen construtor e a época em que foi iniciado ignora-se até os nossos dias.

Todas essas iniciativas caracterizavam-se pela sua modéstia, pois apenas pelo ano de 1870 os colonos começaram a melhorar a sua situação financeira. havia recursos para a construção de espaçosas e belas vivendas que em parte existem em nossos dias. Comércio e indús- tria começaram aos poucos a desenvolver-se e a vida social por sua vez também começou lentamente a despertar na nova colónia.

oOo

Se os novos imigrantes tiveram que privar-se de muitas comodidades e usos que não dispensavam no além-mar, uma cousa entretanto não deixaram faltar em seu novo "habitat": a igreja e a escola. Nas páginas que se seguem, teremos o relato histórico das igrejas e escolas de Rio Pardinho, Ponte Rio Pardinho, Travessão Dona Josefa e Linha Travessa (Querpikade) .

44

V O R W O R T

Rio Pardinho 1852—1952

Die Not des deutschen Kleinbauers, des deutschen Handwerkers ^ie dem deutschen Menschen von Anfang seiner Geschichte im Blute und des deutschen Mittelstandes haben neben dem Drang in die Ferne, lag Ausschau halten lassen nach fernen Lándern. die Platz und Raum hatten. Neben Nordamerika, das unter den Kolonisationslándern den grõssten Zustrom der deutschen Auswanderer auffing, waren auch hier Strõmungen zur Herrschaft gelangt, die klar erkannten, dass, so wie Europa ein "Volk" ohne Raum, Brasilien ein Raum ohne Volk ist und dass, wenn Brasilien einmal in der Geschichte der Nationen eine Rolle spielen sol!, dann nur dadureh, dass dieser ungeheure Raum mit Menschen besiedelt wird, die die Schátze, die im hiesigen Boden schlum- mern durch ihrer Hánde-Arbeit heben.

Es war nicht die Kaiserin, die Frau Dom Pedro's des zweiten, welche die deutschen Einwanderer in dieses Land zu ziehen versuchte, sondem es war die Staatsnotwendigkeit, die gebieterisch nach Menschen und Arbeitskráften verlangte. Und so waren die Deutschen ein kleiner Teil dieser Imigration, die anhob im 16. Jahrhundert mit der Ankunft der Portugiesen und von da an Menschen aus aller Herren Lãnder nach Brasilien zog. Von einem winzig kleinen Teil dieser Einwanderung. die sich vor hundert Jahren vollzog, handelt diese Schrifí: VON DER DEUTSCHEN EINWANDERUNG NACH RIO PARDINHO. RIO PARDINHO wir finden diesen Namen nicht auf der brasilianischen Landkarte, nicht einmal auf der Karte Rio Grande do SuPs verzeichnet. Aber dieser kleine Ort, so unwichtig er im grcssen und ganzen sein mag, fiir uns hier ist er wichtig, weil dieses Stiick Lar. d unsere Heimat ist. Das Buch soll uns einen Einblick geben in die hunderjàhrige Geschichte dieser unserer Heimat. Wenn wir Traditionen pfíegen und nach den Griinden suchen, warum wir so sind, wie wir sind, dann in der klaren Erkenntnis und in dem Wissen, das ein wurzelloses Volk keine Zukunft hat, weil es keine Geschichte hat. Wenn wir darum Geschichte pf legen so helf en wir mit an der Gestaltung Brasiíiens, das unser aller Heimat ist. Sein Wohl ist unser Wohl, seine Zukunft unsere Zukunft.

P. Loefflad.

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Ihr habt die Heimat! Ihr habt die Scholle Drauf Eure Yàter Hàuser bauten! Ihr seid am Ort. Eure Kinder Erstmals das Licht der Weit erchauten!

Ererbt habt ihr von Euren Ahnen Der deutschen Hànde rastlos Fleiss. Er gab Euch dazu Goltes Segen. Gemiit und Herz so treu und heiss.

Bestellt die Acker, pflegt die Saaten. t bt Eurer Vorfahr'n sittlich Zucht. Bei Euch ist Ordnun^ und Yerwaltung Wie man vergebens bess're sucht.

Erhalten habt Ihr. und gefõrdert Was Euern Eltern heilis: war. Das mòg. geb's Gott. sieh so erhalten Noch viele. viele hundert Jahr!

HANS N AL ER

Hans NáUtcr

RIO PARDINHO HEUTE

Wenn man Santa Cruz in nõrdlicher Richtung verlásst, vorbei am Munizipalfriedhof, dann kommt man gleich in das Gebiet von Rio Pardinho, Entrada Rio Pardinho gcnannt, bis zum Sanatório Kaempf

der einzigen Natur- ~ ~~ ] heilanstalt dieser

Art in Brasilien. Wenn ein hoher Gast nach Santa Cruz kommt, und er mõchte gern die Kolonie kennenler- nen, rát man ihm, eine Reise durch Rio Pardinho bis nach Sinimbu zu machen, eine Fahrt durch eines der schõnsten Riotáler Rio Grande do Suls. Gleich hinter dem SANATÓRIO "VIDA NOVA" Sanatório auf dem

Berge hat man ei-

nen reizenden Blick. Sieht man zutuck auf die Sadt Santa Cruz, dann liegt sie vor uns, beherrscht von der katholischen Kirche. Schaut man zur Linken, dann sieht man ein breites Tal, das sich hinzieht bis nach

Teresa. Die evangelische und katholische Kirche kann man in der Ferne erkennen. Sieht man geradeaus, etwas links der Wegrichtung, dann iiegt vor uns das breite Riopardinho-Tal und mitten in dem breiten Tal- kessel das kleine, schõne Dorfkirchlein. Es bildet den Mittelpunkt die- ser ganzen Gegend, Ponte Rio Pardinho, so genannt nach der 1898 er- bauten Brúcke. Bevor wir zur Brúcke kommen, davor Friedhof und Schule. dahinter Geseháftshaus Wegner und die Kirche, liegt rechter Seite die Querpikade, das Stúck Land, das 1852 Kleudgen bekam, ais Bezahlung der Regierung íur seine Bemúhungen, deutsche* Kolonisten in dieses Gebiet zu bekommen. Der Weg, der gerade weiterfúhrt, be- vor wir die Biegung nach links zur Brúcke machen, ist der alte Weg nach Rio Pardinho, Sinimbu' und der Serra. Er íuhrt heute in den Fingerhut, nach den Lándereien links des Flusses. Ein gutes Stiick hinter der Brúcke tritt der Fels hart an die Strasse heran. Hier liegt die Grenze der beiden Kirchengemeinden, Ponte Rio Pardinho und Rio Pardinho, die Grenze, um die schon im Jahre 1874 zwischen den Kir-

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chengemeinden Santa Cruz und Rio Pardinho verhandelt wurde. Hier liegt auch der alte Pass. den die Fahrleute durchquerten, bevor die Brúcke gebaut war. Gegeniiber dem Fels liegt heute noch der alte Saal von Gõlzer, ganz frúher Bierbrauerei. Er ist heute noch im Resitz der Nachkommen. Wâhrend sonst die Háuser wegen Hochwassergefahr mehr am Berghang liegen, steht hier am Pelsenvorsprung ein Haus, damals ebenfalls erbaut ais Saal und Hotel. Xun kommen wir bald in (ias eingentliche Bio Pardinho. Wir fahren den Kirchberg hinauf, links das schõngeflegte Ánwesen des ehemaligen Lebres Smidt, ebenfalls links am andem Abhaug die alte Schule, der alte Friedhoí und die alte Kirche. Wir sehen hinein in das Herz Bio Pardinhos. sehen Anwesen an An wesen, sehen den Sehornstein der Cooperativa Bald sind wir in der 'Vila" Bio Pardinho. Am Ende der kleinen "Vila" zwcigt links ein Weg ab nach Travessão Dona Josefa. Hinter der Abzweigung auf dem Berge liegt der neuangelegte Friedhof. Die "Vila" wird bald vergrõs- sert durch neue Bauten auf der Kolonie Panke. Das grosse, lange "pom- mersché Gutshaus" fállt auf. Beehts, auf der andem Seite der Strasse, Ziegel- und Backsteinfabrik der Famílien Panke mit Schwiegersõhnen. Etwas weiter, auf derselben Seite die Backstein- und Ziegelbrennerei von Ewald Krause. Bald kommen wir an den zweiten, fúr Bio Pardinho historisehen Berg. den Sehulberg mit Pfarrhaus, Schule und Friedhof. Kurz vor dem Berg die Tischlerei der Gebrúder Gressler hinter dem Friedhof rechts die Tischlerei vou Wilmuth Bubolz. Ein Stiiek unterhalb des Berges das grosse Kaufhaus Heinrich Bublitz mit Saal. Etwas weiter Ziegel- und Baeksteinbrennerei, Mahl- und Sàgemiihle mit Beissehàlerei von Beinhold Molz. Hinter dem Jãgersberg wieder eine kleine Ansamm- lung von Háusern auf der "Bistow Kolonie". Franz Bistow, Agêneia Sinimbu' der Staatsloterie und Rapadurafabrik. Bechts das alte Hotel und Tanzsaal von Hermann Bistow, jetzl Armazém eines daneben er- richteten Geseháftshauses von Xorbert Bistow. Wir fahren den Berg hoeh und sehen in das sehòne, in Berge eingebettete Sinimbu, mit der gros- sen sehõnen evangelisehen Kirehe im Hintergrund. Das Gescháftshaus Hermann Bublitz bildet die Grenze von Bio Pardinho.

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Vor hundert Jahren

Sind die ersten Einwanderer hierhergekommen, Weit kamen sie iiber's Meer gefahren

Haben von Eltern, Geschwistern und Heimat Abschied genommen.

Manch' Auge fiillte sich da mit Tránen. Manch Herz wandt sich in herbem Abschiedsweh Und manches Elternherz sprach in tiefstem Gràmen: Ob ich euch, ihr Lieben, auch jemals wiederseh?

Viel Arbeit, Kummer, Krankheit und Sorgen Haben die ersten Jahre ihnen gebracht. Doch immer wieder kam ein neuer Morgen Und vertrieb die schweren Schatten der Nacht.

Gott segnete die Arbeit ihrer fieiss'gen Hánde, Gab Mut und Kraft im Kampí um's tágliche Brot. Doch es hiess arbeiten und enísagen ohn' Ende Um vorwãrts zu kommen, zu bannen bitfre Not.

Gedacht sei in dankbarer Treue der Vorfahren, Die die Wildnis bekámpft mit záher Kraft, Nicht scheuíen Not noch schlimme Gefahren.

Sie haben aus dichtem Urwald uns diese bliihende Heimat geschafft

ELLY SMIDT MEINHARDT.

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EINWANDERUNG VON RIO PARDINHO

Wir wollen unsere Gedanken zurúckwandern lassen, zurúck in jene Zeiten, da, wie die Geschichte es lehrt, unsere Vorfahren auf schwankenden Segelschiffen ihre Heimat fúr immer verliessen, um hier in unserem schònen und fruchtbaren Brasilien, eine neue Heimat fúr sich und ihre Xachkommen eu grunden.

Es lolmt sich schon einmal zuruckzuhticken und die Geschichte un- serer Vorfahren genau und aufs gewissenhaf teste zu studieren. Lehrt uns doch diese Geschichte wieder, dass Beharrlichkeit, Mut und Arbeitswille fur das Vorwártskommen eines Volkes unentbehrliche Grundlagen sind.

Die Geschichte unserer Vorfahren lehrt uns aber auch, dass auch wir auf deu vou ihnen eingeschlagenen Wegen der Arbeit und des Fort- schrittes weitermarschieren mússen, damit auch wii, so wie sie es einst taten, unsern Beitrag zuni Wohlergehen unseres, des ganzen brasilia- nischen Volkes leisten kònnen.

Unsere Vorfahren haben durch ihr Schaffen und die dadurch errunge- nen Erfolge wieder einmal bewiesen. wie wahr und richtig das alte Sprich- wort ist, das da sagt: "Wo ein Wille ist. da ist auch ein Weg". Ja, sie hatten den eisernen Willen etwas zu leisten und zu erreichen, und dieser Wille hat sie befâhigt, Wege zu schaffen auf denen nun wir. ihre Nach- kommen , leichter und bequemer marschieren kõnnen.

Eine bliihende und schõne Kolonie ist durch ihre zãhe Arbeit da er- standen. wo vor hundert Jahren kein Weg und kein Steg, sondem nur jungfrâulicher Urwald vorhanden war. Da ist eine Kolonie entstanden, *Ton der wir mit Frende und Stolz sagen kõnnen: es ist unsere Kolonie, es ist die Kolonie Rio Pardinho.

Im potugiesischen Teil verõffentlichten wir schon das verkleinerte Original einer Guia, die jeder Auswanderer in Hamburg erhielt und vo:j Peter Kleudgen unterzeichnet war. Auf der andern Seite finden wir * dieselbe Guia mit Stempel und Unterschriften in deutschcr Sprache. Auf der dritten Seite steht ein Gesetz in deutscher Sprache, in dem Rechte und Pflichten des Kolonisten festgelegt sind. Es soll im Wort- laut wiedergegeben werden.

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D E C R E T

Sr. Excellenz des Vice-Prãsidenten der Provinz São Pedro do Rio Grande do Sul, Herra Luiz Alvez Leito de Oliveiro Bello, Ritter des kaiserlichen Hauses, Ritter vom Christus-Ordem etc. etc.

Laut Art. 15 des Provinzial-Gesetzes Nr. 229, vom 4ten d. M. und kraft des unter heutigem Datum vollzogenen Contraktes mit Herrn Peter Kleudgen, welcher von der hiesigen Provinzial-Regierung ais bevoll- máchtigter Agent fúr die deutsche Auswanderung nach dieser Provinz ernannt worden, beauftrage ich denselben zu verõffentlichen, dass nach dem General-Gesetz des Kaiserreiches, und demnach insbesondere nach dem Gesetz dieser Provinz de São Pedro, die Auslánder, welche jetzt durch ihn hierherkommen, um sich ais Kolonisten niederzulassen, folgende Begúnstigungen und Freiheiten geniessen werden, wie auch, dass sie zu den folgenden Verpflichtungen verbunden sind:

1.

Ausser dem Schutze der Person und des Eigenthums, welches durch das Civil- und Criminal-Recht und durch die Behõrden garantiert ist, sichert die politische Yerfassung des Kaiserreichs allen Denen, welche sich hier niederlassen, vollige Religionsfreiheit zu. Obgleicht die rõmisch- katholische Religion Staatsreligion ist und von Xiemand missachtet wer- den darf, so kann, wenn er die õffentliche Sittlichkeit nicht verletzt, auch Niemand wegen Glaubenssachen angegriffen werden.

2.

Fúr jede 70 ausgeteilte Kolonien soll nach Beschluss und auf Be- fehl der Provinzial-Regierung eine Kolonie zurúekbehalten und auf Re- gierungskosten eine Kirche und Schule fúr den Elementar-Unterricht errichtet werden.

3.

Laut Art. 7. 8., 9., 10. des erwáhnten Gesetzes Nr. 229 vom 4ten d. M. werden jedem verheirateten, so wie dem unverheirateten Kolonisten der sich nach Ankunft in dieser Provinz verheiratet, endlich auch jeder Witwe mit Familie 100,000 Braças qtiadr. (gleich 60.000 Qua(irat-Ruthen) Land in der Kolonie Sta. Cruz oder einer andern, die spáter angelegt werden dúrfte, ais Geschenk zugeteilt, sobald sie von dem bevollmáeh- tigten Agenten der deutschen Auswanderung fúr diese Provinz die er- forderlichen Certificate besitzen.

Die Lándereien sind im Voraus schon auf Kosten und Befehl der Provinzial-Regierung vermessen, begrenzt, geschátzt und cartiert.

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4.

Die Kolonisten werden sofort und bequem von Rio Grande bis auf die Kolonie, \vo sie sich niederlassen, befõrdert, haben daselbst ange- langt, Aufnahme in den neuen Empfangsgebàuden und erhalien von der Regierung die nõtigen Lebensmittel fúr einen Monat unentgeldlich.

5.

Allen Denen, welche Landereien erhalten (und den jungen Leuten, die iiber 16 Jahre alt sind) werden Gerãte und Werkzeuge bis zum Belauf von 32|800 Reis (24 Preuss. Thlr.), ferner Sámereinen von bester Qua- litiit und in den Sorten. wie es die Landeseultur erfordert, ais Geschenk von der Regierung zugeteilt.

6.

Jede Kolonie hal einen von dei Provinzial-Regierung ernannten und besoldeten Director, der sowohl der deutschen wie aucb der Landesspra- che mãchtig und dem General-Director der Kolonie untergeordnet ist.

7.

Die Kolonisten haben das Recht nach zweijãhriger Niederlassung ini Kaiserreiehe, ohne Kosten und Schwierigkeit, laut General-Gesetz vom 5. Sept. 1 H í(> und 18. Sept. 1850, ais brasilianische Biirger natu- ralisieren zu lasscn oder nieht. Im ersten Falle sind sie zuni Dienste in der Nationalgarde ihres Districtes verpflichtet, jedoch von den Uebun- gen rierselben frei; die aber, welche sicli nieht naturalisieren lassen, sind von allen õffentlichen Staatsdiensten befreit, sobald sie sich nieht selbst dazu anbieten.

8.

Die Kolonisten sind verpflichtet iiber die ihnen geschenkten Lande- reien die nõtigen Besitz-Urkunden zu verlangen, und kònnen ohne die- selben weder Hypothek darauf nehmen, noch dieselben veráussern. Die Besitz-Urkunden werden durch Vermittlung des General-Directors der Kolonie, von der Provinzial-Regierung ausgestellt, und kosten ohne irgend weitere Sporteln oder Gebúhr, laut Gesetz vom 18. Sept. 1850, Artikel 11, 5 Mil Reis an die Kanzlei und 4 Mil Reis fur Ausfertigung zu- sammen G1/^ Pr. Thlr.).

9.

Die Kolonisten mússen den 8ten Theil der ihnen geschenkten Lande- reien binnen zwei Jahren in Arbei nehmen, darauf wohnen oder sich anbauen, widrigenfalls sie ihr Recht an dieselben verlieren.

10.

Laut verschiedener Provinzial-Gesetze und Regierungs-Dekrete, diir- fen die Kolonisten erst dann ihre geschenkten Landereien verkaufen,

nachdem sie vorstehende Verpflichtung erfiillt haben, und zwar zwei Jahre votai Tage der Besitznahme an gerechnet. Die Notare durfen weder õffentliche noch Privat-Documente iiber Verkauf, Dotation, Verpach- tung oder Hypotheknahme von den an Kolonisten geschenkten Lánde- reien ausstellen, wenn nicht die Bescheinigung des General-Direktors bei- gebracht ist, dass dieselben dazu berechtigt sind.

11.

Sowohl die Kolonisten, Eigenthihner von Lándereien, wie auch die Eingeborenen, welehe solche von der Regierung gesehenkt erhalten, sind verpflíchtet, das nõtige Land, welches fiir spáter etwa anzulegen- de Strassen von einer Kolonie zur andern, oder zu einem Einschiffungs- platze, zum allgemeinen Besten nothwendig wird, gegen gesetzliche Entschádigung abzutreten, ebenfalls seinen Nachbarn bei Anlage von Conmiunieationswegen freiwillig behulflich zu sein, ferner gegen Ent- schádigung den Durchzug von Wasserableitungen zu gestatten, endlieh aber bei Auffindung von Minen irgend einer Âft, sich den bestehenden Gesetzen zu unterwerfen.

12.

Durch das Gesetz N.° 183 vom Qkt. 1850 ist die Ansehaffung von Sklaven in den Kolonie-Distrikten verboten, und sollen, wenn solche mit Uebertretung des Gesetzes dennoch eihgèfuhrt werden, dieselben auf Befehl des respectiven Directors weggenommen und der Betreffende durch Zahlung des Wertes von zwei solchen Sklaven bestraf t werden.

Zur Beglaubigung sind dem bevollmáehtigten Agenten der deut- schén Auswanderung fiir diese Provinz, Herm Peter Kleudgen, zwei mit meiner Unterschrift und dem kaiserlichen Siegel versehene Exem- {)lare dieses Decrets zuzustellen.

Gegeben im Regierungs-Palast der treuen und festen Stadt Porto Alegre, den 5. Dezember 1851.

(L. S.)

LUIZ ALVEZ LEITE d9 OLIVEIRA BELLO.

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18 5 1 BESIEDLUNG DER QUERPIKADE, PONTE RIO PARDINHO UND EINES TEILES DES FINGERHUTES

Im Dezember des Jahres 1851 werden die ersten Kolonienummern jer "Nenen Pikade" verteilt. Es sind die Kolonien mit den Kummern 9 (8?) l)is 22. Einige Lotes seheinen naeh der Einwanderer-Tabelle erst ein Jahr spãter an thre ersten Besitzer verteilt worden zu sein. Doch kann kauin angenommeD werden. dass zwischen vevteilten Kolo- nien einige ein Jahr lang liegen blieben. Eine. in diesem Zu- sammenhang wertvolle Mitteilung verdanken wir múndlicher Oberliefe- uing. Die Kolonie N.° 10 wai zuerst bewohnt von eineni Manne namens Gruny. Dieser kam naeh knrzer Zeit um und hinteriiess weder Frau noeh Kinder. Am 10. 12. 1852 wurde sie dann neu verteilt an Fritz Niedersberg. \hnlich mag es auch mit einigen andern Kolonien gewesen sein. Der erste Bewohner verliess naeh knrzer Zeit seine Kolonie, vielleieht sehon bevor sie ihm reehtlieh zugeteilt wurde nnd Wttrde somit in nnserer Tahelle gar nieht gefuhrt.

Dass die Kolonien 1 bis 8 (7?) zunàchst nieht verteilt wurden, hat ;vohl einen anderen Grund. Man fand dieses Gebiet (Tiefland in der Nàhe dei* Rrúeke) ais Sumpfgebiel und ais Cberschwemmungsgebiet des Riopardinho zunachst nieht ffir den Aekerbau geeignel Erst ein Jahr spãter, 1852, werden diese Lãndereien verkaufl. Die Besitzer mit den \amen Lucas Antonio Espindola, Francisco Gonçalves la Rosa und Leite Maciel legen uns den Gedanken nahe, dass diese Besitzer daran dachten, dort Viehzuchl zu treiben.

1 8 5 2 BESIEDLUNG VON RIO PARDINHO

Irn Jahre 1851 hatte P. Klendgèn begonnen eine starke Propagan- Jntátigkeit in Deutschland zu cntíaHcn. um Auswanderer naeh der Ko- lonie Semta Cruz Alie und Neue Pikade zu gewinnen Sogar eine Zeitung hatte er fúr diesen Zweck in Hamburg herausgegeben. Wenn er auch nieht so viel Leute naeh hierher gewinnen konnte, wie er in seinem Kcntrakt mit der Provinzialregierung verpflichtet wár, so mer- Ken wir doch den Erfolg seines Arbeitens an dem grossen Zustrom von clinwanderern in diesem Jahre 18") í. Von 1 Schiffen, 'lie ín diesem íahre Einwanderer naeh hierher brachten. kõnnen wir Nàheres berich- ten. Es sind dies Fortuna und Mariànne, die die grõsste Zahl von Einwan- derern naeh hierher brachten, die Hermine und der Sauser, die die vom Schiffsungluck an der englischen Kiiste Gestrandeten von dort bis naeh Rio Grande brachte. Obwohl dieses Schiff erst im Jahre 1853 hier ankam rechnen wir es doch zu den Schiffen des Jahres 1852, da es noch 1852 in Deutschland abfuhr und noch von Kleudgen angeworbene Kolonisten mitbrachte.

Das Segelschiff Fortuna kam naeh einer Nachricht im Juni in Rio Grande an, naeh einer andern erst im Oktober, was auch wahr- scheinlicher ist, da die Kolonien dieser mit der Fortuna An^ekommenen im November verteilt wurden. Diese Nachricht bestátigt auch der ver- storbene Lehrer Christian Smidt. In dessen Nachlass fand sich eine Abhandlung vom Jahre 1902, anlásslich der 50-Jahrfeier der Kolonisie- rung von Rio Pardinho. Er erwàhnt darin, dass schon im November

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tes Jahres 1852 einige Bewohner hier waren. Dass er diese Tatsache besonders hervorhebt ist ein Zeiehen dafúr, dass schoii ('amais im íahre 1902 keine rechte Klarheit mehr úber die Besiedlung von Rio P&rdinho vorhanden war. Wir brauchen uns nun nicht mehr zu wun- dern, wenn durch diese Abhandlung, die Klarheit bringt, manche Vprstellungen, die im Volke laufen, auf die Seite geschoben werden. Lèhrer Smidt erwàhnt in dieser Abhandlung folgende Namen, die wir letzt nach unserer Einwanderer-Tabelle ergánzen kõnnien: Hermann Henschke, Benno Quoos, Heinrich Strohm, Friedrich Strohm nnd Richard vYeber. Kurz, nachdem an diese ihre Kolonien verteilt waren, kam die grõsste Gruppe von Einwanderern, die dann auch die Haupíbesiedhmg /on Rio Pardinho ausmachte, vor die Tore von Rio Pardinho, nach den 'Empfangsgebáuden'' von P. Kieudgen, um dort vier lange Wochen auf die Zuíeiíung ihrer Kolonien zu warten. Dank der vorhandenen Unterlagen sind wir in der gliicklichen Lage, bei den folgenden Eihwáhdè- rungsgrúppén die etwas trockene Beriehterstattung verlassen zu dúrfen nnd auch iiber interessante Einzelheiten berichten zu kõnnen.

Die grõsste Gruppe von Einwanderern die dieser Auswandereragent angenommen und die fur die in der Kolonie Santa Cruz neu aufgehaue- iie und vermessene neue Pikade Linha Rio Pardinho bestimmt war, béstand àus 60 Kolonisten, die sich rm 29. Juli des Jahres 1852 in Ham- bu*g auf der Bremer Brigg ''MARIANXA", Cap. Rénjes. nach Rio Grande einschifften. Am 6. November legte dieses Segelschiff an der Barre vron Rio Grande an. Hier wurde umgeladen, und die Kolonisten fni-t dem Regicrungsdampfer "Comércio" nach Porto Alegre weiterbefor- dert. Am 9. November kam diese Gruppe dort an.

Aus einem Zeitungbericht, der hier wiedergegeben werden soll aus einer im Jahre 1852 in Porto Alegre ersche'nenden Zeitung "Der Kolo- nist", entnimmt mau zu der úberfahrt folgendes;

"Der Kolonist" Porto Alegre, 13 November, 1852. (Seite 3).

"Am Dienstag Abend 9. November ksmen mit dem Dampfschift 'Comércio'" von Rio Grande, 60 Auswanderer hier an (Porto Alegre). Dieselben waj,'en berc;ts am 29. Juli nus Hamburg auf der Bremer Brigg ''Márianna*' eingesçhifft, und hatten eine Reise von 100 Tagen. Doch trolz der langen Fahrt war kein weiterer tJnfall vorgekomoen, und der Gesundheitszustand làsst nichts zu wlinschen úbrig. Die meisten der Ankómmlinge sind aus Pommern und Thuringen, und sind durch Peter Kieudgen hierher befõrdert worden. Von hier sind sie am 12= bereits nach Rio Pardo und von dort nach der Kolonie Santa Cruz weiter abge- gangen. Wir kõnnen bei dieser Gelegenheit nicht umhin. dapkend der hier in Porto Alegre ánwesénden Beauftragten des Herrn Kieudgen, be- sonders des Herren Heinssen, anzuerkennen welche dafiir sorgen, die Kolonisten nach einer so langen Fahrt wiedermal mit reichlicher Nah- rung zu versehen, und sich auch ihrer sonstigen Angelegenheiten mit v\e\ Eifer annahmen".

In Rio Pardo, am 13. November angekommen, setzte sich die Kolonne nach kurzem Aufenthalt in Bewegung, nachdem sie ihre Ba- ga ge auf zweiràdrigen "Carreten" verladen hatte. Nach dem von

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Paul Gressler herausgegebenen Buche "Os Velhos Gressler" sollen es 12 Carretei! von 96 Oehsen gezogen, gewesen sein.

Xaeh zweitàgiger Fahrt tiber den Kamp langte die Karawane am Steinbach auch Fruhstiicksbach genannt an.

Hier lagerten die Auswanderer etwa vier Wochen, da die ihnen zugewiesenen und fúr sie bestimmten Kolonien noch nicht vermessen und auch sonst noch gar keine Vorbereitungen zu ihrer Aufnahme ge- troffen waren. Hier in den von Kleudgen in seiner Propaganda ais Em- pfangsgebáude bezeichneten Aufnahmelager hatten die Auswanderer, die man von jetzt ab wohl richtiger ais Einwanderer bezeichnen kann, Zeit und Gelegenheit, sich umzusehen, und sich allináhlich mit den fúr sie nenen Verhaltnissen vertraut zu machen. Auch mit schon etwas làn- ger im Lande befindlichen LandsleUten kamen sie jetzt in Beriihrung, die mit den Verhaltnissen schon vertraut. ais Kolonisten ihnen ihre ge- machten Erfahrungen mitteilten.

Sie konnten sich davon uberzeugen, dass Kleudgen in seinem Buche, das 1852 in Hamburg ais Propaganda-Schrift fúr Auswande- rung vcrõffentlicht wurde, nicht ubertrieben hatte. Kleudgen schreibt in diesem Buche: "Der Boden, dem Urwald abgewonnen, ist in Santa Cruz unvergleichlich; seine unendlicb nachhaltige Ertragfáhigkeit . . . sichert dem Kolonisten ein gutes und sicheres Fortkommen. Vom Ufer des Flusses ziehen sich die Kolonien terrassenfõrmig bis nach den Ber- gen und bestehen aus schwarzem und gelben Kleieboden, dem schõn- sten dunklen und hellcn Lehmboden und endlich aus schwarzem steini- gen Boden. Sand ist nur unmittclbar am Flussufer zu finden . . . Auf den Húgeln und Bergen ist der Acker am schõnsten und eignet sich, da es dort bedeutend wármer ais in den Tálern ist, am besten zum Bau des Zuckerrohrs. Die einheimischen Produkte: Mais (Milho), schwarze Bohnen, Kartoffeln usw. gedeihen in schier unglaublicher Weise. Der Tabakbau stellt sich immer giinstiger heraus . . . Gegenwár- tig, námlich bis zum 11. August 1851 ist in der Kolonie folgender Vieh- bestand: 43 Pferde, 23 Mulas, 32 Milchkuhe, 4 Gespanne Zugochsen mit einer Carrete, drei Gespanne Zugpferde mit drei vierrádrigen Wa- gen, welche den Transport zum Handel beschaffen, endlich noch 503 Schweine zur Mast und Zucht. "Dass Kleudgen, was die Fruchtbarkeit des Bodens anbetrifft, nicht úbertreibt, davon kann sich heute nach hundert Jahren noch jeder Kolonist uberzeugen.

Wie schon erwàhnt, wurde diese oben erwàhnte Einwanderer- gruppe am "Friihstucksbach" sicher durch Verschulden der Kolonie- Verwaltung aufgehalten.

Aber wie lange wird ihnen diese Wartezeit vorgekommen sein. Sie hatten die weite Seereise hinter sich, hatten die Heimat hinter sich>

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um es hier in diesem Lande zu etwas zu bringen. Und nun sassen sie untátig da, sie, die wussten, wie viele Arbeit vor ihnen lag. Aber nieht nur diese 4 Wochen ohne Arbeit verloren sie. Die Zeit des Pflan- zens ging voriiber und sie, die nach Arbeit auf eigener Scholle brann- ten, sie mussten lernen mit Geduld zu warten. Die Mánner werden es Jeichter ertragen haben ais die Frauen. Sie konnten jagen und fischen nach Herzenslust, etwas, was in Deutsehland nur der Gutsbesitzer tun durfte. So spúrten sie zugleich auch etwas von der Freiheit im neuen Lande. Doch auch diese Wochen vergingen. Kurz vor Weinachten konnten sie auf ihre eigene Kolonien ziehen und mussten wie schwer ist es ihnen gefallen in Laubhútten ihr erstes Weinachten feiern.

Am 21. November 1852 waren sie in der Kolonie Santa Cruz, bei dem was Kleudgen in seinem Kontrakte Empfangsgebâude nennt, an- gekommen.

Dieser Tag, der 21. November ist der Tag, an dem wir unsere Feierlichkeiten beginnen, der Gedenktag an die Ein- wanderung aller, die vorher und nachher kamen und den Grundstein legten zu dem, was wir heute Rio Pardinho nennen.

Gegen Ende des Jahres 1852 kam ein weiteres Einwanderung- schiff, die Hermine, an, das Kolonisten fiir hier mitbrachte. Unter anderen kam mit diesem Schiff auch Jakob Goelzer ais Famílienhaupt einer zahlreichen Famílie an. In dem Besitz der Famílie Goelzer finden wir noch einen Brief, den Kleudgen selber geschrieben hat und den wir wiedergeben:

Herrn Jacob Gõlzer, Lõtzbeuern bei Trarbaeh an der Mosel.

Hamburg, den 5. August 1852.

"Erst heute bin ich in den Besitz Ihres Brief es vom 30. Juli gelangt. 190 rheinische Thaler ais Haftgelder fiir 19 Personen habe ich ais Ein- lage somit richtig empfangen. Die Passagierscheine folgen beiliegend fúr 1. Jacob Gõlzer mit 6 Erwachsenen und 3 Kindern. 2. fiir Jacob Brust mit 4 Erwachsenen und einem Kind. 3. fiir Elisabeth Faller, mit 2 Erwachsenen und einem Kind. 4. fiir Anna Hofman, und einem Erwachsenen. 5. fiir Nicolaus Just, mit einem Erwachsenen. 6. fiir Michal Haar, mit einem Erwachsenen. 7. fúr Philipp Ihmig, mit einem Erwachsenen. Im Ganzen 15 Erwachsene und 4 Kinder.

Wenn Sie hátten 8 Tage frúher fertig werden kõnnen, so waren Sie schon jetzt mit der "Marianne" lángst auf See gewesen. Ich hielt das Schiff bis zum 28. zurúck, lánger konnte ich aber nieht warten. Jetzt ist es mir aber nieht mõglich vor dem 27. oder 28. August zu ex- pedieren, so gerne ich Ihnen auch darin gefállig sein mõchte, denn

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ich weiss, dass wenn man sich einmal reisefertig gemacht hat, mau auch gerne je eher je lieber fort will; doch wiè gesagt, ist mir nicht friiher mõglich. Ich glaube gewiss, dass Sie am besten thun, wenn Sie mit Greve einen Accord wegen Ihrer Passage von Trarbach bis Ham- bnrg abschliessen. Er hat mir aufgegeben, dass er berechnet von Trar- bach bis Hamburg: Fiir den Erwachsenen mit 200 Kg. von Coblenz nach Cõln, und 100 Kg. von Cõln nach Hamburg, 5 Thaler u. 8 Silber- groschen. Ferner f vir Coblenz an Bekõstigung: Logis, Fruhstiick, Abendessen, Mittagessen, fúr Erwachsene: 14 Silbergroschen fiir Kin- der 8 Silbergroschen. In Cõln und Hannover, wird der Preis eben so sein, doch in Cõln haben Sie nur Logis. Abendessen und Fruhstiick. In Hannover desgleichen. Ich werde heute noch an Greve schreiben, damit er sich mit Ihnen in Verbindung setzt, und es so einrichtet, dass Sie am 27. hier eintreffen. Nochmals mache ich Sie aufmerksam Ihre Effecten in keine zu grosse Kisten zu verpacken, zu schwere Eisensa- chen mitzufuhren, da diese eine enorme Úberfracht kosten und Sie solche hier eben so billig kaufén kõnnen. Dass mein guter Weber Un- ánnehmlichkeiten wegen seiner mir und den Auswanderern erwiesenen Gefàlligkeiten gehabt hat, that mir sehr leid, doch da er fiir seine Miihe keine Provision von mir bezogen, so kann ihn das Gericht auch nichts anhaben. Wenn Sie ihn sehen, so grússen Sie ihn besiens."

Ergebens

Peter Kleudgen.

Aus einem Bericht, den die Zeitung "Der Colonist" vom 25. Dez. 1852 bringt, entnehmen wir úber die Reise dieser Gruppe folgenden hier wiedergégebênen Bericht :

"Am Abend des 19. Dezember kam hier das Dampfschiff "Comér- cio" aus Rio Grande an, und brschte 52 Kolonisten mit, die wenige Tage vorher daseíbst gelandet waren. Von Hamburg durch Peter Kleudgen befõrdert gingen sie bereits im September mit dem Schiff "Hermine" Kapitân Cornélius, ab; hatten auf ihrer Reise so viel Sturm und Unwetter ausgehalten, wodurch ihre Fahrt so verzõgert wurde. Der Gesundheitzustand auf dem Schiffe liess nichts zu wiin- schen iibrig, und ist auch nicht ein Todesfall zu beklagen, wozu auch wohl viel die gute Bekõstigung beigetragen. Die meisten der jetzt An- gekommenen bestehen aus Famílien und sind alie aus der Rheingegend unweit der Mosel zu Hause.

Mit dem Dampfschiff sind dieselben bereits nach Rio Pardo ab- gegangen, um von dort nach der Colonie Santa Cruz befõrdert zu wer- den. Wir wollen nur wiinschen dass jetzt daseíbst die nõtigen Anstal- ten getroffen wurden, um den gegebenen Bedingungen gemáss, die

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dort Ankommenden gleich ihre Kolonien anzuweisen, denn wie man hõrt, waren die zuletzt hinaufbefõrderten Kolonisten gezwungen im Urwald liegen zu bleiben, weil weder Kolonien abgemessen noch sons/ Anstalten zu ihrer Unterbringung getroffen waren; wáhrend wir aus der Berichterstattung des Herrn Koloniedirektors Buff an die Provinzialre- gierung ersahen, dass dort bereits eine grosse Strecke Picaden geõffnet und zu Kolonien geordnet waren. Beides kõnnen wir aber nicht zusam- men reimen, und freuen wir uns der Kolonisten wegen daher um so mehr, dass sich der hiesige Zivilingenieur, Herr von Normann, der zugleich Mitagent des Herrn Kleudgen ist, jetzt eben dort befindet. Ge- wiss kann man von der Umsichtigkeit desselben eine schleunige und dauernde Abhilfe erwarten."

Noch im Jahre 1852 hisste die "Luise Emilie" ihre Segel, um Einwanderer nach Brasilien nach der Kolonie Santa Cruz zu bringen. Sie sollte wohl noch vor Ende des Jahres von Hamburg auslaufen, da der Vertrag, den die Begierung mit Kleudgen abgeschlossen hatte, ab- lief . Diese Fahrt sollte die letzte der Luise Emilie sein. Denn das Schiff zerschellte an der Kúste Englands. 55 Erwachsene und 17 Kinder be- fanden sich an Bord. Nur 35 Personen konnten gerettet werden. Es kamen also 37 Personen unis Leben.

Bei der Schilderung dieser Unglucksfahrt folgen wir den "Erin- nerungen" von Luis Panke, dessen Vater und Grossvater diese Un- gliicksfahrt mitmachten, und einem Zeitungsbericht vom Jahre 1853 der schon erwáhnten Zeitung "Der Colonist".

"Lange Zeit hatte das Schiff mit heftigen Stúrmen und Unwetter in der Nordsee zu kãmpfen, sodass die Passagiere bereits mehr und mehr daran gewõhnt, sich ruhig unter Deck verhielten; wo der Kapi- tàn und Manschaft sie auch liessen, ais das Schiff im Kanal nur noch durch die grõssten Anstrengungen von der Kuste entfernt gehalten werden konnte. Gegen Morgen war es, ais, da es ferner unmõglich wurde, den Schiffbruch zu vermeiden, die Passagiere aus ihren Betten heraufge- rufen, das Schiff auf einmal an die Kiiste geschleudert sahen. Das Land war freilich nicht fern, denn bei dem Biicktritt der Brandung lag das Schiff beinahe auf dem Trockenen; jedoch verhinderte diese das Landen der unglúcklichen Menschen. Die Uferbewohner waren gleich zur Stelle mit Hilfsmitteln. Anfangs folgten die Wellen nicht so rasch aufeinander, sodass einige kráftige Burschen abgesprungen und an Land gelaufen sind. Den ersten dreien gelang es, den andern nicht mehr. Wenn auch das Wasser ihnen nur bis an das Knie reichte, so waren sie doch verloren, denn die zuruckflutende Welle nahm sie mit ins Meer. Durch ein Seil, an dem ein Bettungsring befestigt war, waren sie mit der Bettungsmannschaft an Land verbunden.

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L. Panke schreibt, dass sein Vater ais 10 jâhriger Knabe mit noch zwei andem zusammengepresst wiirden, der Rettungsring úber sie ge- stiilpt und bei einer auslaufenden Welle ins Wasser geworfeD wurde. Wie er aus dem Wasser gekommen sei, weiss er nicht mehr. •Ais er zu sieh kam, war er an Land» Sturm und Wellen nahmen an Stárke und Sehnelligkeit zu. Die Leute auf Schiff und Land konnten sieh gegenseitig nicht mehr verstehen. So wurde dann auch noeh der Rettungsring zerrissen. Die Lente konnten jetzt nur noeh sieh an einein Stiiek des Ringes und an dem Strieke festhalten. Grossvater, Vater und Onkel von Luis Panke sind auf diese Weise an Land gekommen. Jedoch Grossmutter kam in den Fluten um. Frau Irene Jahn Fromming er- záhlt, dass Albert Jahn, damals ein Kind von wenigen Monaten, nur dadureh gerettet werden konnte, dass seine Mutter ihn auf dem Riik- ken des Vaters festhand, Auch die Frau von Karl Wáehter kam mit den vielen unis Leben.

Die Englander waren sehr gnt zu ihnen. Sohald einer an Land war und zur Resinnung kam, versorgten sie ihn mit troekencn Kleidenv.

Die See wurde immer heftiger. Fine mãchtige grosse Welle zer- schlug das Schiff, und ais sie vòrúber war, war nichts mehr da.

Der brave Kapitãn, in dessen Lob alie gleichmàssig úbereinstimm- ten und fúnf Mann der Resatzung verloren dabci ihr Leben.

Ais die Katastrophe vorbei war, da fehlten viele, ach so viele.. Da dieser Sehiffbrueh in dei Nahe von Duneherness gesehehen, so wur- den die armen Sehiffsbriiehigen, die durchaus gar oichts von ihrer Habe gerettet, mit gewohnter engíiseher (iastfreundsehaft behandelt, bis Herr Peter Kleudgen naeh Empfang dieser traurigen Xaehrieht sieh dorthin begab und ein anderes Schiff fraehtete. Eine Subskription in Duneherness zu Gunsten dieser Verungluekten zeigte wieder in vollem Masse die Grossartigkeit der Englander; denn bei der Abreise wurde eiL nem jeden der Kolonisten 10 Pfurid Sterling von dort úbergeben, ausser Kleidungstiieken und X;hrung, die sie frúher unentgeldlieh sehon er- halten hatten. Dureh die Subskription, welche der Herr Kleudgen in Hamburg erõffnete, sind denselben auch noch etwas iiber zwei Pfund geworden.

Vom Kanal bis Rio Grande fuhren sie mit dem Schiff Sauser und hatten eine gluckliche Reise von nur 47 Tagen. Am 25. Mkrz 1853 ka- men dann die vom Sehiffbrueh der Luise Emilie Geretteten in Porto Alegre an. Am 5. April schon wurden ihnen ihre Kolonie-Lose in Rio Par- dinho zugew iesen.

Mit dem Jahre 1853 ist die erste Etape, nicht nur der Resiedlung von Rio Pardinho, sondern zugleich der Resiedlung der Kolonie Santa

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Cruz abgeschlossen. Im Jahr 1854 wurde ein neues Kolonisationsgesetz verabschiedet, dessen Urheber der Provinzialprásident Sinimbu war. Unter diesem neuen Gesetz breitete sich die Kolonie Santa Cruz wciter aus. Es wird auch der obere Teil von Rio Pardinho besiedelt und selbst- verstándlich auch unsere Nachbarkolonie Sinimbu, die den Namen des damaligen Provinzial-Pràsidenten trágt.

Einige Ex-Soldaten erhielten im Jahre 1855 Kolonien in Entrada Rio Pardinho zugewiesen. Sie waren im Jahre 1850 in Deutschland (Hannover) ais Soldaten angeworben und 1853 in Rio Pardinho vom Militárdienst entlassen worden. Im Volksmund sind sie bekannt unter dem Namen: Die "Brummer".

Wir verõffentlichen nun im Auszug einige Artikel der Kolonisa- tionsgesetze vom 30. November 1854, nach dem Ruche von Kapitán J. Hõrmeyer, herausgegeben im Jahre 1857 und gewidmet "Seiner Ma- jestàt Dom Pedro II Kaiser von Rrasilien.

Artikel 1. Die Kolonisation der Provinz wird auf den Verkauf der Lándereien basiert . . .

Artikel 2. Der Prásident der Provinz wird die durch die Pro- vinzialversammlung bewilligten jáhrlichen Summen zum Ankauf fur Anbau geeigneter Lándereien verwenden und dieselben in Kolonien (Loose) von 100.000 Quadradbrassen vermessen, einteilen und ab- stecken lassen, welche an Kolonisten zum Verkauf e ausgeboten werden sollen; der geringste Preis jeden Looses ist 300$000 rs.

Artikel 3. Der Prásident der Provinz wird bei der Vermessung und Absteckung der Kolonien, die fúr Wege, Háfen, Kirchen und an- dere õffentliche Zwecke von anerkannter Notwendigkeit etforderlichen Lándereien reserviern.

Artikel 4. Der Verkauf von Kolonien kann auf Termine bis zu 5 Jahren geschehen, wowegen die Kolonisten nach Ablauf dieser Zeit einen Zins von 1% pro Monat (provinziiblicher Zins) zu zahlen haben, in dem nicht nur die Verkauf ssumme, sondem auch die ihnen sonst vorgeschossenen Summen bis zur vollstándigen Abzahlung hypotheckiert bleiben.

Artikel 5. Der Prásident ist autorisiert, den selbstàndig eintref- fenden Kolonisten eine Summe bis zum Retrage von 50f000 rs fúr jeden, welchen Gechlechts mit der Verbindlichkeit der Wiedererstaítung in den- selben Terminen und unter den Redingungen des vorhergehenden Artikels.

Artikel 6. Ferner wird der Prásident autorisiert, die fiir die Unterkunft der Kolonisten unumgãnglichen Unkosten, bis sie an ihrem

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Bestimmungsorte angelangt sind oder sich in ihren eigenen Wohnungeu niedergelasseii haben, zu bestreiten, ohne dass dieselben zur Wiederer- stattung dieser Unkosten vérpflichtet sind.

Zum Schlusse dieses Abschnittes werfen wir noch einen Blick auf die Qbrigen Vergunstígungen, deren sich europàisehe Einwanderer in ganz Brasilien zu erfreuen hatten.

Die Einwanderer sind, ob naturalisiert oder nicht, frei vòm Mili- tãrdienst. Der Einwanderer kann aacfa zwei Jahren Anfenthalt im Lan- de ganz einfach dadurch naturalisiert werden, dass er bei der Munizi- palkammer seines Anfenthaltes den Wiinscb hierfúr zu erkennen gibt.

Wenn naturalisiert, geniesst er alie Reehte des Brasilianers mit alleiniger Ausnahme der Wahl zuni Deputierten. Er ist dann fflr seine Lebensdauer zwar auch noch vom Militardienste befreit, muss aber in der Nationalgarde seines Bezirkes innerhalb des Mnnizips Dienste tun.

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DIE ERSTEN JAHRE

Bei der Strassenarbeit

Die ersten Jahre der Xeuangekommenen waren íiberaus schwer. Yiele haben sich gesagt: Waren wir doch im alten Yaterland ge- blieben; hàtten wir doch die alte Weisheit zu Herzen genommen: "Bleibe im Lande und náhre dich redlich". Wenn sie auch die Schõn- heit des Landes bewunderten und iiber die Fruchtbarkeit erstaunt wa- ren, so kam auch die Enttáuschung. Sie hatten sich das Leben doch ganz anders vorgestellt. Sie wollten nach einem Lande der Freiheit. Diese Freiheit hatten sie in gewissem Sinne. Nur wenig waren sie ab- hángig von andern Menschen. Jeder hatte seinen eigenen Grund und Boden, auf dem er schalten und walten konnte, wie er wollte. Aber die Freiheit, die sich der Mensch ertráumt, gibt es nicht, gab es auch fúr die Neuangekommenen in diesem Lande nicht. Sie waren Sklaven

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dcs Bodens, Sklaven der Arbeit geworden. Aber sie taten diese Arbeit ais freie Menschen, aus dem zâheh Willen heraus, zu Leben und weiter- zukommen. Die Briicken oach der alten Heimal waren abgebrochen. Sie hatten auch zuni grõssten Teil das Geld zur Rúckfahrt nichl mehr und sie wollten auch nicht ais Gestrandete, die einmal grosse Plane hat- ten, zurúckkehren. Auch hatte die Heimal keinen Platz und kein Wei- terkommen fúr sie.

Manehen wurde die Arbeil im Wald, die an sich sehon schwer war, noeh sehwerer, da sie vou zu Hause aus die Landarbeit nicht ge- wohnt waren; dazu kam aoch das Eingewõhnen in das neue Klima und in die neuen Yerhàltnisse. Die Lehmhutte war das Haus der ersten Zeit.

Geld war rar. Je- der versuchte alies das zu pflanzen was er fiir deu Haushall brauchte; er war in der Re- gel sein eigener Maurer und Zim- mermann, sein eige- ner Schinied, Stell- macher, Tischler, Schuster und Ger- ber. Auch Tncher und grobe Wâsche- Lehmhaus, das erste Haus der EinwaDderer stoffe wurden ge-

webt aus selber angebautem Flachs. Auf Handmúhlen wurde Mcjil ge- mahlen. Eine Sehale, oft nur eine Muschel mit Fett und Docht diente ais Licht. Kerzen, fúr deu gewõhnlíchen Gebrauch zu teuer, wurden selber hergestellt. Helleres Licht ais Fett gab das Oel. Es wurde ge- wonnen aus Raps, der damals gepflanzt wurde. Heute noch treffen wir ihn ais Unkraut in der Roca an. Auch die Kerne der Abóbora und der Wilden Õlbeere wurden zur õlgewinnung verwendet.

Jeder musste alies selber mcehen, weil es an Handwerkern und Geld fehlte. Die Handwerker, die mit den Einwanderer-Schiffen mit- kamen, wurden meist schon in den álteren Kolonien wie Rio Grande und São Leopoldo, festgehalten. Rudolf Gressler schreibt in seinem Brief vom Dezember 1852 (Os Velhas Gressler S. 119): "Handwerker werden hier sehr gut bezahlt. Ein Sattler war mit auf unserm Schiffe und konnte gleich in Rio Grande bleiben".

Erst 1857, aiso 5 Jahre nach der ersten Einwanderung, kamen die ersten Handwerker hier an, die ihren Beruf ausíibten, die beiden Schuster Michael Scherer und Christian Gottlieb Zwicker.

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Eine Mahlmúhle und Õlschlagnuihle wurde schon in den Jahren 1853 54 errichtet von dem Sohne eines Múhlenbesitzers der Kolonie São Leopoldo namens Sehuck. Es soll die erste Miihle Lm ganzen Koloniebe- zirk Santa Cruz gewesen sein. Sie stand etwas unterhalb der heutigen Mahl-und Sãgemúhle von Helmuth Genehr. Eine alte Mahlmúhle stand aueh auf dem Land, das heute Edmund Kcppe besitzt. Wann und von wem sie erbaut wurde, ist unbekannt.

Doch waren die:s alies nur bescheidene Ànfãnge. Erst Ende der siebziger Jahre kamen die Kolonisten zu Geld. Es konnten grosse, sehõ- ne Hauser gebaut werden, die zuni Teil heute noch stehen. Handel und Gewerbe konnte slch entwickeln. Das Vereinsleben nahm seinen Aníang.

Fachwerkhaus

Wenn die Xeueingewanderten aueh vieles missen mus^ten von den Dingen, die sie druben hatten, eines wollten sie aueh hier haben im neuen Lande: Kirche und Sehule. Es folgen nun die Kirchen und Schul- berichte von Rio Pardinho, Ponte Rio Pardinho, Travessão Dona Josefa, Linha Travessa (Querpikade) und Linha Sete de Setembro (Fingerhut) .

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Igreja Evangélica

Jedem Einwanderer nach Brasilien war bei der Ausreise Religions- freiheit zugesichert worden. Sie wollten auch im nenen Lande ihrem evangelischen Glauben leben.

Kirchenzeugnis

Johann Franz Schutz, geboren den 8. Mai 1809 ist bisher ein Mit- glied unserer Gemeinde gewesen und hat, wie wir demselben auf sein Be- gehren hiermit bezeugen, sowchl am Gottesdienste, ais auch am heiligen Abendmahle teilgenommen, auch sich, soviel uns bekannt geworden eines unbescholtenen Wandels befleissigt.

Indem wir denselben daher mit diesem Kirchenzeugnisse aus unse- rer Kirchengemeinde entlassen, ersuchen wir alie evangelischen Pfarrer und Kirchenvorsteher, denen dieses vorgezeigt wird, ihn zur Fõrderung seines Seelenwohles behúlflich zu sein, wozu der Herr seinen Beistand in Gnaden verleihen wolle.

Enkirch, den 6. April 1858.

Das Prespyterium der evangelischen Gemeinde, Namens desselben

der Pfarrer

Volker,

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Kirche von Rio Fardinho (Zeichnung von A. Kuntz)

COMUNIDADE EVANGÉLICA DE RIO PARDINHO

A Comunidade Evangélica "RIO PARDINHO" era um fato quando as primeiras pessoas com a Bíblia e hinários pisaram este chão; quando dobraram as suas mãos, pedindo a benção do Todopoderoso para esta terra, entoando hinos sacros nos quais procuraram força e ânimo para a sua tarefa difícil e as peripécias que os esperavam.

As primeiras dificuldades, acima de tudo, foram vencidas, com a Biblia na mão, fortificando as almas e bebendo de suas fontes inexgotáveis. Esperança e Fé. E a Igreja está. onde homens procu- ram a Deus, no firme propósito de seguir fielmente os seus mandamentos.

Se a Sagrada Escritura ficou, por alguns, esquecida e sem uso, dentro de baús ou caixas, nem porisso deixaram de dedicar a sua devoção e veneração às cerimónias sagradas de batismo, confirmação, casamento e entérro.

Assim existia, desde v> principio, o sincero desejo e a vontade de conseguir um pastor ou pelo menos uma pessoa (pie pudesse exercer essas funções de cura das almas. E essas pessoas se encontraram, adequadas e devotas. O primeiro que prestou assistência religiosa aos ali radicados, chamava-se Wolfram. Era militar e depois pastor em Porto Alegre. O Dr. Robert Avé-Lallemant que em março de 1858 visitou a colónia de Santa Cruz, nas suas memórias de viajem, qualificou o "pastor" Wolfram como pessoa solícita e agradável, mas que se convenceu nos primeiros minutos de palestra que não possuia estudos de teologia. No ano de 1855 era o filho do pastor Weise que exercia estas mesmas funções sacras. Os seus três cunhados Gressler, haviam chegado aqui três anos antes com os primeiros emigrantes. Em 1862 veio o novo pastor Klein. Sobre a sua pessoa e sobre sua procedência nada consta de mais elucidativo. Foi èle entretanto que criou o primeiro Livro de Registro da Igreja e da Comunidade Evangéhea e atendia tòdas as comunidades evangélicas do Município de Santa Cruz. Muitr> em breve, porém, a comunidade não mais se satisfazia com estes pastores improvisados, exigindo teólogos formados.

Os dirigentes da Comunidade de Santa Cruz, com jurisdição em todo o Município, resolveram pedir, em nome dos evangélicos desta zona colonial, ao pastor Dr. Borchard, psroco em São Leopoldo e com ligação à Igreja Alemã que viesse atender à Paróquia local e providenciar na vida de um pastor da Alemanha. Prometeu èíe um eclestiástico para Santa Cruz Picadas Linha Santa Cruz e Rio Pardinho.

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Em março de 1866 chegaram os primeiros pastores da Alemanha para atender a zona de Santa Cruz e seus distritos, o pastor Bergfried e Smidt. O último, inicialmente, fixou residência em Ferraz, formando a freguesia de Ferraz, à qual ainda pertence São João, Sinimbú, Linha Andreas e Dona Josefa. O pastor Bergfried ficou em Santa Cruz e assiste ainda as paróquias de Picada Velha e a nossa. Rio Pardinho, assim filial da paróquia de Santa Cruz auxilia na construção da casa paroquial da cidade.

Agora que havia um pastor formado, funda-se a Comunida- de em março do ano de 1866 e na sessão de sua fundação, integrada por 52 habitantes, é resolvida a construção de um templo. A cerimonia da colocação da pedra fundamental se realiza a 17 de abril de 1866 e em apenas quatro e meio meses, em 9 de setembro do mesmo ano, inaugura e entrega-se a nova igreja ao seu destino.

Daí em diante realizam-se todas 3 semanas cultos divinos na igreja, recém construída. Para pezar de todos, o pastor Bergfried, forçado por seu estado de saúde, regressa em meiados do ano de 1871 à sua Pátria.

Como havia absoluta escassez de pastores e professores, e Santa Cruz como Rio Pardinho nutriam o desejo de cada qual obter o seu sacerdote que exercesse também o cargo de professor, foram dados os passos para separar as duas comunidades. Santa Cruz consegue um substituto para o pastor Bergfried na pessoa do pastor Faik, sendo que Rio Pardinho resolve em sessão da Comunidade de entabolar entendimentos com o pastor Smidt da Comunidade de Ferraz. Resolve- àe construir uma residência pastoral ao lado da Igreja. Foi nesta ocasião que sete homens do Alto - Riopardinho adquiriram um terreno com moradia, 4 km. acima da Igreja, para a instalação de uma escola, sem consulta prévia da Comunidade e em 1.° de junho de 1873 conseguem trazer de carro, o pastor Smidt de Ferraz que dai em diante serve como pastor em Rio Pardinho e como professor na escola de Alto-Riopardinho, sendo que sua cunhada assume o cargo de professora na escola ao lado da Igreja. Esta resolução autoritária provoca desentendimentos entre os moradores de Rio Pardinho, divergência essa* que ainda nos nossos dias, mesmo que menos aguda, transparece e prejudica a harmonia e a colaboração em pról do engrandecimento da comuna. E' êste também o motivo da distância entre a Escola e a Igreja.

No mesmo ano ligam-se ao distrito pastoral as comunidades de São João, Sinimbú, Linha Verão e Travessa Dona Josefa, desligando- se do distrito pastoral de Ferraz.

Começa agora, durante 23 anos, uma atividade eficaz do pastor Smidt nas comunidades de Rio Pardinho, São João, Sinimbú. São João havia construído o seu templo em 1867, sendo que Sinimbú o construiu em 1875, na gestão do Pastor, acima citado. No registro de óbitos de nossa Comunidade do ano de 1902, pode-se ler a vida e a ação do pastor Smidt, resumidamente. A folha 13 deste registo diz textualmente: Christian Smidt pastor, nascido na cidade de Emden, Frisa Oriental, formado em Teologia no Seminário de Barmen, ordena- do festivamente em 22-10-1865, na Igreja de Wupperfels

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como pregador e pastor para os teutos protestantes do sul do Brasil. Veio em 1866 como pastor à Linha Ferraz, após ter sido ordenado por ordem da Missioneira Renana pelo Pastor Dr. Borchard, em São Leopoldo. Casou-se em 16 de fevereiro de 1867 com Ana Barbara Schwartz que o brindou com 7 filhos, dos quais somente cinco lhe sobreviveram. Em 1873 mudou-se para Rio Pardinho e atendeu os cultos aqui até o ano de 1896. Deste ano ao de 1899 voltou como benemé- rito para Rio Pardinho, para passar os últimos anos de sua velhice no seio da família de seu filho mais velho, professor Christian Smidt.

Espiritualmente forte até o último instante demonstrou o seu físico nos últimos anos forte declínio. Seu passamento se verificou rápido e suave. Sua vida foi de fiel cumprimento do dever, entusiasmo e dedicação.

Xa cerimónia fúnebre os pastores Klasing, Hildebrand, Sudhaus, Kull e Dedekind o acompanha iam até a sua última morada.

PASTOR ALFREDO FUNKE

Pastor Smidt entrega a paróquia ao Pastor Funke e o novo pastor batiza aqui a primeira criança aos 13 de abril de 1896. Veio aqui jovem e recem-casado. mais tarde, após o seu retorno à Alemanha, tornou-se o escritor renomado e conhecido. Néste relato, nem em parte alguma, queremos firmar uma Opinião ou censura. Quem leu o que escreveu sobre os moradores de Rio Pardinho, de compreender perfeitamente que alguns não lhe votam muita amizade e boa lembrança. Deixando, mais tarde, na Alemanha a sua profissão de pastor, tornou- se conhecido como escritor com o nome de Dr. Alfred Funke.

ASSEMBLÉIA SINODAL

Xo ano de 1898 realizou-se aqui a 12.a Assembléia Sinodal ordinária. Os assuntos, tratados nesta reunião foram. Escola Normal Livre, coletas para o trabalho sinodal e subvenção e auxílio às comunidades da diáspora.

Em meiados do ano de 1899 o sr. pastor Funke deixa a comuna. Suas funções assume o então bastante idoso pastor Smidt, residindo em casa de seu filho querido, professor Christian Smidt, até que se apresentou o novo pastor.

PASTOR KLASING

Em outubro de 1899 o pastor Klasing se apresentou em Rio Pardinho. Deve ter sido uma pessoa muito letrada e inteletualmente viva, porque, além de suas funções como cura de almas, durante algum tempo dirigiu o jornal "Die Kolonie", editado em Santa Cruz. Em maio de 1911 deixa Rio Pardinho e volta à sua Pátria.

TAMBÉM NA COMUNIDADE, DURANTE ESTES ANOS, NOTOU-SE NOVA ATIVIDADE

O cemitério não mais correspondia à estética dos tempos hodiernos. Quando este cemitério, junto à Igreja , foi organizado,

não mais se pode precisar. E' de supor porém que a construção da Igreja e a organização do cemitério coincidiam. A mais antiga campa, ainda hoje encontrada, mostra a data de 1875. No ano de 1900 a passagem principal do cemitério foi lajeada e a parte frontal foi embele- zada com colunas de pedra. Os dois pilares de pedra no portal da igreja nesta data também foram substituídos por novos. Xào foram ambos doados por Theodor Pittelkow, mas ainda fez questão de colocá-los gratuitamente.

Xo culto, em comemoração à data da reformação, em 3 de novembro de 1907, foi encontrado no arquivo da igreja um envelope, contendo $25.000, constando no mesmo: ''Destinado à doação da nova colcha para o altar". O doador continua incógnito. Xo ano de 1909 foi recebida a referida colcha conjuntamente com um presente da Comunidade de Senhoras de Strassburgo-Metz, constituído de uma Biblia para o altar e um conjunto para a Santa Ceia dos enfermos.

SINIMBU TORNA-SE PARÓQUIA AUTÓNOMA

Neste tempo surge ainda um outro acontecimento de relevância. Assim como, no ano de 1873, Bio Pardinho desligou-se da paróquia de Santa Cruz, tornando-se autónomo, assim também no ano de 1907, Sinimbu com São João desligaram-se da paróquia de Bio Pardinho. após terem formado, durante 34 anos uma paróquia comum. Em 1.° de setembro de 1907 foi nomeado como primeiro pastor desta nova paróquia o pastor Haman.

Como consequência do número de associados da paróquia de Bio Pardinho tornou-se diminuto. Nem sequer se podia falar mais de uma paróquia. Bio Pardinho tinha, exclusivamente para si, um pastor. A questão do salário, em anos passados de dificil solução, nos anos vindouros ainda mais grave se tornou. Era de transcendental importância manter o número de associados.

Pastor Klasing deixa nossa Comuna e depois de muitas investigações encontrou-se um novo pastor, disposto a assumir o cargo vago.

Pastor Heinrichs foi festivamente investido de suas funções em 10 de julho de 1910, com a assistência dos pastores Sudhaus, Haman e Sellins.

Surge a questão, que, depois de 10 anos, após disputas, às vezes acesas, teve a sua solução.

A NOVA CASA PAROQUIAL

A Igreja sofreu uma reforma em 1897. Xo ano de 1888 falou-se de uma construção nova, que o cemitério tinha sido renovado. A casa paroquial que o pastor Smidt em seu relatório classificou de "'modesta" no ano de 1880, foi renovada e reformada. Porém, todas as reformas desta casa, provavelmente construída pelo ano de 1860, não a fizeram nova. Pastor Heinrichs pediu demissão após 3 anos devido a negação de um pedido de aumento de orde- nado e as más condições da casa paroquial.

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Novamente surdiram as dificuldades para encontrar um pastor. Em uma assembleia da comunidade de Rio Pardinho, no ano de 1913, o sr. Theodoro Gressler declarou, em nome da Sociedade Escolar Alto Rio Pardinho que a mesma não m - is pretendia entregar o magistério ao pastor. Consta mais no protocolo deste ano: "Com a supressão da Escola entra em foco a questão da moradia que deve ser resolvida de vez, construindo-se uma casa paroquial condigna. "Um grande número de membros da comunidade votou por uma construção próxima à Igreja porque, com a supressão da escola, não havia mais motivo razoável, deixar a moradia no lugar da construção antiga. Quanto aos direitos de posse na casa paroquial e nas terras é o seguinte: Ambos pertencem à Sociedade Escolar, a qual os entregou para usofruto da Comunidade Evangélica, a casa e a parte sul do terreno, enquanto permanecer a sede paroquial (em caso contrário retornará a terra e a casa à Sociedade Escolar). Se a Comunidade Evangélica encontrasse, nas proximidades da Igreja, uma terra apropriada, seria indicado adquirir os direitos de corporação, para evitar possíveis futuros aborrecimentos... "Aqui neste protocole nota-se ponderação e sagacidade. Eoi secretário deste protocolo o prof Christiano Smidt.

Foi o novo pastor, que assumiu suas funções em 25 de maio de 1913, o sr. pastor Mordhorst. Aceitou a colocação nova sob a condição de que a nova casa paroquial seria construída em breve. Muito se falou e muitas idéias foram apresentadas. A propriedade do sr. Eduard Lau estava à venda e porisso desejava-se realizar a aquisição deste imóvel. Na assembleia Geral ordinária de 1914 foi tratado o neces- sário, devendo cada membro desembolsar $ 10.000. Em 12 de março a diretoria noticiou por um anúncio no Jornal "Kolonie" que a partir de 1.° de abril começaria a cobrança da importância de $ 10.000, por associado, p* ra a compra do referido imóvel. Esboçou-se porém uma corrente de opinião contrária e em 23 de maio de 1914 realizou-se uma assembléia geral extraordinária, estando na presidência o pastor Sudhaus, presidente desta região sinodal. Novamente entra em votação a aquisição do imóvel do sr. Lau, estando a favor 49 membros, votando em contrário 44 associados. Ficou assim decidido de adquirir esta pro- priedade, conforme a resolução da Comunidade Evangélica. Iniciou-se imediatamente a cobrança da contribuição per capita, até que o sr. Eduard Lau declarou que não mais desejaria vender sua propriedade, devolvendo-se então as importâncias cobradas. Pastor Mordhorst demitiu-se em 1.11.1914.

Dois pastores se retiraram por motivos, ligados à casa paroquial. Os dois sucessores foram: Johannes Angelus Krainowitsch (13.12.1914 a maio de 1920) e pastor Johannes Zwick (13,2.1921 a março de 1923). A substituição de maio de 1920 a fevereiro de 1921 ficou a cargo de Pastor Lechler de Santa Cruz.

Corriam ainda os anos da primeira guerra mundial. A Comu- nidade doou em 1915 a importância de f 100. 000 para a Cruz Vermelha. Em 1917 Linha Verão (Fruehlingstal) desliga-se de Rio Pardinho.

A resolução, por parte da Comunidade, de construir uma casa paroquial não se encontra nos assentamentos do livro de protocolo. Mesmo assim esta casa é construida no local da residência antiga, local

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este pertencente à Sociedade Escolar. Em 10 de agosto de 1920 é lançada a pedra fundamental. Quando, em fevereiro de 1921, apresentou-se o sr. pastor J. Zwick, ainda não estava completamente construída e por esse motivo teve de residir durante alguns meses em uma casa vizinha. A construção tornou-se uma bela e grande casa paroquial. Foi assim resolvida esta questão e de uma maneira como nunca deveria ter sido resolvida (Vide protocolo da assembleia geral da Comunidade do ano de 1913).

0 sucessor do psstor Zwick, pastor Dannert, chegou aqui em junho de 1923, após uma curta substituição pelo pastor Schweinitz de Sinimbu. Após P. Kíasing que de 1899 a 1910 exerceu aqui suas funções sagradas, os pastores seguiram-se em curtos intervalos. E assim ainda continuaria. Com zelo e dedicação o P. Dannert exerceu aqui suas funções. Pelas festas missionistas dos anos de 1925, 26, 27 e 28 procurou elevar e reanimar a vida eclesiástica, deixando porisso uma boa recordação aqui. Com profunda emoção lembro uma carta, escrita após a segunda guerra mundial e lida pelo pastor durante o culto na qual narrou as necessidades e as tristezas, durante e após a guerra, e as muitas lágrimas que se verteram. Quando- então se fez circular um prato de mão em mão e de banco em banco, uma apreciável soma foi doada aos necessitados que tudo perderam.

Durante a sua gestão também foram doados os pistões por Albert e Luiz Panke, Os mesmos porém ficam em poder a família Panke, podendo ser usados, sempre que necessário, para festividades da Comunidade. Em 29 de outubro de 1926 realizou-se o primeiro ensaio, seguido de outros.

Foi sucessor de P. Dannert o sr. P. Schuetz, depois que este deixou, em 24 de março de 1928 Rio Pardinho, para voltar à Alemanha, tendo-lhe antecedido nesta vir j em sua esposa. P. Schuetz exerceu suas funções somente até abril de 1930. Pressentiu o tempo das grandes reuniões de assembleia da Comunidade e não desejava estar presente as mesmas, nm setembro de 1930 veio P. Freisslich, pastor dos "Altos (Alto - Riopardinho) . Seu culto de despedida rezou após 3 anos, em 3 de maio de 1933. Na Páscoa de 1931 veio pastor Regling, pastor dos "Baixos" (Baixo - Riopardinho). A substituição de maio de 1933 à páscoa de 1931, esteve a cargo do P. Hoffmann de Rio Pequeno. Mesmo que conhecesse bem a situação aqui, não lhe foi possivel guardar a necessária neutralidade, acontecendo-lhe o que aconteceu aos pastores que o precederam e sucederam. P. Regling deixou a comuna em Natal de 1935. Depois de uma substituição de um ano pelo P. Hillert, em setembro de 1936, veio para o P. Kummer. Aceitou no próximo ano um convite para Santa Cruz. Em outubro de 1937 encontra-se aqui P. Eberhardt. Em breve segue-se o tempo da nacionalização. Em 1912 a 1944 é substituído por P.' Hillert e P. Gothe. Desde julho de 1944 P. Loefflad exerceu as funções de ministro de Deus aqui em Rio Pardinho.

O CEMITÉRIO ANTIGO NÃO MAIS PODE SER RENOVADO

Em assembléia geral do àno de 1928 a Comunidade viu-se deante de um problema: O cemitério em breve não mais comportaria novos defuntos. Foi apresentada a sugestão de que Travessão Dona Josefa e

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Alto Riopardinho deveriam organizar os seus cemitérios próprios. Um ano mais tarde a diretoria foi incumbida de investigar um terreno próprio para a organização dum cemitério e apresentar na próxima reunião propostas. Um aumento para os fundos encontrou oposição, porque algumas famílias temiam que sua água potável pudesse ser contamine da. Alto Rio Pardinho resolveu agora organizar o seu cemitério próprio, encontrando nos imóveis da Sociedade Escolar um terreno apropriado. Em 1.° de fevereiro de 1931 o mesmo é inaugurado. Quando a questão do cemitério em Alto Rio Pardinho se estava concretizando, fez-se nova tentativa de conseguir um cemitério único para toda Rio Pardinho. procurando-se solucionar ao mesmo tempo a questão da casa paroquial. O imóvel de Pagel, agora propriedade de Ferdinand Tietze estava para ser vendido. A casa deveria servir como residência do pastor e nos terrenos do fundo deveria ser organizado o cemitério novo. Esse plano deveria ser votado em assembléia geral extraordinária em novembro de 1930. Era a reunião na qual o sr. Theodor Pittelkow, antigo presidente da Comunidade Evangélica, "queimou sua última pólvora*', retirando-se da diretoria da Comunidade e não mais se interessando pelos assuntos, ligados à Igreja. O plano de adquirir este imóvel foi rejeitado com 98 contra 36 votos.

É ORGANIZADO O NOVO CEMITÉRIO

Apezar de ter Alto Rio Pardinho o seu cemitério particular faltava lugar no cemitério antigo. Xo ano de 1935 os moradores circunvizinhos do cemitério permitiram um aumento do mesmo por 3 carreiras de túmulos. Porém essas três fileiras em breve estavam ocupadas e como não havia mais espaço foi encontrada outra solução. Eram e são ainda hoje substituídos túmulos antigos por novos, mesmo que isso por muitos fosse considerado indigno. No ano de 1941 Traves- são Dona Josefa queria organizar o seu cemitério individual em imóveis de Hermann Ramm, falhando porém esse propósito. No ano de 1948 estavam os moradores deste travessão decididos definitivamente organizar o seu cemitério, para evitar a longa jornada e as dificuldades decorrentes da grande distância. Depois de todas essas dissidências uma idéia nova se apoderou dos moradores desta região: Rio Pardinho não se deve dividir mais, mas as três regiões Alto Rio Pardinho, Raixo Rio Pardinho e Travessão Dona Josefa devem se unir. Essa união somente é possivel onde as três regiões se limitam o que é nas proximi- dades da vila que se está formando a partir de 1929. Encontrou-se um lugar apropriado e os moradores de Dona Josefa concordaram em abandonar os seus projetos de cemitério próprio, para colaborar na organização deste cemitério regional. Em assembléia geral extraordinária de 25 de setembro de 1948 a Comunidade resolveu adquirir parte de um móvel de Adolf Panke, para o fim, acima citado. Em 18 de outubro de 1948, por ocasião do enterro da sra. Garmatz, procedeu-se à inauguração do cemitério. Nada por então ainda existia, nem siquer um cercado ou ajardinamento. Em breve porém este quadro desolador mudou radical- mente com a formação da associação que zelava pelo cemitério. Essa associação em breve contava com mais de 100 associados. O belo ajardinamento de cemitério, aliás o mais belo e melhor cuidado das redondezas, devemos em grande parte ao dinamismo do atual presidente

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desta associação. Este imóvel, em que está localizado o cemitério é a única propriedade imobiliária da Comunidade Evangélica.

Chegamos assim ao término da apresentação da história de nossa Comunidade. A segunda metade do século vè-se deante uma questão ainda pendente, a construção de nova igreja. Oxalá tenhamos aprendido do passado que paixões ou desejos individuais não devem prevalecer, tratando-se de assuntos da Comunidade. Somente acribia, c ompetência e ponderação podem delinear e nortear o nosso procedimento.

OS PASTORES DA COMUNIDADE NO PRIMEIRO SÉCULO (1 8 5 2 1 9 5 2)

Wolfram

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Weise

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Klein

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P. Bergfried .

louu

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Substitutos:

tr. r alk, f. bmiclt . .

lo/ 1

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P. Smidt

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P. Funke . . .

loyo

i ©no

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Subst. :

P.

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P. Klasing . . ,

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1 01 o

íyiu

P. Heinrichs

1910

1913

P. Mordhorst

1913

1914

P. Krainowitsch

1914

1920

Subst. :

P.

1920

1921

P. Zwick

1921

1923

Subst. :

P.

1923

P. Dannert

1923

1928

P. Schuetz

1928

1930

P. Freisslich

1930

1933

Subst. :

P.

1933

1934

P. Regling

1934

1935

Subst. :

P.

Hillert

1935

1936

P. Kummer

1936

1937

P. Eberhardt

1937

1942

Subst. :

P.

Hillert, P. Gothe . .

. 1942

1944

P. Loefflad

1944

1952

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DIE EVANGELISCIIE KIRCIIENGEMEINDE VON RIO PARDINHO

Lhe Evangilische Kirchengemeinde von Rio Pardinho war da, ais die ersten evangelischen Menschen mit Bibel, Gesangbucfa und Grebet- buch diesen Boden betrr.ten. ais sie die Hãnde falteten und um den Segen Gottes fins das neue Land balou, ais sie christliche Lieder sangen und dicse Lieder ihnen Kraft und Mui gabei] fur den sehweren entbehruns- reichen Anfang, ais sie ihre Bibelu in die Hand nalnnen, die sie gewiss nicht umsonst milgehracht Ir tten, ais sie ibre Andachtsbúcher aufschlu- gen und ibre Seelen stárkten aus tieíen Qtiellen, da war die ^vangelische Kirche da in Rio F*ardinho. Da isl Kirche, wo MenscheD oach Grott fra- gen und den Willen baben, Ibm in Treue anzuhangen. Wena auch man- che Bibe] unbenutz! im Kasten oder in der Truhe liegen blieb, so gall sie doch ais heiliges Buch, und ais heilig und Qotwendig galten den meis- ten die kirchlichen Handlungen wie Taufe. Einsegnung, Trauung und kirchliche Beerdigung.

So war der Wunseb und der von Anfang an da: Wir miissen

einen Pfarrer haben, oder wenigstens einen Mann, der die kireblichen Dienste verrichtet. Solche Lente fanden sieh auch. Ais erster, der hier Pfarrdienste versah, wird Wolfram genannt, der ehemalige Unteroffi- zier und spátere Pfar- Rio Pardinho gehal-

rer von Porto Alegre. r ten. Spàter 1873

Paulina Zuther. geb. am 17. Márz 1857, getauft am 17 Sepiember 1857 bemerkt, dass die Taufe von H. Pf. Wolfram vollzogen wurde. Im Márz 1858 trifft Dr. Robert Avé-Lallemant, der in dem Jahre die Kolonie San-

Er reitet so wird 1853 beriebtet in der Kolonie herum, konfirmierend. trau- end und íaufend. Ei- ne zeitlar wann und wie lange ist unbekannt hat er auch Schule in Unter

hat er in Teresa gewohnt und heute noch heisst ein Rach dort der Wolframs- bach. ím Taufre- gister unserer Ge- meinde ist bei der Taufeintragung von Johanna Wilhelmine

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/

ta Cruz hereiste und einen Reisebericht schrieb, Wolfram an. Er schreibt in seinem Bericht: "Gleich hinter São Nicolau stiess ein Herr Wolfram zu uns, der sich mir ais evangetíscher Geistlicher vou Santa Cruz vor- stcllte. ein gefàlliger. freundlicher Mann, der mich jedoch in der nách- sten Viertelstunde zur uberzeugung brachte, dass er nicht Tbeologie stu- diert habe". Etwas spãtér schreibt er: "Wegen der Pastorenfrage be- fand sich Santa Cruz bei meinem Aufenthalt gerade an einem Wende- punkt. Wolfram war ais Xichttheologe erkannt worden und sollte Schullehrer werden".

Im Jahre 185Õ kam ein anderer Mann nach hier, der Pfarrdienste versah. der Pfarrerssohn Carl Weise. Seine drei Schwàger, die drei BriiderGressier. waren drei Jahre friiher ais Erst-Einwanderer gekom-

men. Carl Weise nahm Wohnung bei seinem Schwager Rudolf Gressler. Dort soll er auch in der ersten Zeit Gottesdienst gehalten ha- ben. Auch Svhule hat er gehalten. Er wird im Protokollbuch der Schulgemeinde von l nter-Rio Pardinho ais der erste Lehrer ge- aannt. Seine Hauptarbeit in der ersten Zeit waren wohl die Pfarrdienste in der ganzen i nigebung. Ein Pfarrer hat spáter eine Tau- fe im Tauf register unserer Gemeinde nach- vj ..^ getragen. námlich das Kind Lau Julius. Es

V wurde getauft am 24. April 1860 durch Pfar-

sp W ver \\'cínc. (So im Original) Ais Taufpaten

^ ' ~ ?SÊt%ÊF sind angegeben Dr. med. Julius Laurent und

Friederike Schneider (geb. Xinnemann). Noch im Jahre 1864 hat er kirchliche Dienste versehen. Sonst lebte er zuriickgí zogen. Er mit seinen Schwestern wird sich wohl úberlegt haben, ob er nicht nur aus- hilfsweise und der Xot gehorchend. sondem aus freiem Willen hier Pfarrer sein und werden sollte. wie es so viele mit weniger Vorkennt- nissen hier im Lande getan hatten und noch taten. Doch iegte er den Gedanken beiseite. Er, der Sohn des Pfarrers und Oberpfarrers von Kosmar hatte eine zu hohe Achtung vor dem Pfarrberufe.

Im Jahre 1862 ist ein neuer "Pfarrer" hier: H. A. Klein (*). Was war dies fúr ein Mann? Pfarrer Dannert, 1923 bis 1928 Pfarrer in Rio Pardinho, hat manches gesammelt und erfragt. Er schreibt: Klein war Kolonist. Er wohnte auf verschiedenen von ihm in Rio Pardinho ge- mieteten Kolonien. Er reiste nach Deutschland, ohne seine Frau, geb.

(*) Hugo Alexander Klein kaufte Kol. X.° 5 A Sinimbu hn Jahre 1857. Auch Kolonie 75 C war in seinem Besitze.

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Burghardt, mitzunehmen. Sein Versprechen, sie nachkommen zu las- sem, hat er nicht gehalten'\ Dazu nuiss aber doch ergãnzt werden: Er hat das erste Kirchenbuch in unserer Gemeinde angelegt, und Taufen, Trauungen, Konfirmationen und Beerdigungen so eingetragen, dass man hinter ihm niehr ais einen Kolonisten vermuten darf; ja, man muss annehmen, dass er schon vorher Kirchenbiicher gefúhrt hat, also schon vorher anderswo Pfarrer war. Auch fúhrte er einen Kirchenstempel,

iriií dem er die Taufscheine versah. Fúr die ordentliche Fiihrung der Kírchenbucher danken wir ihm. Er, H. A. Klein, verrichtete nachweis- lich Amtshandlungen von Mai 18G1 (wahrscheinlich schon Oktober 1860) bis 18()5 in Rio Pardinho, Querpikade, Vila Teresa, Pie. St. Andreas, Bethaus der evangelischen Gemeinde zu Santa Cruz, Bethaus der 2. ev. Gemeinde in der Pikade Rio Pardinho, Bethaus in der 3. ev. Gemeinde zu Rio Pardinho, Botucaraí, Paredão de Santa Cruz, São João. (Unter Bethaus ist wohl das Haus zu verstehen, in dem er in ge- wissen Abstánden die Amtshandlungen, wie Taufe und Konfirmationen, verrichtete. Wahrscheinlich trug er, wie auch Carl Weise, keinen Talar und wénn Gottesdienste gehalten wurden, dann wohl in der Art einer Bibelstunde) .

Doch die Zeit des Pfarrer-Spielens, die Zeit des Pseudopfarrertums war voriiber. Die Gemeinde Santa Cruz und mit ihr auch unsere Ge- meinde wollten richtige Pfarrer haben. Santa Cruz ergriff die Initiative und bat Herm Pastor Dr. Borchard, Pfarrer in São Leopoldo, der zu- gleich Verbindungsmann mit der deutschen Kirche war, hierherzukom- men, "um hier die nòtigen Amtshandlungen zu verrichten und die Be- rufung eines Geistlichen aus Deutschland fúr die hiesige Gemeinde zu vermitteln". Er kam im November 1864 und bespricht das Nõtige: Wohnungsfrage, Gehaltsfrage, Gemeindeverband und anderes. Der neue Pfarrer sol! te seinen Wohnsitz in Santa Cruz nehmtn und die Gemeinden Rio Pardinho und Alt-Pikade mitbedienen.

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Das Jahr 1865 vergeht. Man erwartet den Pfarrer. (Zu den Jah- resxahlen 1865 - 1866 siehe Anmerkungen am Schluss des Berichtes). Er kommt am 8. Márz 1866 in Santa Cruz an. Nun erst hat es Zweck, dic Gemeinde zu sammeln, ihr eine Ordnung zu geben und ein Gottes- haus zu bauen. Xoch im selben Mjonat findet die Griindiingsversamm- lung der Kirchengemeinde Rio Pardinho statt. Das Grúndungsprotokoll der Kirchengemeinde soll im Worilaut folgen. Es soll auch die Namen derjenigen aufbewahren, die die Gemeinde gegriindet haben, den Be- schluss gefasst haben eine Kirche zu bauen, die dann auch bald gebaut svurde. Es liegt an den Xachkommen, das, was die Váter damals ge- griindet, zu erhalten und weiterzufiihren.

Was du ererbt von deinen Vátern hast, Erwirb es, um es zu besitzen.

Dieses Gõthewort gilt auch uns.

Erste Eintragung im Protokollbuch unserer Gemeinde:

Im Márz 1865 (1866 s. Anni.) sind die evangelischen Gemeinde- mitglieder von Rio Pardinho, der sogenannten Neuen Pikade, zum Zweck der Bildung einer evangelischen Kirchengemeinde zusammemge- treten, und haben sich iiber nachstehende Paragraphen geeinigt und die- selben anerkannt:

§ 1. Es wird ein Haus gebaut von 27 Fuss áusserer Front, und 43 Fuss áusserer Tiefe, mit der Bestimmung, Gottesdienst und Schulun- terricht in demselben abzuhalten.

§ 2. Das zu erbauende Haus kann niemals seiner Bestimmung entfremdet werden.

§ 3. Bei dem Bau des Hauses hat sich jeder Theilnehmer gleich- mássig an Geld und Arbeit zu beteiligen.

§ 4. Alie geleiteten Arbeiten werden taxiert, und kònnen daher spáter eintretende Mitglieder nur dann aufgenommen werden, wenn sie den dafiir zu bestimmenden Betrag entrichten, ausgelegtes Geld mit inbegriffen.

§ 5. Die Gemeinde verpflichtet sich, den von ihr erwáhlten Pfar- rer Herm Pfarrer Hermann Bergfried, zunáchst fúr die Dauer von fúnf Jahren, ais ihren Seelsorger anzuerkennen, und zur hiesigen Kirchen- kasse, ais Beitrag zum Pfarrgehalt jáhrlich sechs Milreis zu entrichten, und jeden andern Prátendenten von ihrer Kirche fernzuhalten.

§ 6. Die Kirche wird gebaut auf einem von den Xachbarn Wil- helm Pittelkow, Friedrich Schulz, Johann Jahn und Friedrich Lau Sen. geschenkten Stúck Landes, welches heute, in Gegenwart der Gemeinde abgegrenzt wurde.

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Voistehende Parai* rafen sind in der heutigen Gemeindeversamm- lung verlesen. und durcfa eingenhãndige Unterschrift eines jeden Ge- meindemitgliedes ais giiltig anerkannt worden.

Friedrich Schulz. Rudolf Gressler. Albert Gressler. Hermann Henschke. Wilhelm Pittelkow. Friedrich Lau Sen., Gottfried Borchardt, Richard! Zuther. Heinrich Strohm. Benno Quoos, Karl Berger, Carl Kessler. Wilhelm Spode. Richard Weber. Heinrich Seidel. Wilhelm Rieck. Carl Brust. Carl Lau. Jacob Brust. Carl Grawundf r, Michael Kirst. Carl Knod. Wilhelm Ristow. Daniel Rieck. XicoJaus Metzger, Albert Ristow. Frantz Keller. Peter Wáchter. Franz Wàehter, Frie- drich Karl Glitzenhirn. Heinrich Merten. Wilhelm Scherer, Michael Scherer. Albert Panke. Wilhelm Jãger, Christian Zwicker, Gottfried Trarbach. Karl Molz. Michael Trarbach. Johann Jahn. Gottfried Rusch, Julius Lau. Friedrich Lau Jun.. Abraham Heinrich, Jacob Kunzer, Adam Engelmann. Carl Genehr. Friedrich Bõnemann, Ferdinand Kath. Jacob Scherer. Heinrich Vich. Friedrich Iser.

Den 25. Dezember 1870. Eingetragen von Rudolf Gressler zur Zeit Cassierer.

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Der erste Pfarrer, Pfarrer Bergfri-3d kommt an

Was fiir unsere Vorfahren die Ankunft des ersten Pfarrers be- deutcte mõgen wir daraus ersehen, wie er empfangen wurde. Pfarrer Dr. Borchard kam im Márz 1866 mit zwei Pfarrern die kurz vorher aus Deutschland gekommen waren, hier an. Der Tag ihrer Ankunft

war bekannt. "Eine Légua von San- ta Cruz entfernt wurden sie von 200 Reitern darunter alie Kirchcnvor- síánde mit den landesúblichen Ehren, wie Revolver geknatter und dergleichen, empfangen' . Da wer- den auch unsere Vorsteher dabeige- wesen sein, Henschke, Gressler, Jahn, Plttelkow, Zwicker, Kintzer, Ber- ger, Petry, Rieck, zusammen mit ali den andcrn, und dieser Tag ist gcwiss ein grosser Festtag gewesen. Einer von den zwei Pfarrern, die Dr. Borchard mitbrachte, war Hermann Bergfried, unser Pfarrer. Am 11. Márz wurde er in Santa Cruz, dem Pfarrsitz der drei Gemeinden Santa Cruz, Rio Pardinho und Alt Pikade P. Bergfried, der erste Pfarrer eingefúhrt. Der andere Pfarrer, den von Santa Cruz, Alt Pikade und Or. Borchard mitbrachte, war Pfar- Rio Pardinho. rer Smidt.

Die Kirche in Dona Josefa

Pfarrer Smidt kam zunáchst so berichten die alten Chroniken nach Dona Josefa. Dort hatte Dr. Borchard bei seinem Besuch am 16. November 1861 die Kirche eingeweiht. Sie steht heute nicht mehr, doch ist der Ort noch bekannt, an dem sie stand: "die Kirche, ein einf aches, húbsches, aus Fachweík mit Lehm aufgefúhrtes Gebáude, mit einem Turm, und auf der Turmspitze ein deutscher Wetterhahn,, "denn so war es bei uns zu Hause", sagten die Kolonisten. Am Naehmittag des Kirchweihtages fand die Einweihung des Friedhofs und eine grosse Anzahl von Taufen statt. Auf der Generalversammlung dieses Tages wurde ein Pfarrbezirk gebildet aus den Pikaden Dona Josefa, Ferraz, Andreas und São João mit insgesamt 120 Famílien". Zu diesem Pfarr- bezirk gehõrte auch Travessão Dona Josefa, der Teil, der jetzt mit Un- te r- und Ober-Rio Pardinho die Gemeinde Rio Pardinho bildet.

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Grundsteinlegung und Bau der Kirche in Rio Pardinho

Doch nun zuriick zu unserei* Gemeinde und zu unserm Pfarrer Bergfried. Bei seiner Ankunft in Santa Cruz und bei seiner Einfúhrung dort werden ihn viele von hier begrússt haben und ihm pine freudige Mitteilung gemacht haben: Wir wollen eine Kirche bauen und bald den Grundstein dazu legen. Vielleicht wurde an diesem Tage schon der Tag der Grundsteinlegung festgesetzt. Es sollte der 17. April des Jahres 1866 sein. (s. Anni.) Die Grundsteinlegung fand auch an diesem Tage statt. Die ganze Kirchengemeinde und viele Fremde waren anwesend. Wenn etwas angefangen wird. so soll es auch rasch zu Ende gefiihrt werden. Es wurde fest gearbeitet. In 41 2 Monaten war die Kirche fertig und konn- te am 9. September desselben Jahres eingeweiht werden. Ein stolzer Tag fúr die Lente von Rio Pardinho und ein Freudentag. Unter denen, die sich mitfreuten, war auch unser Pfarrer Bergfried. Gibt es doch keine grõssere Freude fiir einen Pfarrer ris wenn es vorwàrts geht in der Gemeinde. Wie seiner Freude Ausdruck geben? Er will auch etwas

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opfern. Was hat er bei sich? Sein Pferd, mit dem er geritten kam. "Er lâsst es zugunsten des Kirchbaues verlosen; es bringt 160 Milreis statt des reguláren Wertes von 32 Milreis". Aber was soll zu dieser Zeit ein Pfarrer ohne Reittier? "Ein Brasilianer, dessen kranke Tochter er behandelt hatte, sehenkte ihm ein neues Reittier".

Nun soll die zweite Eintragung im Protokoll unserer Gemeinde folgen:

Das Gehalt des Herm Pfarrers Hermann Bergfried wurde fúr die ersten fúnf Jahre jáhrlich auf 892 Milreis festgesetzt, wovon jáhrlich fúr Hausmiete 192 Milreis bezahlt wurde; ferner wurde fúr eine Trau- ung 4 Milreis, fúr eine Taufe 2 Milreis, fúr eine Beerdigung 2 Milreis und fúr eine Konfirmation 4 Milreis festgesetzt.

Den 17. April, 1865 (1866 s Anm.) wurde der Grundstein zum neuen Gotteshause im Beisein des hw. Pfarrers, der ganzen Kirchenge- meinde und vieler Fremden gelegt, wobei kirehliche Feierlichkeit statt- fand. Den 9. September d. J. wurde dasselbe eingeweiht, nachdem jedes Mitglied, ausser Maurer und Zimmerleute, welche von der Ge- meinde bezahlt wurden, seehszehn Tage daran gearbeitet hatte. Die zunáehst bei der Kirehe wohnenden Mitglieder nahmen die Arbeitsleu- te wie Maurer, Zimmerleute und Tisehler unentgeldlich in Kost, aus- serdem lieferten die Mitglieder vom Rio auf gerechnet bis zu Gottfried Rusch, die Schindeln zur Kirche, und zahlten dieselben noch ehe der Bau begann, 6 | 200 Reis fúr Brettersehneiden. Dann wurde noch aus- gegeben fúr Maurer, Zimmerleute und sonstiges Zubehõr 2.232|380 Reis.

Zur Besoldung des hw. Pfarrers Hermann Bergfried gehõrt noch die Kirchengemeinde in Fachinal und der sogenannten alten Pikade.

Rudolf Gressler.

Pfarrer Bergfried wohnte zunachst in einem von den drei Ge- meinden gemieteten Hause. Die Gelegenheit, ein Pfarrhaus zu bauen ergab sich, ais Herr Ferd. Tatsch bei seinem ^Vegzug im Jahre 1869 zwei seitwárts der Kirche gelegenen Hausplátze zum Bau eines Pfarr- hauses hinterliess. Die Gemeinde Santa Cruz war bereit zu bauen und die beiden Filial-Gemeinden Alt-Pikade und Rio Pardinho wurden be- fragt, ob sie zum Bau mithelfen wollten unter der Bedingung, dass das fúr den Bau bestimmte Geld zurúckbezahlt wird, falis eine der Neben- gemeinden aus dem Gemeindeverband ausscheiden sollte. Auch unsere Gemeinde war damit einverstanden und jedes Mitglied von hier zahlte den Betrag von 18 $ 500 Reis. Es waren damals 55 Mitglieder.

(Der Baukontrakt zwischen dem Gemeindevorstand von Santa Cruz und dem Maurermeister Heinrich Schútz ist noch vorhanden).

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Sei t Pfarrer Bergfried hier war, fanden nun regelinãssig alie drei Wocfaén Gottesdieíiste statt, genau so wie in Santa Cruz und der Alten Pikade. Santa Cruz, das damals schon belraehtlich mehr Mitglieder hatte, wiinsckte haufigeren Gottesdienst, àuf Kosten vor aliem der Al- ten Pikade, der an Mitglieder schwãchsten Gemeinde. l)ie beiden Aus- sengemeinden, Alt-Pikade und Rio Pardinho waren damit íiicht einver- slanden. Sc k&m es alimahlich zur Aufspaltung des Gemeindeverbandes. obwohi auf einer Generalversammlung 1871 noch vielfach der Wunseh ausgesprochen wurde d e drei Gemeinden mõchten auch ferner zu einer Parochie vereinigi bleiben.

Diese Trèmiung wurde beschleonigt durch deu Fortgang voii Pfar- rer Bergfried. Schon vorlit r klagt er Qber kôrperlíche ScbwâcTie und auf einer Generalversammlung der drei Gemeinden, am S. Márz 1 <S71 . erkliirl ei' çlefjnrtiv, sein Anil wegen sejner krimkiiehen Konstitulion nichl lfmger yerwaltçn zu kónnen. Von der Verjetzung durcb deu Schlag eines Pferdes, anderswo berichtet, melden die biesigen Quellen nichls. Ks wurde allgemein sehr bedauert, d;;ss der Pfarrer nach íunf .Fabron Dienst hier die Gemeinden verliess, um in seine Heimat zurúckzu- kehren.

K'n Hrief, i n dem er seinen Abschiedsgottesdiest dem Vorstand unserer Gemeinde mitteilt, mag hier dem Wortlaut nach folgou: "An den Vorstand der Evangelischen Gemeinde

Bio Pardinho

Die regnerische Witterung hat uns an dem am letzh erflossenen Sonntag festgestelllen Gottesdienst verhindert. Ieh mõchte aber geme meinen Abschied mit der Gemeinde machen; meine baldige Abreise verhindert mich aber denselben auf einen Sonntag zu verlegen. Folge dieses bin ich bereit, diese Woche Dorinerstag den 11. Mai zu kommen und den Gottesdienst resp. meine Abschiedspredigt zu halten. Bitte dieses giitigst der Gemeinde bekanntzumacben.

Achtungsvoll

Bergfried, Pastor". Santa Cruz, den 8. Mai 1871.

Rio Pardinho tritt aus dem Gemeindeverband aus und sucht einen eigenen Pfarrer

Am 18. Márz 1871, ais es gewiss war, dass Pfarrer Bergfried ge- hen wird, findet hier eine Gemeindeversammlung statt und "der Vor- stand wird durch Gemeindebeschluss beauftragt, der Gemeinde Faxi- nai (Santa Cruz) den Austritt der Gemeinde aus dem bisher bestan- denen G e m e i n d ever b a n d Faxinai, Pdo Pardinho und Santa Cruz (Alt-Pikade) schrif tlich anzeigen und zugleieh ihr dort stehendes Ka- pital von 1.017fõ00 Beis, welches zuni Bau des dortigen Pfarrhauses kon-

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traktlieh von hiesiger Gemeinde eingezahlt wurde, zu kiindigen". Das Geld wird von Santa Cruz zuruekgezahlt und wieder unter die Mitglie- der verteilt.

In der Gemeindeversammlung am 14. Januar 1872 wurde unter anderem folgendes beschlossen:

3. Es wird eine Komission gewáhlt, bestehend im Vorstand und R. Zuther, Kessler, Schulz und Pittelkow, welche beauftragt werden fur die Besetzung des Pfarramtes und des dadurch notwendig gewordenen Baues eines Pfarrhauses zu sorgen.

4. Mit dem Herrn Pfarrer Smidt aus Ferraz zu verhandeln, ob derselbe bis zur Besetzung der hiesigen Pfarrstelle, die hier vorkom- menden Amtshandlugen zu verrichten".

Im selben Jahre, am 10. Juni findet noch einmal eine Gemeinde- versammlung in der Kirche statt. Der erste Punkt war: "Ablegen der Rechnung: Kassenbestand 239|750 Reis".

Ais zweites kam: "Yorstandswahl, dieselbe kam, trotz der de- finitiven Erklárung der Yorstandsmitglieder Rudolf Gresskr, Albert Gressler und Johann Jahn, ihr Amt nicht lànger verwalten zu wollen, nicht zu stande und wurde dieselbe vertagt.

Es wurde beantragt, den Herrn Pfarrer Smidt aus Ferraz einen Gottesdienst in hiesiger Kirche abhalten zu lassen, welches angenommen wurde".

Im nàchsten Jahr 1873 findet keine Gemeindeversammlung statt. An Stelle dessen finden wir eine Eintragung von Hermann Henschke. Erst im Jahre 1874 ist wieder eine Gemeindeversammlung und es werden ganz neue Yorsteher gewãhlt.

Wer diese Protokolle genauer durchliest, dem wird die Frage kommen: Was hat sich in den Jahren 1872 1873 hier abgespielt? Warum wollen die Yorstánde Rudolf Gressler, Albert Gressler und Jo- hann Jahn 1872 definitiv zurúcktreten? Und warum kommt keine Yor- standswahl zustande? Wir versuchen im nàchsten Abschnitt eine Ant- vvort darauf zu geben. Jetzt soviel nur: Dieses Jahr 1873 war eines der entscheidenden Jahre in der Geschichte der Gemeinde, es war das Schick- salsjahr unserer Gemeinde, das Jahr der Trennung von Kirche und Pfarrhaus, das Jahr der Trennung von Rio Pardinho in Unter- und Ober- Rio Pardinho. Wo lag die Schuld? War bõser Wille da, mangelnde Einsicht? War es notwendig, dass es so kam? Die Geschichte soll Lehrmeisterin sein fur die Gegenwart. Wir heutigen, nach 80 Jahren, sind dabei, entweder diese Trennung entgúltig zu beseitiger. oder aber diese Trennung entgiiltig zu vollziehen. So wie wir entscheiden, wird die Zukunft werden. Das galt damals. Das gilt auch heute.

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WT i r beenden diesen ersten Abschnitt, "Freipfarrertum und Filiale vou Santa Cruz", ilidem wir noch einiges naehtragen und kom- men dann zum zweiten Abschnitt: "Rio Pardinho, Pfarrbezirk"

Wohçr stanimen unsere Abendmalsgerale und das Taufbecken? .

"Don 9. Mai 1869 erhielt die Kirehengemeinde durch Yermittlung des Herra Pfarrer Bergfried von FreundeD der Kirche aus Rheinpreussen siiberne Abendmalsgerátschaften bestehend in Weinkanne, Kelch und Hòstiénteller. An demselben Tage, ein dergleichen von Neusilber beste- hend aus Kelch und Hòstiénteller von Frí. Clara Ciressler an íhrem Trau- ungstag".

"Deu 27). Dezember 1870 erhielten abermals durch Vermittlung des Herra Pfarrer Bergfriéd von Freunden der Kirche aus Rheinpreus- sen ein silbernes Taufbecken".

Am 22. Márz 1871 reist Pfarrer Bergfried von Santa Cruz ab. Mit der Xeubesetzung des Pfarrbezirkes ging es nicht so rasch, wie man glaubte. Herr Pfarrer Smidt wird, so ga\ es eben ging, von Ferraz aus im Pfarrbezirk Santa Cruz vertreten haben. Auch die Gãmeiftde Rio Pardinho musste ; bwarten. da der Synodalpràsident Pfarrer Klein- giinter, der Naehfolger von Dr. Borchard, erklári hatte, er kõnne fíir die drei Gemeinden Santa Cruz, Rio Pardinho und Alt Pikade nur einen Geisthchen aus Deutschland berufen. Die Stiminung jedoch der Gemein- demitglieder aus Santa Cruz ist die. einen Pfarrer fiir sich allein zu haben und entspricht damit der Stimmung hier, ebenfalls einen Pfarrer fiir Rio Pardinho zu haben.

Am ersten Januar 1872 tritt Pfarrer Falk, der vorher in Santo Ângelo war, seinen Dienst in Santa Cruz an. Am 7. Januar 1872 wurde auf der Gemeindeversammlung von Santa Cruz besprochen und dann auch den Gemeinden Pikade Santa Cruz und Rio Pardinho mítgeteilt, dass Santa Cruz Pfarrer Falk fiir sich allein behalten mõchte; dass sie es aber gera sehen wiirden, wenn sich deren Mitglieder an der Ge- meinde Santa Cruz anschliessen wiirden, wogegen Herr Pfarrer Falk 4 6 Mal des Jahres fiir altere und kránkliche Mitglieder C ottesdienste in der Pikade abhalten wiirde. Die Aít-Pikade weist diesen Vorschlag zunãchst zuriick, nimmt ihn aber dann doch an, da sie fúr sich allein zu schwach ist. Rio Pardinho weist ihn jedoch zuriick, bittet aber die Gemeinde Santa Cruz fúr das Jahr 1873 um Vertretung durch ihren Pfarrer. Santa Cruz willigt in die Vertretung ein so lange, bis Rio Par- dinho einen eigenen Pfarrer hat. So wird Rio Pardinho von Mai 1871 bis Mai 1873 von Pfarrer Smidt und Pfarrer Falk bedient.

Pfarrbezirk

Die Gemeinde Rio Pardinho stand in den Jahren 1872 bis Mitte 1873 vor drei Fragen, die zu lõsen waren.

1. - Wie einen Pfarrer bekommen, da der Prásident des Synodal- vorstandes fúr Rio Pardinho keinen Pfarrer zur Verfúgung stellen konnte?

2. Mit welchen Gemeinden einen neuen Pfarrverband (Pfarrbe- zirk) bilden, da Rio Pardinho allein keinen Pfarrer nnterhalten konnte?

3. Wohin das Pfarrhaus bauen?

Am einfachsten wãre es, wenn man den Naehbarpfarrer, Pfarrer Smidt von Ferraz gewinnen konnte, hierherzukommen. Dann wiirden ohne weiteres São Joào und. Sinimbu, die ja zum Pfarrbezirk Ferraz gehõrten, sich dem neuen Pfarrbezirk Rio Pardinho iinschliessen. Vielleicht auch noch Linha Andreas.

Im Auftrage der Gemeinde suchten Rudolf Gressler und Richard Zuther Herrn Pfarrer Smidt persõnlich auf, um ihm die Pfarrstelle Rio Pardinho anzubieten. Pfarrer Smidt sagte zu. Das Pfarrhaus soll- te in der Xáhe der Kirche gebaut werden. Ein Teil des Rauholzes lag schon bereit. Da kauften sieben Mánner von Ober-Rio Pardinho Land mit einem dar auf stehenden Haus fúr Schulzwecke, verei nbar teu mit Pfarrer Smidt, dass er auf das Schulland zu wohnen komme und neben seinem Pfarramt auch Schule halte die Kinder von dort gingen bis- her in die Schule an der Kirche, was etwas weit war .

Sie holten, ohne den Leuten von Unter-Rio Pardinho etwas zu sagen am 1. Juni 1873 mit ihren Wagen die Pfarrfamílie nebst Umzugs- gut aus Ferraz ab. Dieserhalb entstand eine grosse Verstimmung in Unter-Rio Pardinho. Ais P. Smidt den ersten Gottesdienst hier halten wollte, war die damals noch turmlose Kirche verschlossen. Johann Jahn hatte den Auftrag, den Schliissel nicht herauszugeben. Er wollte den Auftrag auch ausfúhren, liess sich aber nach einer unerquicklichen Scene den Schliissel doch abnõtigen. Ais Grund fíir die Niehtverstándi- gung mit Ober-Rio Pardinho wurde angegeben: "Weil die da unten im- mer alies allein gemacht, und wir mussten immer klein beigeben, haben wir auch mal allein gemacht". Was hatten die Unteren alies allein ge- macht, was die Erbitterung der Leute von Ober-Rio Pardinho hervor- gerufen hatte? Sie hatten, obwohl auf der Kirchenkolonie nicht gebaut wurde, trotzdem die Kirche nach Unter-Rio Pardinho hingestellt. Sie hatten die Kirchen- und Schulkoloníe verkauft und mit dem Erlõs fiir sich ein Schulhaus gebaut. Nun wollten sie auch noch das Pfarrhaus dort haben. Sie wollten alies fiir sich haben. Und dagegen wehrten sich die Leute von Ober-Rio Pardinho, freilich auf eigenwillige Art.

"Es wurde aber bald Einigkeit erziehlt. Unter-Rio Pardinho stimm- te dem Wohnen des Pfarrers in Ober-Rio Pardinho zu, weil man es ais vorteilhaft empfand, dass so die Pfarrhausfrage schon geregelt war.

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Gemeinsam arbeitete mau an dem vou Pfarrer Smidi bezogeneíi Kolo- nistenhause, indem man es ausbesserte imd mit einer Veranda versah".

Im Jahre 1873, also noch in demselben Jahre, schlossen sich die Gemeinden São João. Sinimbu und Frúhlingstal an Rio Pardinho an. Travessão Dona Josefa wird nicht genanni aber gewiss lõssie sich diese Kolonie sofort von der Gemeinde Dona Josefa ah und wurde vou Rio Pardinho aus bedient. Im Jahre 1875 schloss sich auch die Pikade An- dreas hier an. Der Pfarrbezirk Rio Pardinho hatte somit ím Jahre 1875 seine grõsste Ausdehnung. Ende desselben Jahres jedoch Irat die Ge- meinde Andreas wieder ans vom Pfarrbezierk und schloss sich an die Gemeinde Santa Cruz an.

Pfarrer Smidi wohnte nun in dem der Schulgemeinde Ober-Rio Pardinho gehõrigem Pfarrhaus. Alles gehõrte der Schulgemeinde und gehôrt es auch heute noch. Im Jahre 1895 wurden die Besitzverhãltnisse in einem rechtsgultigeu Kontrakt. der auch heute noch i>ilt. festgelegt, "dass ein Teil des Schullandes mil den darauí befindlichen Gebãulich- keiten dem helref fendeu cvangelischen Pfarrer von Rio Pardinho ohne jegliche Mietsentschãdigung zur Verfúgung gestéllt wird. Sollte jedoch die Kirchengemeinde Rio Pardinho den Pfarrsitz verlegen, fãlll das Land mit sámtliehen Benfeitorias ohne jegliche Reklamation wieder an die Pri- vat-Schulgemeinde zurúck".

Wir stehen noch im Jahre 187.'). Pfarrer Smidt sammeli die Kinder von Ober-Rio Pardinho. (lie zum Teil bisher die Schule an der Kirehe be- sueht hahen und hãlt im Pfarrhaus Schule. Es beginnt nun die 23 Jahre wàhrende Wirksamkeit von Pfarrer Smidt im Pfarrbezirk Rio Pardinho mit den Nebengemeinden São João und Sinimbu. Diese beiden Gemein- den waren ja schon von Ferraz aus seine Gemeinden seit 1866. In São João war schon eine Kirche seit 1867 und in Sinimbu wurde die Kirehe gebaut, ais Pfarrer Smidt schon in Rio Pardinho war im Jahre 1875.

Cber sein Lehen und seine Tãtigkeit lassen wir ihn selber berichten. Im Jahre 1880 schreibt er úber seine Gemeinde an Dr. Rorchard.

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Pfarrer Smidt und Gemahlin Pfarrer von Ferraz, Dona Josefa, Rio Pardinho, Linha Andreas, Sinimbú und Vennâcio Aires.

(Er liegt begraben auf dem Friedhof von Rio Pardinho).

"Rio Pardinho zàhlt 80 Mitglieder. Eine noch Verháltnis kleine Kirche, ein schõner Friedhof, zwei Schulháuser und ein bescheidenes Pfarrhaus zeichnen die Pikade vorteilhaft aus. Der kirchliche Sinn ktònnte besser sein; aber ich clanke meinem Gott, ich habe stets eine gefiillte Kirche. Die Schule wird von 80 Kindern besucht. Die eine Schule mit 34 Kindern wird von mir, die andere von meinem Schwager, A. Laurent, Regierungslehrer, gehalten. Wir geben táglich fúnf Stun- den Unterricht.

Von Rio Pardinho wenden wir uns nordwestlich, wir reiten durch das Rio-Tal an stattlichen Háusern und blúhenden Plantagen vorbei und kommen nach zweistúndigem Ritt nach Sinimbu. Der erste Rlick fàllt auf die grosse stattliche Kirche; es ist die schõnste und grõsste, die es in Santa Cruz gibt. obwohl noch Turch und Glocken fehlen. Dem Pastor wird warm unis Herz, wenn er dort predigen muss und die vielen Wagen mit den stolzen Pferden dahertraben sieht. Todesstille empfãngt uns beim Eintritt in die Kirche; Kopf an Kopf erhebt sich die Gemeinde; die Kin- der verbeugen sich respektvoll. Die schõne Liturgie, die von der Ge-

I i ^^^àÊsàiài^LkíM -

meinde gesungen wird, lásst uns ganz vergessen, dass wir in Brasilien sind. Die Gemeinde zàhlt zwischen 50 und 60 Mitglieder, hat einen sehr kirchlichen Sinn und mehrere wahrhaft fromme Personen, die zu beten verstehen. DerVolksmund nennt diese Gemeinde das "heilige Viertel". Ma- teriell hat sich diese Gemeinde vorteilhaft entwickelt, viele húbsche Háu- ser mit europàischer Einrichtung treffen wir hier.

Von hie# aus wenden wir uns westlich nach São Joào. Hohe Rerge, einige stattliche Háuser, in der Mitte ein freundliches Kirchlein, bilden diese Gemeinde. São João hat keine Zukunft und hat sieh deshalb auch nicht vergrõssert. Die Gemeinde zãhlt 20 bis 30 Mitglieder. Der kirchliche Sinn kõnnte besser sein, obwohl ich durchschnittlich 50 bis (50 Personen in der Kirche habe.

In jeder Gemeinde wird das heilige Abendmahl zweimal gefeiert, und ich darf wohl sagen, dass die Teilnahme eine lebendige ist. In Si- nimbu gehen stets mehr ais 100, in São João 30 bis 40 und in Rio Par- dinho 40 bis 50 Personen zuni heiligen Abendmahl. Es werden jãhrlich 30 bis 40 Kinder konfirmiert, 50 getauft, 0 bis 8 Paare getraut, 4 bis 0 Personen beerdigt".

Pfarrer Smidt war rastlos und unermúdlich in seinem Dienst. Er schreibt weiter: "Rastlos iíiní> es stets vorwârts. Kálte und Hitze wech- selte, bald warm, bald nass, zuletzt erlag ich der Anstrengung. Vor 4 Jahren verlor ich fast das Gesicht. ich litt daran ein halbes Jahr, dann wurde es besser. aber Schlaflosigkeit stellte sich ein; ich fiel in ein hef- tiges Nervenfieber, auch davon erholte ich mich. Aber vor 1 1 Monaten bekam ich einen Magen- und Darmkatharr, der mich gánzlich aufztilõ- sen schien. Ich war zu einem Skelett geworden und erwartetc jeden Tag den Tod. Ich habe in dieser Zeit viel Liebe erfahren . . . Sehr viele sind zusammengekommen und haben fur mich gebetet. Mein Gehalt wàh- rend der sieben Monate meiner Krankheit wurde mir auf die zarteste AYeise zugeschickt . . . Seit Mai kann ich wieder predigen und mein Amt versehen".

Weitere Daten und Ereignisse seines Lebens bis zu seinem Tode am 3. Februar 1901 ersehen wir aus der Eintragung im Todesregister unserer Gemeinde.

"Christian Smidt, Pfarrer, geboren in Emden, Ostfriesland. theologisch ausgebildet im Missionshaus zu Rarmen, am 22. Oktober 1865 feierlich abgeordnet in der Kirche zu Wupperfels ais Prediger und Pastor unter den evangelischen Deutschen in Súdbrasilien, kam 1866 ais Pfarrer nach Linha Ferraz, nachden er am 16. Februar desselben Jahres im Auftrag der rheinischen Missionsgesellschaft durch P. Dr. Rorchard in São Leopoldo ordiniert worden war, verheiratete sich am 16. 2 1867

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mit Anna Barbara Schwarz, die ihm sieben Kinder schenkte, von denen fúnf ihn úberlebten, kam 1873 ais Pfarrer nach Rio Pardinho, amtierte hier bis 1896, dann bis 1899 in Venâncio Aires, kehrte 1899 ais emeritus von dort nach Rio Pardinho zuriick, um seinen Lebensabend in der Fami- lie seines àltesten Sohnes, des Lehrers Christian Smidt, zu verbringen. Geistig frisch, bis zum letzten Augenblick war er kõrperlich in den letz- ten Jahren sehr schwach gewesen. Ein uberaus sanfter, schneller Tod fúhrte ihn aus einem Leben treuester Pflichterfúllung, begeisterte Hin- gabe an seinen Beruf hinuber in die ewige Heimat.

Bei der Beerdigung waren zugegen die Pfarrer Klasing, Hildebrand, Sudhaus, Kull, Dedekind".

Wir haben iiber Pfarrer Smidt viel berichtet. Wir mõchten da- durch dem Manne sein Grab und das seiner Frau befinden sich auf unserm Friedhof eine Dankesschuld abtragen, dem Manne, der unter schwersten Verháltnissen 23 Jahre lang Pfarrer von Rio Pardinho, Si- nimbu und São João war und von 1873 bis 1885 noch Lehrer in Ober- Rio Pardinho.

Zum Schluss dieses Abschnittes noch einige Protokolle dieser Zeit.

Protokoll vom 1. Januar 1877.

In der heutigen Versam mlung wurde die Jahresrechnung vorgelegt und richtig befunden. Das Kapital hat.sich dieses Jahr nicht vermehrt, weil eine neue Kanzel und Altardecke gekauft wurden. Bei der Vorstands- wahl wurde der alte Vorstand wieder gewáhlt. Die Brennholzlieferung ubernahm R. Scherer fiir 72 Milreis.

Carl Berger.

7. Márz 1878.

In der heutigen Gemeindeversammlung wurde von Kessler und Genossen der Antrag der gãnzlichen Freiheit der Konfirmation verlangt und durch Beistand des Herrn Pastor Smidt zum Gemeindebeschluss er- hoben. Infolgedessen traten die Vorstandsmittglieder PiUelkow und Berger vom Amt zuriick.

Carl Berger.

Dieser Beschluss wurde spáter wieder aufgegeben. Jahresversammlung, den 19. Februar 1888.

In der Versammlung wurde Jahresrechnung vorgelegt und richtig

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Pfarrer Alfred Funke

Pfarrer Smidt ubergibt das Pfarraml an [Varrer Funke und der ncue Pfarrer tauft hier das erste Kind am 13. April 189(>. Er kam jung und frisch verheiratet hier an. Erst spáter nac h seiner Rúckkehr nach Deutschland wurde er der bekannte Schriftsteller. Wir wollen in diesem Bericht, weder hier noeh sonstwo, ein Urteil fãllen. Wer das kennt, was cr úber die Bewohner vou Rio Pardinho schrieb und wie er es schrieb wird verstehen, dass er bei manchen hier nichl in all/uguter Er- innerung ist. Spàter in Deutschland gab er deu Pfarrberuf auf und wur- de ais Schriftsteller bekannt unter dein Xamcn Dr Alfred Funke.

Versammlung vom 17. November 1897.

Dieselbe wurde anberaumt wegen dem Chor, in welchcs sich Ter- miten eingenistet hatten, welche sich aher verzogen hatten. Dann wurde beschlossen, die Kirche in Reparatur zu nehmen, was Herr Jahn und Peter Reckziegel annahmen. Dann wurde beschlossen 0 Bánke furs Chor und die untern Bànke etwas abzuschneiden, welche zu lang waren, was Theodor Gressler annahm. Weiter wurde nichts verhandelt und die Versammlung aufgehoben.

Carl Genehr Filho.

Synodalversammlung

Im Jahre 1898 findet die 12. ordentliche Synodalversanimlung hier Jn Rio Pardinho statt. Gegênstánde der Versammlung waren: Lehrer- seminar, Kollekten fúr synodale Arbeit und Unterstútzung vori Diaspo- ragemeinden.

Mitte 1899 verlásst Pfarrer Funke Rio Pardinho. Die Amtshand- lungen versieht der inzwischen alt gewordene Pfarrer Smidt, der bei

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seinem Sohne, dem Lehrer Christian Smidt, wohnt, bis der neue Pfar- rer da ist.

Pfarrer Klasing

Im Oktober 1899 ist , ., . Geschichte unserer Synode

Pfarrer Klasmg in Rio Pardinho angekommen. Es muss ein geistig sehr re- ger Mensch gewesen sein. Eine Zeitlang redegierte er neben seiner pfarramt- lichen Tátigkeit die in Santa Cruz herauskom- mende Zeitung "Die Ko- lonie".

Etwas aus der Geschichte

unserer Synode. p r 1 a s i n g ^oa Vista, Santa Cruz,

Auch spielte er in der * Rio Pardinho. Vila Tere-

sa, Ferraz, Trombudo, Vila Germânia, Agudo, Paraiso, Santa Maria, Ijuí und Neuwurtenberg. Und der Rezirkspráses voni Westbezirk wâr unser Pfarrer, Pfarrer Klasing. Einiges von diesen Streitfragen inner- halb der Synode erwáhnt der Pfarrer auch in einer Generalversamm- lung unserer Gemeinde. Um diesen Streit zu schlichten kam General- superintendent D. Zõllner auf die Synodalversammlung nach Santa Cruz. Bei dieser Gelegenheit machte er auch einen Besuch bei Cristhian Smidt und versuchte eine der Tõchter fúr den Diakonissenberuf zu gewinnen. Weiter ist noch bekannt, dass er auch den inzwischen alt gewordenen Rudolf Gressler besuchte.

Ein hohes Amt bringt auch manche Verlegenheiten mit sich

Pfarrer Klasing war also Práses des Westbezirkes der Synode. Nun sollten auch damals schon Kollekten und Beitráge an die Synode abgegeben werden. Aber seine eigene Gemeinde liess ihn im Stich. Er erklárte in einer Gemeindeversammlung "dass es ihm, ais Práses des Westbezirkes sehr peinlich sei, dass seine eigene Gemeinde schon eini- ge Jahre keinen Beitrag und keine Kollekte fúr die Synode abgegeben habe, und er, der Pfarrer, gab selber aus eigenen Mitteln einen grõsse- ren Betrag.. Aber auch der Vorsitzende der Gemeindeversammlung woll- te sein Mõglichstes tun und erbot sich in den náchsten Goítesdiensten eine Liste aufzulegen ais Kollekte fúr die Synode".

Nun genug vom Pfarrer. Er verlásst im Mai 1910 Rio Pardinho und kehrt nach Deutschland zurúck. Er starb dort am 4. Juli 1930.

:(-o-0-o-) :—

Eine Zeitlang redigierte ge Rolle. Im Jahre 1906 zerfiel die Synode in drei selbstàndige B e z i r k e ,

in den Súd- Westbezirk, Bezirk hatte nen Práses.

, Ost- und und jeder

einen eige- Zum West-

bezirk gehõrten die Ge- meinden Lajeado, Con- ventos, Vena r cio Aires,

befunden. Auf Wunsch mehrerer Mitglieder eine neue Kirche zu bauen, wurde eine Generalversammlung den 26. Februar 1888 beschlossen.

Generalversammlung den 26. Februar 1888. In der Versammlung wurde von vielen Mitgliedern der Antrag gestellt eine neue Kirche oder einen Anbau mit Turm die Kirche zu ver- grõssern. Beide Antràge wurden abgelehnt, es wurde angenommen die Kirche nur mit Ziegeln zu decken . . .

Chr. Zwicker.

Generalversammlung vom 20. Mai 1890.

In der heutigen Versammlung beschloss die Gemeinde einen Turm an die Kirche zu bauen und wurden zur Baukomission Piltelkow, G. Schneider, R. Rieck, C. Berger gewáhlt, welcher die Leitung des Baues úbertragen wurde.

Carl Berger.

Der Turm wurde noch in demselben Jahre gebaut. Er kostete 1.7029600 Reis. Vier Jahre spáter, im Jahre 1891 werden die drei Glocken gekauft. Das Glockenfest wurde bis zum Jahre 1908 am 18. April gefeiert und in diesem Jahre verlegt da es õfter in die Kar- Woche falle auf den 7 September (Der \). September war der Ein- wèihungstag unserer Kirche). Im Jahre 18í)(> wurde der Chor gebaut und im Jahre 18W) das Harmonium angeschafft.

Auch in der Gemeinde regte sich in diesen Jahren neues Leben

Der Friedhof entspricht nicht mehr den Schõnheitsbedúrfnissen der nenen Zeit. Wann dieser Friedhof an der Kirche angelegt wurde ist nirgends crsehienen. Anzunehmen ist jedoch, dass die Anlage des Friedhofes mit dem Rau der Kirche zusammenfãllt. Die aiteste Grnb- platte, die wir heute noch antreffen, tràgt das Reerdigungsdatum 1875.

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P. Mordhorst.

Im Jahre 1909 wurde der Fried- hof sgang geplattet und an die Front nacfy der Strasse Steinpfeiler gesetzt. Die Beiden Steinpfosten am Kirchen- tor wurden zu dieser Zeit auch neu gesetzt. Einer davon, ist Juni 1952 durchgebrochen. Sie warden nicht nur beide von Theodor Pittelkow ge- schenkt, sondem er wolite sie auch unentgeldlich aufstellen.

"Beim Beformations-Gottes- dienst am 3. November 1907 fand sich im Archiv der Kirche ein Kou- vert mit 25$000 Beis ínhalt und der Aufschrift: "Zur Stiftung einer neuen Altardecke". Der Geber hat sich nicht bezeichnet". Im Jahre 1909 kommt die Altardecke an zu- sammen mit einem Geschenk des Frauenvereins Strassburg Metz, eine Altarbibel und ein Krankenkomu- nionsbesteck.

Wer unterhàlt den Friedhof?

Ais im Jahre 1909 die Beparaturen am Friedhof bezahlt werden sollten, erklárten einige Mitglieder vom Fingerhut, die bei unserer Ge- meinde geblieben waren, Ein Teil war 1906 aus unserer Gemeinde aus getreten dass sie nicht bereit seien, diese Friedhofsreparaturen mit- zubezahlen, da sie ja ihren eigenen Friedhof im Fingerhut zu unterhal- ten haben. Der Vorstand sah die Grúnde ein und machte den Vorschlag, eine eigene Friedhofsgemeinde zu grúnden. In einer spàteren Versamm- lung wurde jedoch dieser Vorschlag zuruckgezogen. Es sollte so blei- ben wie es war, dass námlich alie Mitglieder der Gemeinde die Ausgaben fur den Friedhof mitbezahlen sollen. Nur, "eventuelle Aus- nahmen kõnnten bei denjenigen Mitgliedern gemacht werden, welche am Gemeindefriedhof in der Pikade Fingerhut Mitglieder sind".

>_:(.o-0-o-) :—

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Sinimbu wird eigener Pfarrbezirk

In diese Zeit fállt auch ein anderes wichtiges Ereignis. So wie im Jahre 1873 Rio Pardinho sich von Santa Cruz lòste und ein selbstán- diger Pfarrbezirk wurde, so lõste sich im Jahre 1907 Sinimbu mit São

João vom Pfarrbe-

Nun war die Mitgliederzah] des Pfarrbezirkes Rio Pardinho klein geworden. Von Pfarrbezirk konnte man gar nicht mehr sprechen. Rio Pardinho hatte fur sich ganz aliem einen Pfarrer. Die Besoldungsfrage des Pfarrers, die schon vorher schwer zu sein schien, wurde jetzt und in den laufenden Jahren noch schwerer empfunde&. Es galt ietzt an Mitglieder zu halten, was zu halten war. Zwei Gebiete waien unsieher: Das Friihlingstal und der Fingerhut.

F r ú h 1 i n g s t a 1. Im Jahre 1911 bateu die Bewohner von Friih- lingstal, es mòchte dort, da der Weg in die Kirche zu weií sei, jeden Monat ein Gottesdienst stattfinden. Dem wird zugestimmt mit der aus- drúcklichen Versicherung jedoch, dass der Konfirmanden unterricht in der Kirche stattfinden soll. Es waren wohl auch schon Siimmen laut, die dort Konfirmandenunterricht wúnschten.

Auch bierin gab unsere Gemeinde im Jahre 191 G nrch. 1 Im Be- zug der Konfirmanden im Friihlingstal wurde festgesetzt, dass wenn vom Friihlingstal 3 Konfirmanden seien, der Konfirmandenunterricht fur diese dort im Schulhause abgehalten werde". "Die Gottesdienste fur Friihlingstal fanden einige Jahre im Hause von August Ristow, im Saale von Hermann Ristow und im Hause von Helmut Engelmann, Friihlingstal, statt. Aus irgend welchem Grnnde jedoch fanden die Got- tesdienste spàter nicht mehr statt. In einer Gemeindeversammlung am 25. Februar wurde Herrn Wegner vom Friihlingstal, der zugegen war, "we- gen dem Ausfall der Gottesdienste bei RistowT die Zusage gemacht

zirk Rio Pardinho, nachdem diese Ge- ni einden zusammen mit Rio Pardinho 34 Jahre lang einen gemeinsamen Pfarr- bezirk gebildet hat- ten. Am 1. Septem- ber 1 9 0 7 wurde Pfarrer H a m a n n zum ersten Pfarrer des neugebildeten Pfarrbezirkes Sinim- bu berufen.

P. Krainowitsch.

9S

Pastoren: P. Zwick; P. Lechler; P. Sudhaus; P. Schweinitz.

die Friihlingstaler mõchten nur fur ein Lokal sorgen, selbst im Frúh- lingstal und dieselben kõnnten monatlich dort einen Gottesdienst haben und auch alie Amtshandlugen dort verrichtet bekommen ausser der Konfirmation, die hier in der Kirche stattfinden solle. Aber trotz aller Bemúhungen und trotz aller Anstrengungen wurde in der Gemeindever sammlung 1920 festgestellt, "dass wir 13 Mitglieder vom Fruhlingstal verloren haben". Die Hauptverhandlungen fanden wáhrend der Kriegs- zeit statt. Da wollen wir eine Notitz im Protokollbuche festhalten, weil sie uns etwas iiber die Lage wáhrend der Zeit des ersten Weltkrieges berichtet. Die Gemeinde hatte sich auch an den Synodahorstand ge- wendet. "Auf diesen unsern Bericht so steht im Protokollbuch des Jahres 1918 erhielt der Vor stand einen lángeren Bericht in portugie- sischer Sprache vom 10 November 1917 (in portugiesischer Sprache, weil inzwischen Brasilien mit Deutschland in Kriegszustand getreten war

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und die deutschen Zeitungen sowie Briefe nicht mehr zirkulieren durf- ten)".

Ãhnlich erfolglos waren auch díe Bemúhungen iinserer Gemeinde, die Mitglieder des hinteren Fingerhutes fúr Rio Pardinho zu erhalten, bzw. neu zu gewinnen. Es fanden in dem Schulhaus des hinteren Fin- gerhutes Gottesdienste statt. Doch auch diese Anstrengungen dies Ge- biet fur unsere Gemeinde zu gewinnen waren vergebens. Die Mehrzahl blieb bei der Gemeinde von Santa Cruz, einige Mitglieder schlossen sich der Alt-Pikade an und einige der Gemeinde Ponte Rio Pardinho.

Im Jahre 1875 hatte der Pfarrbezirk Rio Pardinho eeine grõsste Ausdehnung (Sinimbu, Andreas). Seitdem sind nur Gebietsverluste zu verzeichnen, bis zum Jahre 1940, ais die Gemeinde Ponte Rio Par- dinho sich £n unsern Pfarrbezirk anschloss. Der Pfarrbezirk hat seitdem eine normale Grõsse und ist somit lebensfáhig geworden.

_:(.O-0-o-):—

Doch wir sind der Zeit weit vorausgeeilt. Wir stehen noch im Jahre 1910. Herr Pfarrer Klasing verlásst unsere Gemeinde. Nach lán- gerem hin und her findet sich fur hier ein neuer Pfarrer, Pfarrer Hein- richs. Er wurde feierlich eingefiihrt am 10. Juli 1910 unter Assistenz von P. Sudhaus, Bezirksvorsteher, P. Hamann, P. Sellins, Direktor. Xun taucht eine neue Frage auf, die erst nach zehnjáhrigem, oft hefti- gem Meinungsaustausch ihre Lõsung finden wird.

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Das neue Pfarrhaus

Die Kirche wurde schon 1897 repariert. Ini Jahre 1888 wurde sogar schon von Neubau gesprochen. Der Friedhof war erneuert. Und das Pfarrhaus, das P. Smidt in seinem Bericht von 1880 schon ais "beschei- den" bezeichnet hatte, wurde renoviert und repariert; aber alies Re- novieren und Reparieren machte das wahrscheinlich in den sechziger Jahren erbaute Haus nicht mehr neu.

Pfarrer Heinriehs kúndigl der Gemeinde nach 3 Jahren schon am 23. Màrz 1913 wegen Nichtgenehmigung einer Gehaltserhõhung und wegen dem schlechten Zustand des Pfarrhauses. In seinem Kundigungs- schreiben an den Vorstand schreibt er unter anderem: "So lange ich hier die Schule halten kann, genúgen die Wohnráumlichkeiten halb- wegs. Doch ist dieser Zweig meiner Tàtigkeit zu unsicher. Gefállt es der Schulgemeinde, eine andere Kraft anzustellen, dann muss ich wei- chen aus den Schulràumen. Das Pfarrhaus ist aber zu eng, dazu so schlecht, fast unverschliessbar und sehr feucht, dass es schlechterdings unmõglich ist, mit Famílie mit vier Kindern darin làngere Zeit zu woh- nen. Fiir ein Dienstmãdchen wâre dann gar kein Raum darin zu fin- den. Ein neues Pfarrhaus will die Gemeinde ja doch nicht bauen, we- nigstens fiir die náchste Zeit nicht".

Nun war man wieder in Verlegenheit und musste nach einem neuen Pfarrer Umschau halten. In einer Gemeindeversammlung des Jahres 1913 erklárte Herr Theodor Gressler im Namen der Schulgemein- de Ober-Rio Pardinho, dass die dortige Schulgemeinde nicht weiter die Absicht habe, dem Pfarrer das Schulamt zu iibertragen. Weiter steht im Protokollbuch dieses Jahres: "Da aber durch den Wegfall der Schule auch die Wohnhausfragen in Betracht kommt, so soll auch darin Wan-

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dei geschaffen werden und ein wiirdiges Pfarrhaus gebaut werden. Ein grosser Teil der Gemeinde aber stimmt ftir den Bau in der Náhe der Kirche, da es ohne die Schule eigentlich keinen Zweck habe, das Pfarr- haus dort zu belassen. Mit den Eigenlumsrechten an dem Pfarrhaus und Land steht es auch so, dass die Eigentúmerin die Schulgemeinde ist und der Kirchengemeinde das Haus und die súdliche Hálfte des Landes zur freien Benutzung úberlassen hat, solange der Pfarrsitz dort bleibt (Wiedrigenfalls sowohl Haus und Land an die Schulgemeinde zurúck- fàllt). Wenn die Kirchengemeinde in der Xàhe der Kirche ein passendes Stúck Land finden wúrde, so wàre es, um spãter Unannehmlichkeiten zu vermeiden, angebracht, dass die Kirchengemeinde in erster Stelle Korporationsrechte erwiirbe ..." Hier, in diesem Protokoll í^prach Ver- nunft und Einsicht. Der Schriftfuhrer dieses Protokolls war Christian Smidt, der Lehrer.

Der neue Pfarrer, der am 25. Mai 1913 eingefúhrt wurde, war Pfarrer Mordhorst. Er nahm die Stelle an unter der Bedmgung, dass das neue Pfarrhaus in nicht allzulanger Zeit gebaut wúrde. Nun werden viele Plane geschmiedet, viel verhandelt, viel besprochen. Das Eigen- tum von Eduard Lau war zu verkaufen. Da sollte zugegriífen werden. In der Generalversammlung 1914 wurde das Nõtige besprochen und je- des Mitglied sollte 40|000 bezahlen.

Pfarrer Schútz und Gemahlin

im eigenen Auto

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Am 12. Márz maehte der Yorstand durch Anzeige in der "Kolonie" bekannt, dass un 1. April mit ém Einkassierung von 108000 pro Mit- glied zuni Kaul' des Landes begonnen werden soll. Es setzt eine Gegen- stròhmung ein. Am 23. Mai 1914 findet eine ausserordentliehe Gemein- deversammlung statt, unler Anwesenheit des Kreissvorstehers Pfarrer Sudhaus. Es wird noch einmal abgestimmt, ob das Anwesen von Lau gekauft werden soll. Mit "ja" stimmen 40 Mitglieder, 44 mit "nein". AIso das Anwesen wird gekauft. Das ist Gemeindebeschluss. Mit der Einkassierung des Geldes wird begonnen. Sehliesslich erklarte Eduard Lau sein Eigentum behalten zu wollen. Die bereits bezahlten Betràge werden zuriickerstattet. Pfarrer Mordhorst legt sein Amt nieder am 1. November 191 L

Zwei Pfarrer gehen wegen der Pfarrhausfrage. Die beiden Nach folger waren: Johannes Angelus Krainowitseh (13. 12. 1914 bis Mai 1920) und P. Johannes Zwick (13. 2. 1921 bis Márz 1923). Die Ver- tretung von Mai 1920 bis Eebruar 1921 hat P. Leehler aus Santa Cruz.

Wir stehen noch in den Kriegsjahren. Die Kirchengemeinde stif- tet 191T) 100|060 fiirs Rote Kreuz. Im Jahre 1917 trennt sich - - wie schon erwahnt Friihlingstal von Rio Pardinho.

Ein Gemeindebeschluss, ein neues Pfarrhaus zu bauen, findet sich im Protokollbuch unserer Gemeinde nicht. Es wird aber gebaut auf dem alten Platz, auf dem Platz, der der Schulgemeinde gehõrt mit aliem was darauf steht. Am 10. August 1920 wird der Grundstein ge- legt. Im Februar 1921, ais der Pfarrer J. Zwick hierherkommt, ist es noch nicht ganz fertig. Er wohnt noch einige Monate in einem Xachbar- hause . Es wurde ein grosses und schõnes Pfarrhaus gebaut. Die Pfarr- hausfrage ist nun gelòst; aber so gelõst, wie sie niemals bãtte gelõst werden durfen. (Siehe Protokoll der Gemeindeversammlung des Jah- res 1913).

Der Nachfolger von P. Zwick, P. Da;mert kommt nach kurzer Vertretung durch P. Schweinitz Si- nimbu — im Juni 1923 hier an. Nach Pfarrer Klasing, der 1899 bis 1910 blieb, waren die Pfarrer gekom- men und gegangen. Und so sollte es auch weiter ge- hen. Eifrig war P. Dannert hier tátig. Durch die Mis- sionsfeste 1925, 1926, 1927 und 1928 suchte er das kirchliche Leben in der Gemeinde zu heben und zu be- leben. Er ist noch in guter Erinnerung hier, Mit Riih- rung erinnere ich mich noch eines Gottesdienstes nach Ende des zweiten Weltkrieges, in dem ich einen Brief von ihm vorlas er lebt noch in Deutschland in welchem er von den Xõten wáhrend des Krieges und der Nachkriegszeit schrieb, wie da manche Tràne ver-

P. Freis^lich

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gossen wurde. Und ais dann ein Teller.von Hand zu Hand und Bank zu Bank ging, wurde eine ansehnliche Summe gesammelt.

In die Zeit von Pfarrer Dannert fàllt auch die Stiftung der Posau- nen durch Albert und Luis Panke. Die Posaunen bleiben im Besitz der Familie Panke, , stehen jedoch zum Blasen fúr kirchliche Zwecke je- derzeit zur Verfúgung. Am 29. Oktober 1926 war der erste tvbungsa- bend und seit der Zeit bliessen manchmal die Posaunen.

:(-o-0-o-):—

Die Pfarrer von 1920 bis heute

Nachfolger von P. Dannert, der am 24. Márz 1928 Rio Pardinho verliess, um naeh Deutschland zuruckzukehren seine Frau war schon vorher gefahren war P. Sehútz. Er blieb nur bis April 1930.

Er ahnte wohl schon die Zeit der kommen- den grossen Gemeindeversammlungen und wollte dabei nicht anwesend sein. Im Sep- tember 1930 kam P. Freisslich, der Pfar- rer der "Oberen". Am 3. Mai 1933 hielt er nach nicht ganz drei Jahren seinen Ab- schiedsgottesdienst. Ostern 1931 kam Pfar- rer Regling, der Pfarrer der "Unteren". Die Vertretung von Mai 1933 bis Ostern 1931 hatte Pfarrer Hoffmann (R. Pequeno). Obwohl er die Lage hier kannte, war es auch ihm nicht mõglich wie den Pfar- rern vor und nach ihm neutral zu blei- ben.

Pfarrer Regling verliess die Gemein- 1^ fW%$f^:$M c^e Weinachten 1935. Nach einem Jahr

l Vertretung durch Pfarrer Hillert kam Sep-

\ | % | » HBBa tember 1936 Pfarrer Kummer nach hier.

mBSÈm Er folgte im náchsten Jahre August 1937 einem Rufe nach Santa Cruz. Im Oktober 1937 ist Pfarrer Eberhardt hier. Es folgte bald die Zeit der Nationalisierung. 1912 bis 1944 wird er vertreten durch Pfarrer Hillert und Pfarrer Gothe. Seit Juli 1944 ist Pfarrer Lõfflad Pfarrer von Rio Pardinho. Er kúndigte am 24. August 1952 und wird Ende des Jahres Rio Pardinho verlassen.

Pfarrer Regling

Der alte Friedhof kann nicht mehr vergrõssert werden

In der Gemeindeversammlung des Jahres 1928 sah sich die Gemein- de vor eine neue Frage gestellt: Der Friedhof wird bald zu klein werden.

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Ks wurde (lie Anregung gemacht, Travessão Dona Josefa und Ober-Rio Pardinho mòchten sich ihren eigenen Friedhof anlegen. Ein Jahr spà- ter wurde der Vorstand beauftragt, Umschau nach einem passenden Gelãnde íur die Anlage eines Friedhofes zu suchen und in der nàchsten Yersammlung Vorschlãge zu machen. Eine Vergrõsserung nach hinten

stòsst auf Widerspruch, da emige Fami- lien befúrchten, dass ihr Trinkwasser da- durch nngeniessbar werden kõnnte. Ober- Rio Pardinho entschliesst sieh nun, einen eigenen Friedhof anzulegen. Auf dem Schulland liegt ein passendes ^tiick Land. Er wurde am 1. Februar 1931 eingeweiht. Ais die Friedhofsanlage in Ober-Rio Par- dinho schon geplant war, wurde noeh- mals ein Versuch gemacht, fur ganz Rio Pardinho einen gemeinsamen Friedhof zu behalten und damii zugleich die Pfarrhaus- frage zu lòsen. Das Pagersche Anwesen, jetzt im Resitz von Ferdinand Tietze, war zu kaufen. Das Haus sollte, so war der Plan, Pfarrhaus werden und hinten auf dem Land sollte ein neuer Friedhof ange- legl werden. Tber diesen Plan sollte ab- gestimmt werden auf einer ausserordentli- chen Gemeindeversammlung im Novem- Pfarrer Kummer ^er 1930. Es war die Versammlung, wàh-

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rend der der langjáhriger Prásident der Kirchengeníeinde Theodor Pit- telkow sein "letztes Pulver ver- schoss", aus dem Kirehenvorstand austrat und sich nieht mchr fúr Kir- chenangelegenheiten interessierte. Der Plan, dieses Grundstúck zu kaufen wurde mit 98 gegen 36 Stimmen ab gelehnt.

Der neue Friedhof wird angelegt.

Trotzdem Ober-Rio Pardinho

seinen eigenen Friedhof hatte, fehl-

te es doeb auf dem alten Friedhof an

Platz. Im Jahre 1935 genehmigten

die Anwohner des Frieuhofes eine

Vergrõsserung um 3 Gràberreihen.

Aber aueh diese drei Reihen wurden

belegt. In den folgenden Jahren wur- den und werden heule noch alte Grà- ber ausgegraben, um fúr neue Platz zu schaffen. Dieses Tun wurde sehon immer von vielen ais unwurdig empfunden. Im Jahre 1941 woll- te Travessão Dona Josefa einen eigenen Friedhof anlegen auf eineni Stúck Land von Hermann Ramm. Doeh wurde dann nichts daraus. Im Jahre 1948 jedoch waren die Lente dort fest entschlossen, nun endlieh mit dem Ausgraben und mit dem langen Weg nach dorthiu Sehluss zu

Fíarrer Eberhardt.

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Das neue Pfarrhaus erõaut im Jahre 1921

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machen und einen eigcnen Fried- hof in Travessão Dona Josefa an- zulegen. Nun endlich, nach ali den Zersplitterungen, trai ein neuer Gedanke in das Bewusstsein: Rio Pardinho darl sich niehl noeh mehr zersplittern, sondem die drei Teile Unter-Rio Pardinho, Ober-Rio Par- dinho und Travessão Dona Josefa, mússen zusammengehaiten werden. Und die drei Teile kõnnen nur zu- sammengehalten werden an dem Punkt, \vo sich Unter-, Ober-Rio Pardinho und Travessão Dona Jose- fa treffen, in der Gegend der "Vila", die sich vou 1929 an gcbildet hatte. Es wurde da ein passendes Stíick Land fur einen Friedhof gefunden. Die Rewohner von Dona Josefa fan- den sich bereit, hier an diesem Fried- hof mitzuhelfen und ihren Plan, ei- nen eigenen Friedhof anzulegen, fal- len zu lassen. In der ausserordentli- chen Gemeindeversammlung vom 25. September 1948 beschloss die Ge- meinde, ein Stúck Land von Adolf Panke f úr Anlage eines Friedhofes zu kaufen. Ani 18 Oktober 1918, anlãsslich der Reerdiguiiíí von Frau Garmatz, land die Einweihung statt. Noch war keine Anlage, keine Umzáunung da. Aber von da an ging es rasch vorwárts. Ein Friedhofs- verein bildete sich. Raid hatte er úber 100 Mitglieder. Die schõne An- lage des Friedhofes, des schõnsten Friedhofes weit und breit, verdan- ken wir vor aliem der tatkráftigen Fúhrung des gegenwártigen Prási- denten des Friedhof-Vereins. Dieses Stiick Land, auf dem der Friedhof liegt, ist das einzige Eigentum der Kirchengemeinde.

Pfarrer Lõfflad,

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Nun sind wir am Ende der Dar- stellung der G e- s c h i c h t e unserer Gemeinde ange- langt. Das zweite Jahrhundert s i e h t sich vor eine neue F r a g e gestellt, die der Lõsung harrt, der F r a g e des neuen Kirchbaues. Mõchten wir doch aus der Vergangen- heit lernen, . dass nicht Leidenschaften oder eigene Sonder- wunsche massgebend sein diirfen bei der Lõsung der Gemein- de - AngeJegenheiten, sondem klare Ver- nunft, Kenntniss und Einsicht in das W e- s e n unserer

Gemeinde. :(-o~0-o-):—

Der heutige Kirchen-Vorstand: Luitpold Muller, Arno Gress- ler, Adolf Gressler Filho, Hermann Radtke, Arno Kath, Ro- bert Rieger und Pfarrer Lõfflad.

Nachtrag

Neben dem Protukollbuch unserer Gemeinde und anderen Verõffentlichun- gen (Hõrmeyer, J. Bittencourt de Menezes, Paulo Gressler, Westphal Sinimbú, Reisebericht Avé Lallemand) stand uns auch das Protokollbuch der Kirchenge- meinde Santa Cruz zur Verfiigung, wie auch das Buch "Brasilien und Wittenberg" von Dr. F. Schròder, dem wir manches entnommen haben.

Ais Griindungsjahr der Gemeinde und ais Jahr des Kirchbaues haben wir das Jahr 1866 angegeben, obwohl in unserem Protokollbuch (ais Nachtrag aus dem Jahre 1870) das Jahr 1865 ais Griindungsjahr und Jahr des Baues der Kirche angegeben ist. Wir haben uns dazu entschlossen, weil P. Bergfried erst im Jahre 1866 hier ankam und nach unserer Protokoll-Eintragung anzunehmen ist, dass P. Bergfried bei der Einweihung der Kirche zugegen war, was in "Brasilien unú Wittenberg" bestátigt wird.

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Kirehenehor Rio Pardinho

Kirehenehor Rio Pardinho

(Dirigent und Grunder P. Heinrichs - 1910)

Der Kirehenehor Rio Pardinho wurde im September 1910 von Pfarrer Heinrichs gegrundet. An Hand einer Photographie aus dem Jahre 1911 kann man folgende Personen angeben, die, wenn auch nicht ais eigentliche Grunder so doch ais Mitbegrunder des Ruhmes gelten kõnnen den dieser Chor errang. Es sind folgende Sànger und Sángerinnen Ar- mando Pittelkow. Theodor Pittelkow, Willi Solf, Adolfo Bartz, Luiz Pan- ke, Eduardo Gressler. Lina Heringer. Ottilie Jochims, Regina Gressler Elisa Frõmming Dillinghaussen, Idalina Herberts, Leopoldina Lau Seibeí Holdina Berger Seibel, Maria Bieri Smidt, Mathilda Jandrey Panke Mi- na Panke, Emma Rieck Kath. Cristiano Smidt, Ricardo Kath, Frau P Heinrichs und Kinder, Amalie Scherer, Hedwig Frõmming Berger, Hedwig Bugs Bender, Amanda Hentschke, Elsa Herberts Fiirstenau, Elsa Bugs, Frõmming. Paula Frõmming Franke, Amanda Bugs Frõmming, Herlinda Panke Oliveira. Maria Smidt Deistel. Frieda Gressler, Hilda Gressler Elisa Jahn Pittelkow, Irma Smidt Jakobus, Emilia Jahn Timm, P. Heinrich.

Der Chor wurde zuerst von P. Heinrichs geleitet und die ersten Lieder, die gesungen wurden. waren, soweit erinnerlich : Danket dem Herm; Nach der Heimat; Hosiana . . . ; Ehre sei Gott in der Hõhe; Seele, dein Heiland ist frei von den Banden. Diese Lieder waren alie aus der Pilgerharfe ausgewàhlt.

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Nach P. Heinrichs wurde der Chor von Lehrer Smidt bis zum Jahre 1928*geleitet. Zu Lehrer Smidfs Zeiten stand der Kirchenchor auf wirklich beachtlicher Hõhe, welches nicht zum geringen Teil Verdienst seiner úberaus musik - und gesangbegabten Gattin war. So wurde dem Chor samt Leitung besondere Anerkennung gelegentlich der Einweihung der Santa Cruzer Stadtkirche am 30. November 1924 entgegengebracht. Gesungen wurde : Wenn der Herr einst die Gefangenen Zions erlõsen wird (Ps. 126) und gemeinsam mit Santa Cruz und Tereza: Die Himmel rúhmen des Ewigen Ehre.

Dem im Jahre 1928 verstorbenen Lehrer Smidt folgte Lehrer Wandel ais Chordirigent bis zum Jahre 1936. Im September 1935 wurde in einer entsprechend ausgestalteten Feier das 25 jáhrige Bestehen des Kirchenchores begangen.

Von 1936 an wurde der Chor von Lehrer Bartels geleitet, bis dann in der bekannten Nationalisierungskreise alies Deutsche verboten wurde, und dadurch auch der Chor, aus Mangel an geeignetem Noten- material, stillgelegt wurde. Pfarrer Eberhardt suchte den Chor wieder in's Leben zu rufen; doch leider war ihm kein Erfolg beschieden. Erst spaeter, ais das Leben wieder auf der Kolonie erwachte, sammelten sich die Sánger unter der Leitung von Arno Gressler. Ab Oktober 1948 (Kreis-Singetag in Tereza) haben die Chore von Ober und Unter-Rio Par- dinho bei grõsseren Festen in brúderlicher Eintracht gesungen.. Ausser dem Singen in Tereza sind noch folgende Ereignisse besonders zu erwáhnen; Schwester Johannas Abschied und die Einweihung der neuen majestàtischen Kirche in Sinimbu, die Einweihung der neuen Kirche in Ponte Rio Pardinho, Kreissynode 1952 in Santa Cruz, sowie alie grõsseren kirchlichen Feiern in unserer Gemeinde.

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Histórico Resumido da Sociedade Escolar de Rio Pardinho - Baixo.

A povoação e colonização de Rio Pardinho, bem como a Sociedade Escolar, tiveram o seu inicio com a chegada dos primeiros imigrantes alemães no ano de 1852. A estes imigrantes que eram na totalidade agricultores, foi doado pelo agente do governo, Sr. Pedro Kleudgen, uma colónia destinada para fins de comunidade escolar e religiosa. Os pio- neiros de Rio Pardinho, após alguns anos de luta com o sertão, fundaram a Com. Evang. Escolar. Como sala de aulas servia-lhes a igreja, antes construida. Serviram ésta Sociedade Escolar até o ano de 1882 os se- guintes professores particulares a saber : Karl Weise, von Brocke, Richard Weber, Zimmer, Pastor Smidt e Laurent. Wolf ram, Weber e Laurent eram professores 'licenciados". Eles percebiam no ano 1886 dos cofres pro- videnciaes uma gratificação mensal de 44$444, que, depois, foi elevada a 60$000. Do Sr. Weber transcrevemos, a seguir, a respetiva licença : O Conselho Diretor da Instrução Publica da Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul. Concede nesta data a Ricardo Weber, licença para ensinar particularmente na Colónia de Santa Cruz, matérias do ensino do 1.° gráo, por se ter mostrado para isso habilitado no exame a que respondeu, em virtude do que mandou passar-lhe a presente Portaria de liçença, que vai assinada por seus membros. Sala das sessões do Conselho Diretor em Porto Alegre 31 de Julho de 1868. Eu Joaquim Manoel de Azevedo Jú- nior, Secretario, o escrevi. Dr. Luiz da Silva Flores. João Rodrigues Fa- gundes. José Maria de Andrade. Diogo Francisco Cardoso.

No citado ano de 1882, reuniram-se os agricultores para delibe- rarem sôbre uma construção que serviria de aula e casa de moradia para o professor. Sendo pobre a maioria dos colonos e a colónia que haviam recebido, conforme contrato com o governo, estar à sua disposição, e não tendo lugar apropriado para a construção, resolveram informar-se junto às autoridades sôbre uma possivel venda désta e compra de outra parte menor de terras, para o dito fim, o que logo foi aprovado pelo govêrno. Recebeu a autorização para a venda e a compra o Sr. H. Henstchke. Conforme os colonos haviam calculado, tiveram uma regu- lar soma de dinheiro de sobra, construiram o prédio escolar, inclusive casa de moradia para o professor, com mais facilidade.

Eis aqui os dados principais; Venda da colónia doada: 3:765$770

Construção do prédio : 4:091$000

Compra da chácara para escola : 300$000

Escrituras : 15$770 Forno, bancos, carteiras, mapas, mesa,

cadeira para escola, etc. : 305$380

J.S

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Conforme ata duma reunião desta Sociedade Escolar, em 1882 o professor Laurent passou a ser professor público e em junho do dito ano deixou esta escola. Em novembro do mesmo ano apresentou-se o pro- fessor Hugo Dahinten para lecionar, sendo ele também professor público. Estes dois professores, por serem funcionários públicos, foram gratifica- dos com 200$000 anuais, mas comprometeram-se a pagar a quantia de 72$000 de aluguel para a moradia. Na reunião de 30 de dezembro de 1883 a sociedade Escolar resolveu; por unanimidade, a) ceder gratuita- mente a casa de moradia ao professor além da mencionada gratifica- ção, b) Todo aquele que não era sócio desta e mandava filhos à escola tinha a obrigação de contribuir com 200 réis mensais para a sociedade, para aluguel do lugar.

c) À novos sócios foi fixada uma joia de 7$000. Na reunião de 17 de janeiro de 1892, desta sociedade, foi deliberado so- bre a excavação de um poço, o qual, poucas semanas após, estava pronto. O custo do poço, de 22 pés de profundidade, foi de 178$720. Os mem- bros désta Sociedade contribuiram com 4$000, cada um. Também nesse mesmo tempo fizeram reformas na residência do professor e ficou assen- tado que cada membro que não pagaria logo a sua parte, dos gastos acima, o faria com 100% de aumento quando precisaria da escola. Sendo a residência do professor pequena e necessitando ele de mais espaço, ésta Sociedade Escolar amentou-a com uma varanda, que importou em 1:643$700 rs. Contribuiram 66 sócios com 25$000, cada. Isto foi no ano de 1894. Segue uma parte da ata de 13 de janeiro de 1901 traduzida tex- tualmente : Logo após foi falado sôbre a necessidade de renovar a casa escolar, visto ela se encontrar em péssimo estado, da qual o governo se considera possuidor (dono) e por esse motivo desde 1893 não paga mais aluguel para o professor, apesar da Sociedade Escolar ter pago todas as construções, renovações, etc, e também porque todos os requerimentos da Sociedade como do professor, procurando direitos jurídicos sôbre sua propriedade, foram em vão, resolveram registrar seus estatutos afim de com eles possuirem mais direitos. Ofereceu-se então o professor público Christiano Schmidt, para fazer a tradução dos ditos e após esse trabalho, foi ele a Santa Cruz falar com o tabelião Sr. Vasco de Azevedo e como Inten- dente sôbre "Direitos de Corporação". Entrementes os estatutos foram regis- trados e publicados na "Federação" e da denominação de "Comunidade Evangélica Escolar", pelos direitos de corporação, passou-se a chamar "So- ciedade Escolar da Linha do Rio Pardinho". Eis aqui - os estatutos.

ESTATUTOS

da "Sociedade Escolar" da Linha do Rio Pardinho.

CAPITULO I Da Sociedade e seus fins: -

Art. Io. A comunidade evangélica escolar existindo desde 1860 nesta Linha do Rio Pardinho municipio de Santa Cruz e regendo-se até então por estatutos particulares, constituindo-se atualmente; juridicamente passa a denominar-se "SOCIEDADE ESCOLAR".

Art. 2o. A sociedade tem por fim: § Io. Visar por todos os meios ao seu alcance, para que não falte professor que instrução aos filhos dos sócios désta sociedade.

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§ 2.° Providenciar para que não falte casa de moradia como mais cómodos necessários ao respectivo professor.

§ 3o. - Auxiliar quanto possivel para facilitar o ensino, cultivando no espírito dos alunos o amor ao estudo e obediência ao dever.

§ 4o. - Recompensando os alunos, promovendo, se achar a- dequado, festas escolares ou outros meios de estimulo.

Art. 3.° Todos os gastos e trabalhos necessários para este fim serão feitos coletivamente por todos os sócios.

CAPITULO II

Dos sócios:

Art. 4o Todo sócio da antiga comunidade evangélica escolar é 'ipsofacto" sócio desta "SOCIEDADE ESCOLAR".

Art. 5o. O chefe de familia que fixar, mais tarde, domicílio neste distrito e mandar filhos a escola desta sociedade è sócio concor- rendo com as contribuições estipuladas em Assembléia Geral.

Art. 6o. O chefe de familia residente neste distrito e que não tiver filhos para mandar á escola è sócio, concorrendo com a sua quota (parte nos gastos da sociedade).

Art. 7o. O chefe de familia que atualmente se recusar a con- tribuir com sua quota, pagará mais tarde, mandando filhos a esta escola, esta quota dobrada.

Art. 8o. O sócio que mandar filhos a esta escola, pagará, além da quota dos gastos extraordinários, uma mensalidade por aluno, que será fixada em assembléia geral e paga ao teroureiro da sociedade em julho e dezembro de cada ano.

Art. 9o. Destas mensalidades far-se-ão os seguintes pagamentos; gratificação ao professor, compra de cadernos, penas, tinta, etc, para os alunos, como também o arranjo das festas e prémios para os mesmos.

Art. 10°. O sócio que não tiver filhos para mandar à escola poderá receber uma criança de outro distrito e manda-la como se fosse sua.

Art. 11°. O sócio que ficar em atrazo com o pagamento por mais de um ano, e sendo convidado pelo tesoureiro, não o fizer dentro do prazo marcado pela diretoria, será eliminado e perderá todos os di- reitos e regalias da sociedade, podendo continuar a mandar seus fi- lhos á escola saldando seus débitos.

Art. 12°. O professor da sociedade é sócio da mesma, podendo ser eleito para os cargos da diretoria em assembléia geral.

Art. 13°. O direito de sócio repousa sôbre a propriedade e é transferível.

Art. 14°. O sócio que se retirar da sociedade perderá todos os direitos da mesma.

CAPITULO III Da assembléia geral:

Art. 15°. A assembléia geral reunir-se-á de ordinário no mês de janeiro de cada ano, com prévio convite da diretoria.

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§ Io. Em assembléia geral serão discutidos e aprovadas to- das as questões ou disposições da sociedade por maioria dos sócios pre- sentes.

§ 2o. A assembléia geral pode funcionar estando presen- tes pelo menos vinte sócios.

§ 3o. Não havendo número, far-se-á segunda que então funcionará qualquer que seja o número dos sócios presentes.

§ 4o. Em assembléia geral também será eleita por escrutinio secreto a diretoria caso renunciar ao cargo ou quando a eleição for pe- dida pelos sócios.

§ 5o. A assembléia geral pode dispensar de todas as con- tribuições qualquer sócio, viuva, indigente, agregado, etc, se achar con- veniente.

§ 6o. Em assembléia geral também poderão reformar-se os presentes estatutos, porém com aprovação de três quartas (3/4) par- tes de todos os sócios.

CAPITULO IV

Da diretoria:

Art. 16°. A sociedade será dirigida por uma diretoria compos- ta dos seguintes membros:

Presidente, vice-presidente, secretário e tesoureiro.

Art. 17°. Compete á diretoria respeitar e fazer respeitar os presentes estatutos em todas as suas partes.

§ 1.° A diretoria será solidária nas resoluções tomadas por maioria de votos e obrigada a defende-las quando preciso fôr.

§ 2.° Executar e fazer executar as deliberações da Assem- bléia Geral

Art. 18.° São deveres do presidente:.

§ 1.° Compete ao presidente, por obrigação, representar a sociedade defendendo o interesse, cuidando com zêlo na boa ordem e conservação da propriedade da sociedade.

2.° Presidir as sessões.

3.° Nomear sócio que deve substituir o secretário ou tesou- reiro.

Art. 19.° - São deveres do vice-presidente:.

§ único Ao vice-presidente compete substituir o paesidente em todas as suas atribuições.

Art. 20.° São deveres do secretário:.

§ 1.° Lavrar em livro especial as atas das sessões lê-las na sessão seguinte para serem aprovadas.

§ 2.° Fazer toda a correspondência da sociedade. Art. 21°. São deveres do tesoureiro:

§ Io. Compete ao tesoureiro receber os dinheiros da socie- dade.

§ 2o. Fazer os pagamentos autorizados pelo presidente.

§ 3o. Fazer anualmente em assembléia geral um balanço demonstrativo das despesas e entradas, apresentando o saldo para ser aprovado.

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§ 4o. Convidar a fazerem seus pagamentos os sócios que ficarem em atrazo com suas contas.

CAPITULO V

Da dissolução:

Art. 22°. - Restando apenas vinte sócios poderão estes, em as- sembleia geral, determinar por unanimidade de votos a dissolução da sociedade; dividindo-se o capital social em partes iguais entre os sócios restantes.

Após o desenlace do professor Smidt em 1928, serviu nesta So- ciedade Escolar o professor Sr. Wandel até o ano de 1936. Suce- deu-o a professora estadual Soli Richter, a qual, de livre e espontânea vontade, após curto tempo de magistério, deixou esta escola.

Visto que o governo estadual não mais se interessava por esta escola, a Sociedade Escolar contratou novo professor particular. Foi este o sr. Bartels. Lecionou êle até fins de 1939, quando, pela campanha de nacionalização, teve que deixar o magistério por ser estrangeiro. Em fevereiro de 1940 sua esposa, Dona Ida, fez o concurso para professora municipal e logo após tomou conta desta escola. Em princípio de 1942 o professor Bartels com sua familia transferiu residência para Ijuí.

Por estar esta escola novamente sem professora, aconteceu a tão esperada e desejada unificação desta sociedade que se havia separado no ano de 1933, por motivo das inimizades criadas pelo temperamento co- lérico que o professor Wandel possuia. Então passou a lecionar nesta escola o professor L. Conte, o qual, pouco tempo após, passou ao qua- dro dos professores estaduais.

Quando em 1946 o professor Conte transferiu residência para Santa Cruz, o sr. Lauro R. Dassow, professor municipal, passou a lecio- nar aqui com uma frequência de 18 alunos; esta, até setembro de 1951, quando este professor pediu sua demissão, havia atingido o número de 43.

Pediu-se então ao